Começa o fechamento de Ormuz pelos EUA e Irã ameaça retaliar

Teerã classifica ação de Washington como "pirataria" e promete ataques a portos regionais caso interdição no Ormuz seja confirmada
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“Israel torpedeou todos os cessar-fogo até o momento na região", aponta Ali Ramos. EUA ameaça bloquear navios iranianos no Ormuz nesta segunda – Foto: RS/via Fotos Publicas

O governo dos Estados Unidos anunciou que dará início, a partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13), a um bloqueio naval focado em portos iranianos no Estreito de Ormuz. Irã classificou bloqueio naval dos EUA como “ilegal” e “pirataria” e ameaça portos nos Golfos Pérsico e do Omã. Leia em TVT News.

A medida é uma resposta direta de Donald Trump ao fracasso das negociações nucleares com o Irã, ocorridas recentemente no Paquistão. O regime iraniano, que já mantém o trânsito no Estreito de Ormuz obstruído há mais de um mês, sinalizou que não recuará diante da pressão de Washington.

A liderança do país persa defende que a presença norte-americana na região é o principal fator de instabilidade e prometeu uma resposta proporcional a qualquer tentativa de interdição de seus navios.

Diferente de um fechamento total da via, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que o alvo da operação são as embarcações que chegam ou partem de instalações iranianas nos Golfos Pérsico e de Omã. Navios sem vínculo com o país devem manter o direito de livre trânsito, embora o clima na região seja de alerta máximo.

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População irania participa marcha de 40º dia da morte de Khamenei Foto: Fars

Ponto a ponto: O que esperar do bloqueio em Ormuz

  • Início previsto: 11h (horário de Brasília).
  • Foco: Interdição de navios comerciais ligados ao Irã e embarcações que paguem pedágios considerados “ilegais” por Washington ao regime de Teerã.
  • Justificativa: Trump afirma que o bloqueio permanecerá até que o Irã abandone suas ambições nucleares e pare de obstruir a navegação internacional.

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Irã ameaça com retaliação imediata

O regime iraniano reagiu com ameaças de retaliação a portos na região caso o bloqueio norte-americano seja, de fato, implementado nas próximas horas. Teerã classificou a ação como “pirataria” e mantém seu próprio bloqueio parcial na área há cerca de um mês.

Especialistas alertam que o movimento planejado para esta manhã aumenta drasticamente o risco de confrontos diretos e pode colocar um fim definitivo ao frágil cessar-fogo vigente no conflito entre EUA, Israel e Irã.

“Qualquer iraniano que atirar contra nós será explodido”, escreveu Trump

Após uma exaustiva rodada de negociações que se estendeu por cerca de 20 horas no Paquistão, o presidente Donald Trump utilizou um tom de frustração e advertência para selar o impasse diplomático com o governo iraniano.

Em declaração, Trump minimizou os avanços técnicos obtidos na reunião, enfatizando que qualquer acordo perde o valor diante da persistente recusa de Teerã em abandonar seu programa nuclear. Para o líder norte-americano, é inaceitável qualquer concessão que permita ao país manter capacidades atômicas, sinalizando que, embora termos favoráveis tenham sido discutidos, a segurança global estaria ameaçada enquanto o “poder nuclear” estivesse nas mãos de lideranças que ele classificou como voláteis e difíceis.

Em publicação na sua rede social, Trump disse que seu objetivo era limpar o estreito de minas e reabri-lo para toda a navegação, mas que o Irã não deveria ter permissão para lucrar com o controle da hidrovia.

“Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, disse Trump. “Qualquer iraniano que atirar contra nós ou contra embarcações pacíficas será EXPLODIDO!”

Trump não tem o apoio da Europa na guerra; Espanha quer que UE rompa com Israel

Páises europeus, como a França, Espanha, e Reino Unido demonstram um posicionamento contrário ao governo norte-americano.

Para seus líderes, o que ameaça a segurança global é justamente a permanência da guerra instaurada por Trump e o desrespeito aos termos impostos pelo Irã para o cessar-fogo. Entre esses termos, está a continuidade do enriquecimento de urânio no país, que é um tema caro ao governo Trump.

Espanha defendeu inclusão do Líbano no cessar-fogo e pediu que UE rompa com Israel. Seu presidente, Pedro Sánchez, condenou os ataques israelenses no Líbano, que deixaram mais de 300 mortos:

“É hora de falar claro: o Líbano deve fazer parte do cessar-fogo. A comunidade internacional deve condenar essa nova violação do direito internacional. A União Europeia deve suspender seu Acordo de Associação com Israel. E não deve haver impunidade diante desses atos criminosos”, declarou.

Nesta manhã, Macron ressaltou que busca um caminho para conquistar a paz no estreito de Ormuz, demonstrando comprometimento em restaurar “o mais rápido possível a navegação livre e irrestrita” pelo estreito, como garantir o fim da guerra no Líbano, respeitando sua “soberania e integridade territorial”.

No dia anterior, o presidente da França também publicou ter conversado com Pazeshkian sobre os esforços em restaurar a segurança e navegação no Ormuz, o que vai na contramão dos planos de Trump para o estreito:

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Já o primeiro ministro do Reino Unido, Keir Starmer, publicou nesta manhã (13) o receio com o fechamento contínuo do Estreito de Omruz: “profundamente danoso”:

Netanyahu apoia o bloqueio naval de Trump contra o Irã

O primeito ministro de Isarel, Benjamin Netanyahu, expressou nesta segunda seu apoio ao bloqueio dos portos do Estreito de Ormuz anunciado por Trump.

“A luta continua o tempo todo. Apoiamos a posição firme do Presidente Trump para impor um bloqueio naval ao Irã. Estamos em coordenação constante com os EUA”, disse.

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