O Brasil registrou em 2026 um marco histórico no combate à fome, com a queda da insegurança alimentar grave para os menores níveis já registrados no país. O avanço mais significativo ocorreu nos lares chefiados por mulheres negras, que atingiram índice de 4,5%, o menor da série histórica para esse grupo, tradicionalmente um dos mais vulneráveis às desigualdades sociais. Saiba os detalhes na TVT News.
Os dados fazem parte de levantamentos baseados na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia) e foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O resultado acompanha uma tendência de queda mais ampla da fome no país: em 2024, o índice nacional de domicílios em situação de insegurança alimentar grave recuou para 3,2%, o menor patamar já registrado.
O desempenho também contribuiu para consolidar a saída do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), anunciada oficialmente em julho de 2025. Para deixar o indicador internacional, o país precisava manter a taxa de subnutrição abaixo de 2,5% da população, meta que foi alcançada na média do triênio entre 2022 e 2024.
Redução da fome por perfil social
Além do resultado entre mulheres negras, a redução da insegurança alimentar grave também foi observada em outros recortes demográficos. Entre os lares chefiados por mulheres, o índice caiu para 3,6%, enquanto domicílios liderados por pessoas negras registraram 4,1%.
A queda nesses grupos é particularmente relevante porque eles concentram historicamente maiores índices de pobreza e vulnerabilidade social. Assim, a melhora nesses indicadores sugere que as políticas públicas têm alcançado justamente os segmentos mais expostos à insegurança alimentar.
Políticas públicas e estratégia nacional
De acordo com o governo federal, os resultados são consequência de uma estratégia que recolocou o combate à fome no centro das políticas sociais. Entre as principais iniciativas está o Plano Brasil Sem Fome, que articula ações voltadas à geração de renda, produção de alimentos e ampliação do acesso à alimentação saudável.
Outro fator apontado foi a reconstrução do sistema institucional de segurança alimentar. A partir de 2023, o governo reativou o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e retomou as atividades da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), responsáveis por integrar ações de diferentes áreas da administração pública.
A estratégia também incluiu o fortalecimento da agricultura familiar, o aumento dos recursos para programas de alimentação escolar e políticas de inclusão produtiva voltadas à geração de emprego e renda.
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Expansão da rede de segurança alimentar
O alcance das políticas de combate à fome também cresceu nos municípios brasileiros. O número de cidades integradas ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) saltou de 536 em 2022 para 2.152 em 2026.
Atualmente, 51,4% dos municípios do país já possuem conselhos municipais dedicados à segurança alimentar, o que amplia a coordenação entre governo federal, estados e administrações locais na implementação das políticas públicas.
Indicador de redução das desigualdades
Para pesquisadores e gestores da área social, o resultado observado entre mulheres negras é um dos sinais mais fortes de que as políticas de combate à fome estão atingindo os grupos historicamente mais afetados pela desigualdade no Brasil.
A combinação de proteção social, fortalecimento da agricultura familiar e inclusão produtiva tem contribuído para ampliar o acesso a alimentos e reduzir vulnerabilidades. O avanço representa não apenas uma melhora estatística, mas também um indicador de progresso na redução das desigualdades estruturais de raça e gênero no país.
Com informações do Ministério do Desenvolvimento

