Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, sobre o primeiro pagamento com a isenção do imposto de renda. Leia o artigo em TVT News.
Isenção do IR até R$ 5 mil: vitória da luta dos trabalhadores
Por Neiva Ribeiro
Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região
A aprovação da proposta que amplia a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e reduz a tributação para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7.350 representa uma vitória da luta histórica dos trabalhadores. Mais do que uma mudança na legislação, este momento marca, na prática, o primeiro mês em que milhares de trabalhadoras e trabalhadores passam a receber seus salários sem o desconto do Imposto de Renda, sentindo diretamente no bolso os efeitos dessa conquista.
Trata-se de uma conquista que não surgiu por acaso: é fruto direto da mobilização sindical, da pressão social organizada e do compromisso com um projeto de país mais justo, que coloca a renda do trabalho no centro das prioridades.
Durante anos, assistimos à corrosão do poder de compra dos salários, agravada pela profunda defasagem da tabela do Imposto de Renda. Essa distorção penalizou principalmente quem vive do próprio trabalho, enquanto grandes fortunas, lucros e dividendos permaneceram praticamente intocados.
A correção agora aprovada é um passo para minimizar essa lógica perversa, aliviando o peso do imposto sobre os ombros de quem sustenta a economia e garantindo mais dignidade para milhões de famílias brasileiras.
No setor bancário, os efeitos dessa medida são expressivos e revelam sua importância social. Levantamento realizado a partir dos microdados da RAIS 2024 aponta que cerca de 45,9 mil bancários ficarão totalmente isentos do Imposto de Renda, o que representa uma economia anual estimada em R$ 111,1 milhões.
Outros 75,9 mil terão redução do imposto a pagar, somando uma economia anual de R$ 149,6 milhões. Ao todo, aproximadamente 122 mil bancários, o equivalente a 30% da categoria, serão diretamente beneficiados, com impacto total de R$ 260,7 milhões por ano. Mais significativo ainda é o fato de que 53% desse contingente é composto por mulheres, reforçando o caráter de equidade social da medida e seu papel na redução das desigualdades de gênero, especialmente em um setor marcado por diferenças salariais e pela sobrecarga do trabalho feminino.

Essa conquista reafirma a centralidade da luta sindical na construção de políticas públicas que promovem justiça social. Os bancários sempre estiveram na linha de frente da defesa de uma reforma tributária progressiva, que taxe menos o trabalho e mais o capital, e a ampliação da isenção do Imposto de Renda é parte fundamental desse caminho. Mais renda disponível significa mais consumo, mais dinamismo econômico, mais empregos e melhores condições de vida, especialmente para quem depende do salário para sobreviver.
É fundamental reconhecer o papel do Governo Lula na retomada de uma agenda comprometida com os interesses da maioria da população. Ao priorizar a correção da tabela do Imposto de Renda, o governo sinaliza que é possível construir um modelo de desenvolvimento baseado na valorização do trabalho, na redução das desigualdades e na promoção da justiça tributária. Essa decisão não é apenas técnica, é profundamente política: escolhe ficar ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras.

Seguiremos mobilizados para avançar ainda mais. A luta não termina aqui. Precisamos seguir pressionando por uma reforma tributária ampla, que enfrente os privilégios históricos, combata a concentração de renda e construa um sistema mais justo e solidário. A isenção até R$ 5 mil é uma vitória importante, mas é também um chamado para continuarmos organizados, conscientes e ativos na defesa dos nossos direitos. A história mostra que nenhuma conquista veio sem luta, e é com luta que seguiremos transformando o Brasil.
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Sobre a autora

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.
Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade.

