O Banco Central decretou nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida ocorre após a constatação de que a instituição se tornou insolvente e não conseguiu cumprir obrigações básicas do sistema financeiro. Com a decisão, todas as operações do banco foram interrompidas imediatamente, afetando milhares de clientes em todo o país. Entenda na TVT News e veja o que fazer se você tem conta ou investimentos no Will Bank.
Por que o Will Bank foi liquidado?
Segundo o Banco Central, a liquidação tornou-se inevitável após o agravamento da situação financeira da instituição. O estopim ocorreu na segunda-feira (19), quando a Will Financeira descumpriu a grade de pagamentos com a Mastercard, o que levou ao bloqueio de sua participação no arranjo de cartões.
Outro fator decisivo foi o vínculo com o Banco Master, controlador do Will Bank, que já estava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro de 2025. Investigações do BC e da Polícia Federal apontam que o conglomerado adotou um modelo de crescimento agressivo, baseado em riscos excessivos e inflação artificial de balanços, além de suspeitas de fraudes bilionárias, estimadas em cerca de R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024.
O que muda para os clientes
Com a liquidação extrajudicial, o funcionamento do Will Bank foi paralisado. Isso significa que:
- cartões de crédito e débito estão bloqueados;
- PIX, transferências e pagamentos foram suspensos no aplicativo.
Além disso, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição foram declarados indisponíveis, conforme prevê a legislação.
Como recuperar o dinheiro: entenda a garantia do FGC
Clientes e investidores contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que assegura o ressarcimento de valores mantidos em instituições financeiras em casos de liquidação.
O que é garantido:
- Depósitos em conta corrente
- Poupança
- CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e RDBs (Recibos de Depósito Bancário)
O limite de cobertura é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total aplicado na instituição.
Como solicitar o ressarcimento?
O pagamento não é automático. Primeiro, o liquidante nomeado pelo Banco Central precisa consolidar a lista de credores, processo que pode levar de 30 a 45 dias. Após isso, os clientes devem fazer a solicitação nos canais oficiais do FGC:
- Pessoa física: aplicativo oficial do FGC (Android e iOS), com cadastro, validação por biometria e envio de documentos. Após a assinatura digital do termo, o pagamento costuma ocorrer em até 48 horas úteis;
- Pessoa jurídica: cadastro no Portal do Investidor, no site do FGC;
- Menores de idade e espólios: a solicitação deve ser feita por e-mail, no endereço [email protected], com a documentação informada no site do FGC.
No momento, é necessário aguardar que o FGC receba a lista de pessoas credoras. Fique atento ao processo no site do FGC e nas redes sociais. Caso possua outras dúvidas, entre em contato com o FGC no e-mail [email protected].
Quem tem fatura no Will Bank tem que pagar? E o salário?
A liquidação não extingue dívidas. Faturas de cartão de crédito e empréstimos continuam válidas. O cliente deve aguardar as orientações do liquidante sobre como e onde efetuar os pagamentos, evitando juros e multas.
Já quem recebe salário pelo Will Bank deve procurar imediatamente o RH da empresa para alterar a conta de depósito e impedir que os próximos vencimentos fiquem retidos na instituição liquidada.
Alerta contra golpes
O FGC reforça que não cobra taxas, não pede depósitos antecipados e não faz contato por WhatsApp ou SMS. Qualquer oferta de “antecipação” de valores é golpe. Para dúvidas sobre saldos e créditos, o canal indicado é o e-mail [email protected] ou os meios oficiais do FGC.

