Entre recordes, estreias históricas e grandes performances na 68ª edição do Grammy Awards realizada no domingo (1º), em Los Angeles, o tom da cerimônia também foi marcado por críticas às políticas migratórias dos Estados Unidos. No palco, ao receberem seus prêmios, Bad Bunny e Billie Eilish protestaram contra o ICE, o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira do governo de Donald Trump, que tem adotado práticas violentas para deter e perseguir imigrantes. Saiba os detalhes na TVT News.
Logo no tapete vermelho, artistas, produtores e convidados exibiam broches brancos com a frase “ICE OUT” (“Fora ICE”). No palco, os protestos ganharam voz.
Ao receber o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, Bad Bunny fez um dos discursos mais aplaudidos da cerimônia. Em espanhol e inglês, o porto-riquenho declarou:
“Fora ICE. Não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens. Somos seres humanos e somos americanos”. Ele completou afirmando que o amor é a única força capaz de superar o ódio.
Mais tarde, a cantora Billie Eilish, vencedora de Canção do Ano por “Wildflower”, também adotou o tom direto:
“Ninguém é ilegal em terra roubada”, disse, antes de encerrar com um “Fod*-se o ICE”.
Outros artistas seguiram a mesma linha. Kehlani e Shaboozey exaltaram a contribuição histórica dos imigrantes para a construção do país, enquanto Gloria Estefan classificou como “desumanas” as políticas que mantêm famílias e crianças em centros de detenção. Olivia Dean, que venceu o prêmio de artista revelação, declarou: “estou aqui como neta de imigrantes. Sou fruto da coragem e acho que essas pessoas merecem ser celebradas”.
Alvo de protestos crescentes em todo o país, o ICE (Serviço tem implementado práticas agressivas e desumanas durante o governo Donald Trump. A agência é acusada de atuar como uma espécie de “polícia paralela”, promovendo prisões arbitrárias, detenções de pessoas sem antecedentes criminais e até o confinamento de crianças. A revolta se intensificou após operações que resultaram na morte dos cidadãos americanos Renee Good e Alex Pretti, em Minneapolis, casos que motivaram investigações de direitos civis. Também pesam denúncias sobre o uso de agentes mascarados, ações militarizadas em espaços públicos e a vigilância de grandes eventos culturais, criando um clima de intimidação que levou artistas a cancelarem apresentações por medo de detenções em massa.
Vitórias históricas
Além do ativismo, a cerimônia foi noite de marcos importantes na indústria musical.
O próprio Bad Bunny fez história ao vencer o principal prêmio da noite, Álbum do Ano, com Debí Tirar Más Fotos, tornando-se o primeiro artista a conquistar a categoria com um disco inteiramente em espanhol. Ele se junta a João Gilberto, como os únicos artistas latino-americanos a ganharem o aclamado prêmio.
Já Kendrick Lamar foi o maior vencedor da cerimônia, com cinco troféus, incluindo Gravação do Ano por “Luther”, ao lado de SZA. Com 27 Grammys no currículo, ele se tornou o artista de hip-hop mais premiado da história.
Entre outras conquistas inéditas, a banda The Cure levou seus dois primeiros Grammys após décadas de carreira, o Dalai Lama, aos 90 anos, venceu na categoria de audiobook, e Steven Spielberg alcançou o status de EGOT ao conquistar um Grammy para Melhor Filme Musical.
Presença brasileira e performances
O Brasil também teve motivos para comemorar. Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram Melhor Álbum de Música Global com o registro ao vivo da turnê conjunta, garantindo a primeira estatueta de Bethânia.
No palco, as apresentações variaram entre o experimental e o grandioso. Justin Bieber chamou atenção com uma performance minimalista de Yukon, construída ao vivo com loops de guitarra. Lady Gaga apresentou Abracadabra com um figurino excêntrico de Alexander McQueen, e Sabrina Carpenter cantou Manchild, enquanto tributos emocionaram o público, como a homenagem a Ozzy Osbourne, com “War Pigs”.

