A mais nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, confirma a força política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do cenário eleitoral de 2026. O levantamento, realizado entre os dias 5 e 9 de fevereiro com 2.004 eleitores em 120 municípios, mostra o petista vencendo todos os sete cenários simulados para um eventual segundo turno – um desempenho que atesta sua resiliência. Leia em TVT News.
No confronto mais provável, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Lula aparece com 43% das intenções de voto, contra 38% do filho do ex-presidente. A vantagem de cinco pontos, dentro da margem de erro de dois pontos, mantém o presidente em posição confortável. Brancos e nulos somam 17%, e indecisos são 2%.

O resultado adquire ainda mais relevância quando considerado o contexto: Flávio Bolsonaro, que há apenas três meses ensaiava consolidar seu nome como herdeiro político do pai, segue numericamente atrás do presidente, sem conseguir reverter a dianteira petista. Em janeiro, Lula tinha 45% no mesmo confronto. A oscilação para 43% é tecnicamente irrelevante e mantém o presidente como franco favorito.
Nos demais cenários de segundo turno, a distância de Lula para seus adversários é ainda mais expressiva. Contra Ratinho Júnior (PSD), o presidente registra 43% a 35%. Diante de Ronaldo Caiado (PSD), são 42% a 32%. Frente a Romeu Zema (Novo), Lula pontua 43% a 32%. E no embate com Eduardo Leite (PSD), o petista alcança 42% contra 28% do governador gaúcho.

1º turno: Lula consolida vantagem
No primeiro turno, a liderança de Lula segue inabalada. No cenário mais competitivo, que inclui Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Aldo Rebelo (DC) e Renan Santos (Missão), o presidente tem 35% das intenções, contra 29% de Flávio. Os demais candidatos pontuam entre 1% e 8%, escancarando a fragmentação da direita e a ausência de um nome capaz de unificar o campo adversário.
Os números mostram que, mesmo após três anos de mandato, com todas as dificuldades herdadas e os desafios impostos pela conjuntura internacional, Lula segue como o nome mais lembrado e preferido por parcela expressiva do eleitorado. O índice de desconhecimento dos demais pré-candidatos é altíssimo: nomes como Ratinho Júnior, Caiado e Zema são desconhecidos por mais da metade da população, o que evidencia a falta de capilaridade da oposição fora do núcleo bolsonarista radicalizado.

Atualmente, 45% dos brasileiros aprovam o trabalho do presidente Lula, enquanto 49% desaprovam. A diferença de quatro pontos estável em relação ao mês anterior e reflete muito mais o cenário conjuntural do que um julgamento definitivo sobre o mandato. Especialistas apontam que o número tende a reagir à medida que os efeitos das políticas de estabilização de preços e geração de emprego comecem a fazer efeito.
Sobre a permanência do presidente no cargo, 39% defendem que Lula merece continuar por mais quatro anos. O índice, embora minoritário no momento, supera a taxa de eleitores que declararam voto em Lula no primeiro turno (35%), indicando que há um contingente expressivo de brasileiros que reconhecem a importância de dar continuidade ao projeto em curso – mesmo que, por ora, ainda estejam indecisos ou cogitem outras alternativas.
Medo da volta de Bolsonaro ainda predomina
Um dos dados mais reveladores da pesquisa diz respeito ao sentimento do eleitorado em relação aos cenários futuros. Para 44% dos brasileiros, o que mais assusta é a volta de Jair Bolsonaro ao poder. Apenas 41% temem mais quatro anos de Lula. O percentual de quem teme a volta do ex-presidente, mesmo diante de sua atual inelegibilidade, supera o índice de quem rejeita a permanência do atual mandatário.

O dado sugere que, para parcela relevante da população, o período Bolsonaro deixou marcas profundas – e o fantasma de seu retorno ainda ronda o imaginário nacional. A polarização, nesse sentido, segue favorável a Lula: enquanto o petista representa para muitos a estabilidade democrática e a retomada de políticas sociais, a família Bolsonaro carrega o peso da rejeição acumulada nos quatro anos do governo anterior.
Indicação de Flávio divide opiniões
Sobre a decisão de Jair Bolsonaro de lançar o filho como candidato, o país está dividido. Quase metade dos eleitores (44%) considera que o ex-presidente acertou na escolha. Outros 42% acreditam que ele errou. O equilíbrio reflete o caráter ainda experimental da candidatura de Flávio, que não conseguiu, até o momento, ampliar seu eleitorado para além da base bolsonarista mais fiel.

Um indicador chama a atenção: 49% dos eleitores afirmam que não votariam no candidato indicado por Bolsonaro. Apenas 22% dizem que votariam em qualquer nome escolhido por ele. Os números revelam os limites do capital político do ex-presidente e sugerem que Flávio terá enormes dificuldades para conquistar o eleitorado moderado.
Economia: desafios e expectativas
Na área econômica, a pesquisa captura as dificuldades do momento, mas também aponta espaço para recuperação da confiança. Embora 49% avaliem que a economia piorou nos últimos 12 meses e 77% relatem alta nos preços dos alimentos, a expectativa em relação ao futuro apresenta sinais de reação.
Quando questionados sobre os próximos 12 meses, 42% dos entrevistados acreditam que a economia vai melhorar – um índice expressivo diante do atual quadro. O número reforça a percepção de que, apesar das turbulências, o eleitorado preserva certa dose de esperança e reconhece que o governo tem condições de reverter o cenário.

Sobre a direção do país, 31% avaliam que o Brasil segue no caminho certo. Embora minoritário, o índice supera a taxa de intenção de voto dos principais adversários de Lula e revela que a base de sustentação do projeto petista segue fiel e mobilizada.

