Nesta quinta-feira (28), uma megaoperação da Polícia Federal (PF) contra o crime organizado mirou gestões fraudulentas e esquemas de lavagem de dinheiro em instituições da Avenida Brigadeiro Faria Lima, o coração do mercado financeiro em São Paulo e no Brasil. Entre as instituições, estão fundos de investimento, imobiliários e multimercados. Veja quais são eles na TVT News.
O sofisticado esquema engendrado pela organização criminosa lavava o dinheiro proveniente do crime ao mesmo tempo que obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis, segundo a investigação. Em nota nas redes sociais, o presidente Lula (PT) afirmou se tratar da “maior resposta do Estado brasileiro ao crime organizado de nossa história até aqui”.
De acordo com a PF, as fraudes bilionárias têm conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Operações financeiras realizadas por meio de instituições de pagamento (fintechs), em vez de bancos tradicionais, dificultavam o rastreamento dos valores obtidos na cadeia produtiva de combustíveis.
Segundo a investigação, o lucro e os recursos lavados do PCC eram blindados em fundos de investimentos com diversas camadas de ocultação de forma a tentar impedir a identificação dos reais beneficiários.
Faria Lima: empresas e fundos suspeitos de blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro
As administradoras faziam a gestão de pelo menos 40 fundos controlados pelo PCC com patrimônio acima de R$ 30 bilhões, incluindo usinas, terminais portuários, frotas de caminhões e imóveis de luxo.
O dinheiro do crime ocultado em fintechs era reinvestido nos fundos. A estrutura do esquema permitia a blindagem da titularidade das vultuosas quantias e a lavagem de dinheiro. A Receita Federal aponta que R$ 7,6 bilhões deixaram de ser declarados em São Paulo.
Entre as empresas, destacam-se:
Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A (Reag)
Administradora e gestora de fundos de investimento ligada a João Carlos Mansur. A empresa se apresenta como a maior gestora sem ligação com bancos do Brasil, com R$ 299 bilhões sob sua gestão. É suspeita de compra de empresas, usinas e blindagem do patrimônio.
Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. (Trustee)
Comandada por Maurício Antonio Quadrado, é administradora e gestora de fundos de investimento. Suspeita de aquisição e ocultação de bens para o PCC.
Banco Genial S.A. (Banco Genial)
Administra empresas envolvidas em transferências de R$ 100 milhões para o fundo por meio de uma fintech. Seus principais sócios são Rodolfo Riechert e André Schwartz.
Buriti Investimentos Gestora de Recursos Ltda. (Buriti)
Fundo de investimento liderado por Marcelo Alves Varejão que foi instrumentalizado pelo crime organizado.
Entre as administradoras e gestoras de fundos de investimento, também são investigadas as empresas Altinvest, BFL, Actual, Ello, Libertas e Banvox.