O Clube de Engenharia do Brasil publicou uma carta aberta nesta quarta-feira (26) defendendo que seja dada a autorização pelo Governo Federal para perfuração de poços exploratórios em águas profundas na costa do Amapá́, na Bacia da Foz do Amazonas, para melhor avaliar o potencial petrolífero da área, conhecida como Margem Equatorial.
A região tem grande potencial de conter reservatórios de petróleo, no entanto, a exploração é questionada por ambientalistas, em razão de possíveis danos ambientais. Em outubro do ano passado, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pediu novos esclarecimentos em relação ao processo de licenciamento na Foz do Amazonas. Isso depois do último detalhamento do Plano de Proteção à Fauna apresentado pela Petrobras, em agosto passado.
“Entendemos que não há contradição entre essa empreitada técnica e a justa preocupação de órgãos do governo federal em contribuir para a mitigação das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Destacamos que as emissões na exploração & produção de petróleo (óleo e gás) são estimadas em 5,5% do setor energético e 1,0% do total nacional”, afirma a carta aberta, assinada por Francis Bogossian, presidente do Clube de Engenharia.
“Relevante também o fato de estar à frente deste processo a Petrobras, nossa estatal que ao longo de sua história demonstrou enorme excelência técnica e segurança operacional, notadamente no zelo para com o meio-ambiente, ainda mais quando operando em condições extremas”, acrescenta a carta.
Além disso, o clube destaca que a Petrobras já perfurou 67 poços exploratórios na plataforma da Foz do Amazonas e produz petróleo em Urucu, “um dos melhores exemplos do mundo de sustentabilidade em atividades extrativas.
“O Clube de Engenharia do Brasil entende que o petróleo ainda tem muito a contribuir com o desenvolvimento do país, para nossa soberania energética e a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Temos em nosso país uma matriz energética das mais limpas, com a contribuição das fontes fósseis representando somente 50% do total, bem menos do que a média mundial de 82%”, destaca a carta.
“A entidade destaca o desafio de estender a oportunidade de consumo de energia a todos os brasileiros, “revertendo a inaceitável situação de estarmos na 85o posição no mundo em termos uso de energia per capta”. Ao mesmo tempo, energia barata e abundante é essencial para a expandir a indústria brasileira, aumentando a sua competitividade internacional”.
“Não podemos abrir mão de qualquer fonte de energia se queremos desenvolver o país de forma inclusiva, soberana e longeva. Essencial, portanto, o Governo Federal inventariar todo o potencial de insumos energéticos no rico território nacional, incluindo as grandes oportunidades petrolíferas”, afirma o documento do Clube de Engenharia.
“Vale lembrar que a existência de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas promoverá o desenvolvimento, com contribuição social para o Brasil. Alavancará o crescimento nas Regiões Norte e Nordeste brasileira, com as instalações operacionais da Petrobras e de empresas prestadoras de serviços”, acrescenta.
Lula defende estudos na Margem Equatorial
Recentemente, em entrevista à Rádio Diário FM, de Macapá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que o Ibama autorize a Petrobras a perfurar poços em busca de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, no litoral do Amapá.
“Não é que eu vou mandar explorar. Eu quero que ele seja explorado. Agora, antes de explorar, nós temos que pesquisar. Temos que ver se tem petróleo, ver a quantidade de petróleo. Porque muitas vezes você cava um buraco de 2 mil metros de profundidade e você não encontra o que você imaginava encontrar. Precisamos autorizar que a Petrobras faça pesquisa. É isso que nós queremos. E depois se a gente vai explorar, é outra discussão. O que não dá para a gente ficar nesse lenga-lenga, o Ibama é um órgão do governo parecendo que é um órgão contra o governo”.
O Plano Estratégico da Petrobras para o período 2024-2028 prevê investimentos de US$ 3 bilhões e a perfuração de 16 poços em toda a extensão da Margem Equatorial, que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte. Mas, só tem autorização do Ibama para perfurar dois deles, na Bacia Potiguar, na costa do estado. Do total de concessões, atualmente 11 já operam na fase de produção, sendo cinco com pequena produção e seis em processo de devolução, que ocorre quando não há descobertas significativas.