O Brasil alcançou nesta terça-feira (10) um marco histórico nas Paralimpíadas de Inverno: o rondoniense Cristian Ribera, de 23 anos, conquistou a medalha de prata na prova de sprint do esqui cross-country na categoria sitting (para atletas que competem sentados) durante os Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026, na Itália. Saiba os detalhes na TVT News.
A disputa ocorreu no Tesero Cross-Country Stadium, em Val di Fiemme, e foi decidida nos metros finais. Ribera liderou grande parte da prova, mas acabou ultrapassado pelo chinês Liu Zixu na reta final. O brasileiro concluiu o percurso com o tempo de 2min29s6, apenas sete décimos atrás do campeão, que venceu com 2min28s9. O bronze ficou com o cazaque Yerbol Khamitov, com 2min29s9.
A conquista é histórica: trata-se da primeira medalha do Brasil em Jogos Paralímpicos de Inverno e também do primeiro pódio de um atleta da América do Sul em todas as 15 edições do evento.
Trajetória de superação
Natural de Cerejeiras, em Rondônia, e criado em Jundiaí (SP), Cristian Ribera nasceu com artrogripose, uma condição congênita que afeta as articulações. Ao longo da vida, passou por 21 cirurgias nas pernas.
Apesar das limitações físicas, construiu uma trajetória consistente no esporte. Ribera estreou nos Jogos Paralímpicos de Inverno em PyeongChang 2018, aos 15 anos, quando terminou na sexta posição; até então o melhor resultado brasileiro na competição.
Nos últimos anos, o atleta colocou seu nome entre os principais do mundo. Ele chegou aos Jogos de 2026 como campeão mundial da modalidade e vencedor do Globo de Cristal da temporada 2024/2025 da Copa do Mundo, outro feito inédito para o país.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Melhor resultado feminino do Brasil
Além do pódio de Ribera, a delegação brasileira também registrou outro desempenho histórico. A paranaense Aline Rocha terminou em quinto lugar na prova de sprint feminino do esqui cross-country, estabelecendo o melhor resultado de uma mulher brasileira na história das Paralimpíadas de Inverno.
A atleta ficou paraplégica aos 15 anos após um acidente de carro e é uma das pioneiras do país na modalidade.
Delegação recorde e planejamento de longo prazo
O Brasil participa de Milão-Cortina 2026 com oito atletas, a maior delegação já enviada pelo país aos Jogos Paralímpicos de Inverno. Segundo o presidente da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), Anders Pettersson, o resultado é fruto de cerca de 12 anos de investimento e planejamento técnico.
O avanço paralímpico reforça um momento histórico para os esportes de neve brasileiros. Em fevereiro deste ano, o país também conquistou seu primeiro ouro olímpico de inverno, com o esquiador Lucas Pinheiro Braathen no slalom gigante do esqui alpino.
Próximas provas
A delegação brasileira ainda tem compromissos importantes até o encerramento dos Jogos, marcado para 15 de março. Entre as próximas disputas estão:
- 11 de março: provas de 10 km individual
- 14 de março: revezamento misto 4 x 2,5 km
- 15 de março: prova de 20 km

