Uma terceira onda de calor continua a atingir parte do Brasil, com temperaturas até 5°C acima da média esperada para o mês. No entanto, a chegada de uma frente fria promete trazer alívio às altas temperaturas em partes do país. Apesar disso, em nove estados e no Distrito Federal, um bloqueio atmosférico deve reduzir o volume e a incidência de chuvas até a próxima segunda-feira (24), impedindo que a frente fria avance. Confira mais em TVT News.
O bloqueio atmosférico ocorre quando uma área de alta pressão atmosférica se estabelece no centro do país, dificultando a circulação das massas de ar frio. Essa condição meteorológica contribui para a manutenção das temperaturas elevadas em diversas regiões. Além do Distrito Federal, os estados mais impactados incluem o norte do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia e o extremo sul do Piauí.
Nesses locais, as temperaturas devem permanecer acima da média histórica, intensificando o desconforto térmico e aumentando os riscos associados ao calor excessivo. Enquanto isso, nos extremos do país, Norte e Sul, a previsão é de temporais.
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No Rio Grande do Sul, apesar da onda de calor persistente, pancadas de chuva podem evitar que as máximas ultrapassem os 40°C em algumas áreas. Contudo, a região norte do estado deve continuar enfrentando temperaturas elevadas. A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) — um corredor de umidade próximo à linha do Equador — favorece temporais no Ceará, norte do Piauí, Maranhão, Pará e Amapá.
A ZCIT é um fenômeno típico do verão, quando se aproxima mais da América do Sul, trazendo instabilidade e chuvas volumosas para essas regiões. Esses temporais podem causar transtornos, como inundações e deslizamentos.
Ministério da Integração decreta emergência para municípios afetados
Nos últimos dias, cidades como Igaporã e Ribeira do Pombal, na Bahia; Santa Terezinha de Goiás, em Goiás; e Caraí, Galiléia, Itaguara, Jequitinhonha, Mata Verde, Novo Cruzeiro, Santa Luzia, Turmalina e Visconde do Rio Branco, em Minas Gerais, sofreram com chuvas intensas. Em resposta, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Defesa Civil Nacional, reconheceu a situação de emergência em 22 municípios afetados por desastres naturais.
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Com o reconhecimento federal, essas cidades podem solicitar recursos para ações de defesa civil, como a compra de cestas básicas, água mineral, refeições para trabalhadores e voluntários, além de kits de limpeza, higiene pessoal e dormitório. Esses apoios são fundamentais para mitigar os impactos das adversidades climáticas e garantir assistência à população afetada.
As altas temperaturas também têm gerado preocupação com a saúde pública. Especialistas alertam para os riscos do golpe de calor, uma condição grave que ocorre quando o corpo não consegue regular sua temperatura em situações de calor extremo e desidratação. Os sintomas incluem pele quente e seca, tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas, vômitos, confusão mental e, em casos graves, desmaios, convulsões e perda de consciência.
Para minimizar os riscos, é essencial manter-se hidratado, evitar exposição ao sol entre 10h e 16h e usar protetor solar. Além disso, especialistas defendem a distribuição gratuita de filtro solar pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para populações vulneráveis expostas ao sol durante longos períodos.
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Embora a frente fria traga algum alívio para o Sudeste, o calor persistente em outras regiões exige atenção redobrada. Governos estaduais e municipais precisam estar preparados para lidar com os impactos climáticos, desde enchentes até secas prolongadas. Investimentos em infraestrutura, monitoramento meteorológico e campanhas de conscientização são medidas cruciais para proteger vidas e reduzir prejuízos econômicos.
A combinação de calor intenso, bloqueios atmosféricos e temporais demonstra como os extremos climáticos serão cada vez mais frequentes. Enquanto algumas regiões sofrem com a falta de chuvas e temperaturas escaldantes, outras enfrentam os impactos de fortes temporais. Nesse cenário, a prevenção e o planejamento pelo poder público são as melhores estratégias para garantir segurança e bem-estar da população.