Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) revela um aumento de 16% no número de greves no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Foram registradas 536 paralisações, que totalizaram quase 18 mil horas paradas. Pela primeira vez no período recente, as greves na esfera privada (282) predominaram, ainda que de forma pouco pronunciada, sobre as do funcionalismo público (219). As empresas estatais registraram 34 mobilizações. Saiba mais em TVT News.
O levantamento, baseado no Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG-DIEESE), aponta uma mudança no perfil dos movimentos. “Em 2025 – de modo diverso do ano passado – as greves na esfera privada predominam”, destaca o documento. Neste setor, mais da metade (53%) das greves foram realizadas, representando 40% do total de horas paradas. Já no funcionalismo público, apesar de responder por 41% das greves, a quantidade de horas paralisadas foi maior, chegando a 56% do total nacional.
A pauta das reivindicações expõe realidades distintas entre os setores. No funcionalismo público, a demanda por reajuste salarial foi dominante, presente em 63% das paralisações. “Quase dois terços (63%) das pautas de reivindicações dessa esfera fazem menção ao reajuste de salários”, aponta o estudo. Para muitos servidores, a luta vai além da busca por ganhos. “Nós temos uma perda inflacionária que já supera os 30%, é como se a cada mês, todos os meses, nós deixássemos de receber um terço dos nossos salários”, relatou um trabalhador, segundo a pesquisa.
Já na esfera privada, o cenário é marcado pela luta pela garantia de direitos já estabelecidos. A demanda mais frequente foi a “regularização de salários em atraso”, presente em 41% das greves. “Na esfera privada, por fim, a denúncia do atraso no pagamento dos salários esteve presente em 41% das greves. Tal destaque tem sido habitual entre esses trabalhadores”, afirma o balanço. Em contraste, essa reivindicação apareceu em apenas 6% das greves nas estatais e em 7% no serviço público.
O caráter defensivo das mobilizações fica evidente nos dados: itens com essa natureza estiveram presentes em 82% de todas as greves. Na esfera privada, esse índice chega a 85%. “A luta agora é claramente defensiva”, conclui o DIEESE, ao analisar a evolução histórica desde 2016. O estudo ressalta que “a greve tornou-se o recurso último dos trabalhadores que, em sua atividade, deparam-se com situações de maior precariedade”.
No setor privado, os trabalhadores do transporte rodoviário coletivo urbano foram os que mais paralisaram (26% das greves), seguidos pelos da área de turismo e hospitalidade (22%). A grande maioria (90%) das greves nessa esfera foi organizada no âmbito de empresas específicas, e a tática predominante foi a greve por tempo indeterminado (71%).
No funcionalismo público, as mobilizações foram majoritariamente organizadas por categoria profissional (90%) e tiveram na greve de advertência sua principal tática (62%). Dois terços das paralisações ocorreram no nível municipal, e metade foi deflagrada por profissionais da educação.
Entre as empresas estatais, os urbanitários (saneamento) foram responsáveis por 29% das greves, seguidos pelos trabalhadores das comunicações (21%) e bancários (15%). A pauta principal nesse setor foi por melhores condições de trabalho (32%), reflexo, segundo o DIEESE, do “desinvestimento que habitualmente acompanha projetos de privatização ou de terceirização”.
O balanço final do DIEESE traça um panorama de um movimento sindical pressionado. “Em números e qualidade, as greves desse primeiro semestre não destoam de um padrão que vem se mantendo desde 2016, pelo menos – e que deve continuar por prazo ainda indefinido”. A “importância das greves por ‘melhores condições de trabalho’ (…) junta-se aos descumprimentos salariais na caracterização da vida laboral desses trabalhadores”, finaliza o estudo, destacando a precarização como mote central das lutas em 2025.
