A Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), instituição não oficial, nomeou o presidente da Argentina, Javier Milei, como “Economista do Ano de 2025”. A premiação de reconhecimento pela atuação econômica já foi entregue a Delfim Netto, um dos signatários do Ato Institucional N° 5. O Conselho Federal de Economia (Cofecon) se manifestou contra a nomeação. Entenda o que significa o título dado pela OEB na TVT News.
Milei como economista do ano pela Ordem dos Economistas do Brasil
A Ordem dos Economistas do Brasil (OEB) é uma associação privada que realiza um prêmio de Economista do Ano há quase 70 anos. Nesta edição de 2025, nomeou o presidente da Argentina, Javier Milei, como reconhecimento do trabalho econômico realizado no país vizinho ao Brasil.
No regulamento consta que o homenagem deve ser “destinado a premiar economistas que se destacaram na atividade profissional ou em trabalhos em benefício do país, da coletividade e ou da classe dos economistas”.
De acordo com o Conselho Federal de Economia (Cofecon), a primeira regra do regulamento montado pela OEB “não se verificam no caso de um economista cuja atuação se dá fora do Brasil”.
A nota oficial do Conselho Federal de Economia ressalta que a instituição que nomeou Milei se trata de um órgão não oficial e privado. A Lei 1.411/1951 que regulamenta as associações de economistas no Brasil coloca autoridade apenas para o Cofecon e aos Conselhos Regionais.
“Cabe exclusivamente ao Conselho Federal de Economia e aos Conselhos Regionais de Economia a regulamentação e fiscalização do exercício da profissão no País, incluindo o registro profissional obrigatório para o desempenho da atividade”, explica a nota.
Atualmente, o presidente da OEB é Manuel Enriquez Garcia é professor doutor do departamento de Economia da FEA. Garcia teve seu registro de economista suspenso por questões éticas.
A economia de Milei
O número de argentinos vivendo abaixo da linha da pobreza explodiu no primeiro semestre deste ano. A política neoliberal de austeridade do presidente Javier Milei levou 15,7 milhões de pessoas para o patamar abaixo da linha da pobreza. Os reflexos da política de extrema direita foram divulgados ontem (27) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos do país (Indec). O estudo, que abrange 31 aglomerados urbanos, aponta que mais da metade das pessoas (52,9%) estão em situação de pobreza. Isso significa também que 4,3 milhões de famílias, ou 42,5% delas, estão em situação de insegurança.
No primeiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino recuou 5,1%, seguido de uma queda de 1,7% no segundo trimestre. Esse cenário recessivo tem contribuído para o aumento do desemprego, especialmente no setor privado, que demitiu cerca de 177 mil funcionários entre novembro de 2023 e abril de 2024, segundo um relatório do Centro de Estudos de Política Econômica (Cepa).
- Saiba mais em: Milei leva metade da Argentina à pobreza
Milei também investigado na Justiça por suposta “fraude” com a criptomoeda $LIBRA. O pedido foi apresentado pelo economista Claudio Lozano, integrante do partido de oposição Unidade Popular – Unidad Popular. Após sorteio nesta segunda-feira (17), a investigação da primeira denúncia contra Milei ficará a cargo da juíza María Romilda Servini.
Lozano e outros dirigentes da legenda de esquerda acusam o presidente ultraliberal de integrar uma “associação criminosa” que teria cometido uma “megafraude” que afetou simultaneamente mais de 40 mil pessoas, com perdas de mais de US$ 4 bilhões.
Milei havia publicaco em seu perfil no X (ex-Twitter) uma mensagem que levava ao link de uma iniciativa chamada “Projeto Viva a Liberdade”, que faz referência ao principal slogan do ultraliberal – “Viva La Libertad, Carajo” ou “Viva a liberdade, Caramba”, em tradução livre.
Na publicação, Milei explicou que a criptomoeda era “um projeto privado” destinado a “incentivar o crescimento da economia argentina, financiando pequenas empresas e empreendimentos argentinos”. “O mundo quer investir na Argentina. $LIBRA”, dizia a mensagem, que levava o nome da moeda digital. Seu post ficou no ar por cerca de cinco horas, depois foi derrubado.
Após a postagem do presidente, o preço da criptomoeda disparou para quase US$ 5 dólares. Horas depois, o preço do ativo despencou para menos de US$ 1. Toda a operação durou cerca de duas horas e envolveu valores de US$ 4,5 bilhões, segundo a imprensa argentina.
Outros nomeados pela OEB
Em quase 70 anos de condecorações a Economistas do Ano, a OEB alega “seguir os critérios técnicos e imparciais” para atribuir as homenagens. No histórico de premiados há nomes polêmicos.
A exemplo disso está Antonio Delfim Netto nomeado como Economista do Ano em 1967 pelas análises feitas relacionadas ao mercado cafeeiro brasileiro. Na respectiva data, o país estava no início da ditadura militar imposto em 1964 até 1985.
Em 1969, ele foi nomeado ministro da Fazenda e ficou no cargo até 1974. Ele foi um dos políticos que assinou o Ato Institucional Nº5, decreto que possibilitou a perseguição, repressão e tortura de opositores políticos da ditadura militar.