Milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros receberam, neste mês, o primeiro holerite sem desconto de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. A medida, considerada histórica pelo movimento sindical, é resultado direto de décadas de mobilização por justiça tributária e combate às desigualdades. O tema foi destaque no Jornal TVT News Primeira Edição, que entrevistou o presidente nacional da CUT, Sérgio Nobre, em um dia marcado por celebração e também por renovação das lutas. Leia em TVT News.
“Não é sempre que a classe trabalhadora tem um motivo para festejar. Esse dia amanheceu muito feliz, histórico”, afirmou Nobre. Segundo ele, a isenção representa um passo importante, mas ainda inicial, rumo a um sistema tributário mais justo. “É um passo gigantesco, mas temos muito a fazer na busca da justiça tributária no Brasil.”
De acordo com o presidente da CUT, a medida beneficia diretamente cerca de 35 milhões de pessoas, considerando quem ganha até R$ 5 mil, quem terá redução progressiva até salários de R$ 7.300 e também trabalhadores sem carteira assinada, contratados em outras modalidades. “É muita coisa”, ressaltou.
Um dos pontos centrais destacados por Nobre foi a forma de compensação da renúncia fiscal. Apenas cerca de 140 mil pessoas que recebem mais de R$ 50 mil mensais passarão a contribuir um pouco mais. “Isso mostra o quanto o nosso sistema tributário ainda é desigual. Um grupo muito pequeno contribui um pouco mais para garantir justiça para milhões”, explicou.
O dirigente sindical também defendeu o papel do governo Lula na implementação da medida e destacou a atuação do ministro da Fazenda. “O que o Haddad apanhou explicando que era pouca coisa para quem ganha mais de R$ 50 mil, cerca de 2% a mais, para fazer justiça com 35 milhões de pessoas”, afirmou, criticando a resistência dos setores mais ricos.
Nobre voltou a denunciar o abismo social no país. “Hoje, 1% dos mais ricos concentra entre 40% e 60% da riqueza nacional, enquanto os 50% mais pobres têm menos de 2%. Isso é um crime”, disse. Para ele, a justiça tributária é condição para uma sociedade mais equilibrada. “Só tem felicidade quando a felicidade é para todos. Ninguém é feliz sozinho.”


Isenção de Imposto de Renda e mais
Além da isenção até R$ 5 mil, a CUT defende outras mudanças, como a ampliação da progressividade do Imposto de Renda e a isenção da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). “Não é correto tributar algo que já vem do lucro da empresa e é fruto da produtividade do trabalhador”, argumentou. Ele lembrou que a tabela do IR já foi muito mais progressiva, com 11 faixas nos anos 1950, e defendeu a retomada desse modelo.
Para Nobre, a medida não é uma dádiva, mas fruto de luta histórica. “A CUT tem 43 anos e já nasceu com essa pauta. Mas é preciso destacar também a sensibilidade do presidente Lula, que sabe o quanto R$ 100 a mais no bolso do trabalhador faz diferença.”
Segundo ele, o impacto vai além do alívio no orçamento familiar. “Esse dinheiro volta para a economia. Vai para o consumo, gera produção e gera emprego.” Em muitas categorias, o valor economizado equivale a um salário a mais no ano. “Para cobradores, motoristas, enfermeiros, professores, é como um 13º adicional.”
O dirigente sindical também apontou as próximas batalhas do movimento sindical. Entre elas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1. “Temos uma jornada da década de 40. É desumana, especialmente no comércio. Jovens trabalham até 16 horas por dia e só têm o domingo para dormir”, denunciou.
Outra prioridade é a regulamentação do trabalho por aplicativo. “Eles não são empreendedores, são trabalhadores precarizados. As plataformas ficam com até metade do valor das corridas ou serviços”, afirmou, defendendo direitos e dignidade para milhões de pessoas.
Ao final, Sérgio Nobre reforçou que nenhuma conquista acontece sem pressão social. “A gente conseguiu a isenção porque ganhou o debate na sociedade. Agora precisamos mobilizar deputados e senadores. Quando o povo cobra, as coisas acontecem.”
A agenda de mobilizações segue em todo o país até o 1º de Maio, Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, com a expectativa de que novas vitórias possam, mais uma vez, ser motivo de celebração.

