Quem é Fabiano Zettel, preso 2 vezes pela PF

Pastor ligado à Igreja Lagoinha e empresário do setor financeiro, ele é investigado por fraudes envolvendo o Banco Master
quem-e-fabiano-zettel-preso-preventivamente-pela-pf-zettel-e-o-maior-dador-individual-das-campanhas-de-bolsonaro-e-tarcisio-foto-divulgacao-tvt-news
Zettel é o maior doador individual das campanhas de Bolsonaro e Tarcísio. Foto: Divulgação

Fabiano Zettel, doador da campanha de Bolsonaro, é cunhado de Daniel Vorcaro, do Banco Master, e foi preso junto com o Sicário por suspeita de crimes de crimes de ameaça e lavagem de dinheiro. Saiba mais em TVT News.

Zettel e Bolsonaro

  • Zettel foi doador de campanha de Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-presidente Bolsonaro recebeu R$ 3 milhões de Zettel. O atual governador de São Paulo recebeu R$ 2 milhões em doação.

  • Zettel e Sicário foram presos na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes de ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos de informática praticados por organização criminosa

Fabiano Zettel, pastor evangélico, foi preso 2 vezes pela PF

Fabiano Zettel, pastor evangélico e empresário, foi preso pela Polícia Federal. A primeira prisão de Zettel foi na 2ª fase da operação Compliance Zero, que apura um amplo esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, em novembro de 2025.

No início de março de 2026, Na semana passada, Zettel foi preso novamente após as investigações identificarem que Vorcaro mantinha um grupo que atuava contra seus supostos adversários, do qual faziam parte Zettel, do cunhado do dono do Master, Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário“, e o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

“Investigações no âmbito da Operação Carbono Oculto apontam que Fabiano Zettel possui conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, instituições identificadas como braços financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Faria Lima”, justificou o senador Humberto Costa (PT-PE).

Cunhado de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, Zettel aparece nas investigações como personagem-chave na engrenagem societária e financeira que, segundo a PF, teria sido usada para ocultar recursos, simular operações e driblar mecanismos de controle do sistema financeiro.

Zettel construiu sua trajetória combinando atuação religiosa, negócios no setor privado e forte inserção política. Ele é ligado à Igreja Batista da Lagoinha, uma das maiores denominações evangélicas do país, com sede em Belo Horizonte, e participou de atividades religiosas e empresariais associadas ao entorno da igreja, embora não figure entre seus principais líderes nacionais.

No campo empresarial, Zettel manteve relações diretas com o Banco Master, tanto por laços familiares quanto por operações financeiras. Ele é casado com uma irmã de Daniel Vorcaro, o que o coloca no núcleo familiar do controlador do banco. Segundo reportagens, empresas ligadas a Fabiano Zettel teriam realizado movimentações financeiras relevantes com a instituição, incluindo aportes, empréstimos e participação em negócios que agora são alvo de escrutínio dos investigadores.

A Polícia Federal investiga se essas relações teriam sido usadas para facilitar práticas irregulares, como simulação de capacidade financeira, uso de empresas interpostas e eventual ocultação de patrimônio. A operação Compliance Zero busca identificar responsabilidades penais e administrativas em um contexto mais amplo de irregularidades que culminaram na liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, no fim de 2025.

Zettel doou para as campanhas eleitorais de Tarcísio de Freitas e Bolsonaro

Além da dimensão financeira, Fabiano Zettel ganhou projeção nacional por seu peso no financiamento de campanhas eleitorais da extrema direita. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam Zettel como o maior doador individual da campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República – R$ 3 milhões – e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo – R$ 2 milhões – nas últimas eleições. As doações, realizadas de forma oficial e declarada, somaram milhões de reais e colocaram o pastor-empresário entre os principais financiadores privados do bolsonarismo.

Essas contribuições reforçaram sua inserção nos círculos políticos alinhados à agenda ultraliberal e conservadora, aproximando-o de lideranças que defenderam, durante o governo Bolsonaro, a flexibilização de regras de controle financeiro e uma relação mais permissiva entre Estado, mercado e grandes grupos econômicos. Embora não haja, até o momento, acusação formal de irregularidades eleitorais, o volume das doações passou a ser analisado no contexto mais amplo das investigações sobre a origem e a circulação de recursos ligados ao Banco Master.

A prisão temporária de Fabiano Zettel foi decretada para permitir o avanço das investigações, evitar destruição de provas e esclarecer o papel desempenhado por ele no suposto esquema. A defesa do pastor afirma que ele é inocente, que suas atividades empresariais e doações políticas foram legais e que irá colaborar com as autoridades para esclarecer os fatos.

A operação Compliance Zero segue em andamento e pode alcançar outros empresários, executivos e operadores financeiros ligados ao banco. O caso lança luz sobre a interseção entre fé, finanças e política no Brasil contemporâneo, evidenciando como redes familiares, religiosas e ideológicas podem se articular em estruturas complexas de poder econômico e influência institucional.

Assuntos Relacionados