Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará — quando 19 trabalhadores rurais, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, foram mortos pela Polícia Militar em uma rodovia enquanto seguiam para Belém em protesto contra a demora do Estado brasileiro em avançar na reforma agrária — a violência no campo segue sem trégua. Mais informações em TVT News.
O crime, marcado pela impunidade, resultou na condenação de apenas dois dos 155 agentes envolvidos. O episódio se tornou um marco na luta pela terra no Brasil e contribuiu para dar visibilidade à pauta campesina encampada pelo MST. Ainda assim, os conflitos fundiários permanecem como uma realidade para a população do campo.

Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta crescimento da violência co campo. Dados mais recentes, referentes a 2024, indicam que o Brasil registrou 2.185 conflitos no campo — a segunda maior marca desde o início da série histórica, em 1985.
Ao longo dos anos, além da persistência dos conflitos e assassinatos, a violência também passou a atingir de forma mais ampla outras comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas. Em 2017, por exemplo, 74 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo; desse total, 10 eram integrantes do MST, mortos por policiais militares em Pau D’Arco, no Pará, caso em que ainda não houve responsabilização efetiva.
Mortes em conflitos agrários no Brasil desde o massacre de Eldorado dos Carajás
No mesmo ano, em Colniza, no Mato Grosso, nove pessoas foram mortas a tiros e golpes de faca em um assentamento rural. Dos três réus apontados como responsáveis pelo crime, apenas um foi julgado e condenado, recebendo pena de 200 anos de prisão por homicídio qualificado.
Conflitos agrários no Brasil: últimos 9 anos
Além da impunidade, o avanço do lobby contrário à reforma agrária no Congresso Nacional acompanha o aumento da violência no campo. O fortalecimento da chamada bancada ruralista e a tramitação de propostas que buscam criminalizar movimentos sociais agrários caminham lado a lado com iniciativas como o “Invasão Zero”, que ganha apoio entre setores do agronegócio como reação às reivindicações por terra.

Nesta terça-feira, o MST deve refazer a marcha histórica de 1996, percorrendo a BR-150, de Curionópolis até Eldorado do Carajás, em homenagem às vítimas e como forma de reafirmar que a luta pela terra e por justiça social no campo permanece atual.

