O cineasta e ex-secretário do Audiovisual do governo Lula, Silvio Da-Rin, faleceu na madrugada desta quinta-feira (29), após uma longa internação hospitalar. A morte foi confirmada pela filha, a também cineasta Maya Da-Rin, ao Jornal O Globo. Carioca, nascido em 1949, Da-Rin construiu uma trajetória marcada pelo engajamento político e pela defesa do audiovisual nacional. Relembre sua trajetória na TVT News.
Antes de se consolidar como diretor, Da-Rin teve uma carreira extensa e respeitada como técnico de som, assinando cerca de 150 produções ao longo de décadas. Seu trabalho esteve presente em obras fundamentais da retomada do cinema brasileiro nos anos 1990 e 2000, como Pequeno dicionário amoroso (1997), Mauá — O imperador e o rei (1999), Villa-Lobos, uma vida de paixão (2000) e Quase dois irmãos (2004).
Um cinema voltado à história e à memória
Como diretor, Silvio Da-Rin construiu uma filmografia ligada à reflexão sobre o Brasil. Sua estreia na direção aconteceu com o curta Fênix (1980), que reuniu depoimentos de artistas e intelectuais como Caetano Veloso e Zé Celso Martinez Corrêa sobre a repressão da ditadura militar.
O curta Príncipe do Fogo (1984), premiado no Festival de Gramado, aprofundou sua investigação sobre figuras marginalizadas da história brasileira ao retratar Febrônio Índio do Brasil, um assassino em série que viveu nos anos 1920. Mas foi com o longa Hércules 56 (2006) que Da-Rin alcançou reconhecimento mais amplo. O documentário reconstitui o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 1969, ação que levou à libertação de presos políticos durante a ditadura e se tornou um marco da luta armada contra o regime.
Seus trabalhos posteriores mantiveram o compromisso com temas sensíveis e estruturais do país, como Paralelo 10, sobre a proteção de povos indígenas isolados, e Missão 115, seu último filme, dedicado ao atentado do Riocentro, em 1981.
Políticas para o audiovisual
Além da criação artística, Silvio Da-Rin atuou na formulação de políticas públicas para o cinema. Foi secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre 2007 e 2010, durante o segundo governo Lula, na gestão do ministro Gilberto Gil. À frente da secretaria, implementou o Programa Nacional de Estímulo à Parceria entre a Produção Independente e a Televisão, iniciativa voltada a ampliar a presença do conteúdo brasileiro na TV.
Da-Rin também presidiu a Federação de Cineclubes e integrou a Associação Brasileira de Documentaristas (ABD), além de deixar contribuição teórica fundamental com o livro Espelho partido – tradição e renovação do documentário cinematográfico (2004), referência acadêmica originada de sua dissertação de mestrado na UFRJ.
O velório está marcado para esta sexta-feira (30), às 16h, no cemitério São Francisco de Paula, no bairro do Catumbi, no Rio de Janeiro.

