Mojtaba Khamenei, aiatolá filho de Ali Khamenei, assassinado em 28 de fevereiro pelos ataques de Estados Unidos e Israel, foi o escolhido para assumir o posto máximo da República Islâmica do Irã.
A nomeação foi oficializada pela Assembleia de Especialistas, órgão composto por 88 clérigos responsáveis por escolher e supervisionar o líder supremo. A decisão ocorreu de forma virtual por motivos de segurança, depois que um prédio em Qom, onde o grupo tradicionalmente se reúne, foi atingido durante ataques no país.
A ascensão de Mojtaba é vista como uma tentativa do regime iraniano de garantir continuidade política e estabilidade interna em um momento de forte pressão militar e diplomática.
Influência nos bastidores do poder
Durante décadas, Mojtaba Khamenei atuou longe dos holofotes da política iraniana. Apesar da discrição pública, analistas apontam que ele já exercia grande influência nos círculos de poder em Teerã.
Filho do antigo líder supremo, Mojtaba participou da coordenação de operações militares e de inteligência no gabinete de seu pai. Ele também construiu uma relação próxima com a Guarda Revolucionária Islâmica, principal força político-militar do país e um dos pilares do regime.
O apoio dessa estrutura militar foi decisivo para sua ascensão. Dentro da elite do poder iraniano, Mojtaba era considerado o candidato preferido da Guarda Revolucionária para manter o atual modelo político da República Islâmica.
Formação religiosa e perfil político
Diferentemente de seu pai quando assumiu o cargo em 1989, Mojtaba já possui o título de aiatolá, uma das posições mais altas da hierarquia religiosa xiita. Ele também é conhecido por lecionar em seminários islâmicos na cidade de Qom, um dos centros religiosos do Irã.
Politicamente, o novo líder é descrito como um “linha-dura”. Ele se opõe a reformas internas e a negociações amplas com o Ocidente, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.
Esse posicionamento indica que sua liderança tende a seguir a mesma linha ideológica adotada por Ali Khamenei nas últimas décadas, marcada por forte oposição aos Estados Unidos e a Israel.
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Críticas e suspeitas de sucessão hereditária
A escolha de Mojtaba gerou críticas dentro e fora do Irã. A principal contestação é o caráter hereditário da sucessão.
A Revolução Islâmica de 1979 derrubou a monarquia do xá prometendo eliminar a transmissão familiar do poder. Para opositores do regime, a ascensão do filho do antigo líder supremo contraria esse princípio. Para grupos reformistas, a sucessão alerta para o risco de uma maior repressão política e redução de liberdades civis.
O ministro da Defesa do Estado genocida de Israel, Israel Katz, afirmou que o novo líder iraniano é, a partir de agora, “um alvo inequívoco para eliminação”. No ocidente, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que a nomeação do filho de Ali Khamenei é “inaceitável” e que Mojtaba é “um peso morto”.
Liderança em meio à guerra
Mojtaba Khamenei assume o poder em um dos momentos mais tensos da história recente no Oriente Médio. O resultado do conflito com os Estados Unidos e Israel já soma mais de mil mortos no país, e o Irã já revidou conduzindo ataques com mísseis e drones contra bases americanas e aliados no Golfo. Ao mesmo tempo, o confronto tem provocado impactos globais, com o aumento nos preços do petróleo e temores de uma escalada militar que possa envolver novas potências.
