Lideranças sindicais e políticas estiveram na comemoração do 1° de Maio no ABC. Além de comemorar o Dia da Trabalhadora e do Trabalhador, representantes dos sindicatos, parlamentares e o ex-ministro Fernando Haddad ressaltaram a importância das lutas da classe trabalhadora. Leia em TVT News.
No 1° de maio, lideranças sindicais e políticas defendem pautas da classe trabalhadora e criticam atuação do Congresso Nacional
Neste 1° de maio Dia Internacional dos Trabalhadores, lideranças políticas e sindicais se reuniram para reforçar a defesa dos direitos da classe trabalhadora, da igualdade de gênero e da democracia, além de tecer duras críticas às recentes decisões do Congresso Nacional. A TVT News acompanhou as comemorações de 1° de maio e traz os principais destaques
A presidenta do Sindicato dos Bancários, Neiva Ribeiro, ressaltou a importância da mobilização para pressionar o parlamento brasileiro.
Ela pontuou que é necessário “cobrar o Congresso Nacional de votar as pautas que nós, das centrais sindicais, levamos em marcha recentemente para o Congresso apreciar, que são as pautas que a gente mais tem interesse: direitos para os trabalhadores de aplicativos, negociação do setor público, igualdade salarial entre homens e mulheres, leis rígidas contra o feminicídio e uma série de pautas da classe trabalhadora que interessa ao povo brasileiro”.
Neiva foi enfática ao criticar o legislativo, afirmando que não se pode aceitar “pautas como as que foram votadas essa semana no Congresso Nacional, que só interessam aos golpistas ou a outro grupo de interesse do Brasil que não a classe trabalhadora”. Ela concluiu lembrando que o momento é “um dia de luta, de alegria, de resistência, mas de mostrar a nossa força, porque para conquistar precisa de muita organização”.
1° de maio na defesa da igualdade de gênero
A defesa da igualdade de gênero também foi central na fala de Edinho Silva, presidente do PT. Ele destacou o esforço do governo federal na pauta da equidade, afirmando que “o governo do presidente Lula teve iniciativa importante em relação a isso para que a gente crie as condições legais para que essa equidade exista, porque não tem o menor sentido a mulher cumprir muitas vezes a mesma função que o homem, ter a mesma responsabilidade que o homem e receber menos que o homem”.
Edinho ressaltou o compromisso de “trabalhar para que efetivamente as mulheres sejam reconhecidas, sejam valorizadas, e que a gente possa construir o nosso sonho de uma sociedade igualitária de forma efetiva, na prática, e começa por várias iniciativas, uma delas, sem dúvida alguma, é a recuperação salarial”.
Mulheres são as que mais sofrem com a escala 6×1
A luta por equidade e a defesa da democracia continuam no centro das reivindicações da classe trabalhadora neste 1° de maio. As lideranças trouxeram à tona a necessidade de enfrentar a desigualdade estrutural de gênero e manifestaram indignação contra decisões recentes do poder legislativo que, segundo elas, favorecem a impunidade.
Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários, chamou a atenção para a sobrecarga enfrentada pelas mulheres, que compõem metade da população brasileira. “Metade do nosso país é composto por mulheres e nós, mulheres, além da gente ganhar em média 23% a menos que os homens, nós temos dupla jornada, nós temos que ser responsáveis pelos cuidados domésticos, a gente é mais responsável pelos cuidados com os idosos, pessoas deficientes e a gente ainda sofre com a violência de gênero, o feminicídio”, afirmou.
Neiva destacou a importância de políticas que garantam a inserção e a permanência justa no mercado de trabalho. “A pauta de igualdade salarial, igualdade de direitos para que as mulheres consigam ingressar no mercado de trabalho, permanecer no mercado de trabalho, com direitos desiguais é muito importante. Tem a lei da transparência salarial, que é algo que a gente luta muito, porque tem empresas que são contrárias a fazer, a aderir a esse programa”, pontuou Neiva, ressaltando a necessidade de engajamento dos mais novos nas discussões.
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Ela também alertou para os retrocessos propostos por setores conservadores: “A gente sabe que nós estamos numa polarização política muito complicada, tem uma pauta de costumes que quer colocar a mulher de volta para lugares que ela não quer mais estar. Por isso que a gente também quer uma lei forte que combata a misoginia nas redes sociais”.
A vereadora de São Bernardo do Campo, Ana Nice, também se manifestou sobre as lutas urgentes, reforçando pautas como a “redução da jornada de trabalho, sem redução do salário” e o “fim da escala 6×1”, além de alertar para a “violência contra as mulheres, que tem tido, infelizmente, uma escalada na nossa sociedade”.
Ana Nice foi taxativa ao criticar a postura recente do legislativo federal, que votou pela anistia aos criminosos do 8 de janeiro e por medidas vistas como retrocessos democráticos e de segurança pública.
“É o dia da gente refletir os atos do Congresso Nacional, que tem atuado, infelizmente, no momento que avança a violência na nossa sociedade, o Congresso Nacional dá um voto lá de que pode cometer crime sim, que bandido bom é bandido solto”, declarou a vereadora. Ela finalizou com um apelo em defesa da democracia: “Hoje é dia de repudiar também essa ação do Congresso Nacional que tem agido contra a democracia aqui no nosso país”.
Fim da escala 6×1 foi a principal pauta do 1° de maio
Outra pauta de grande peso nas manifestações foi a redução da jornada de trabalho. Sérgio Nobre, presidente da CUT, enfatizou a urgência de modernizar as leis trabalhistas: “Nós estamos em pleno século XXI e estamos com uma jornada de trabalho de dois séculos atrás, então isso é inadmissível. É um clamor da sociedade que as pessoas precisam ter mais tempo com a família para ser um pai melhor, uma mãe melhor, acompanhar os filhos, e é uma demanda que o Congresso Nacional tem que se sensibilizar”.
Ele destacou que a pressão atual é “para que o Congresso vote ainda esse mês o fim da escala 6 por 1”, além de reivindicar a regulamentação do trabalho em plataformas digitais para proteger os jovens “que trabalham nos iFood da vida, nos 99 da vida, e que estão fora do sistema de proteção social e de proteção trabalhista”, e o “direito de negociação coletiva dos servidores públicos”.
O Deputado Estadual Teonilio Barba fez coro às reivindicações por melhores condições de trabalho e economia. “A nossa pauta principal primeiro é a queda dos juros da taxa Selic”, afirmou.
Barba reforçou as bandeiras de luta, que incluem “o fim da jornada do 6×1 passando para 36 horas semanais, redução da jornada de 44 para 40 horas sem redução de salário, e a isenção total do imposto de renda sobre a PLR dos trabalhadores”.
O deputado também não poupou críticas ao legislativo, chamando-o de “um Congresso inimigo do povo”, referindo-se aos parlamentares que apoiaram medidas favoráveis a golpistas e àqueles “senadores que impediram a nomeação do Jorge Messias como ministro do STF”.

A responsabilidade das instituições também foi questionada pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Moisés Selerges, que criticou a postura do Senado Federal frente à sabatina de indicados ao Supremo Tribunal Federal.
“Na hora que o Senado Federal chega e faz o que fez, foi uma demonstração de irresponsabilidade muito grande do presidente Davi Alcolumbre e dos senadores que fizeram isso”, declarou, alertando que tal atitude “é uma irresponsabilidade que pode trazer uma crise para o país nunca antes vista”.
Moisés destacou que os critérios de escolha devem ser técnicos, e não baseados em religião ou afinidades pessoais, e reforçou: “Mostra quem são os inimigos do povo. Se gera uma crise, quem vai pagar a crise são os trabalhadores. Então o Davi Alcolumbre é inimigo do povo, como os senadores que têm esse comportamento são inimigos do povo. E a gente tem que deixar claro isso, nós temos que falar aqui em alto e bom som quem são os inimigos do povo, porque esse ano é eleitoral”.

