O Brasil registrou um aumento nos casos de mpox neste início de 2026, que acendeu o alerta das autoridades sanitárias e levantou dúvidas sobre a doença. Apesar da aceleração recente nas notificações, o Ministério da Saúde afirma que o cenário ainda está sob controle e que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem capacidade para diagnosticar e acompanhar os pacientes. Entenda a doença e como se prevenir com a TVT News.
Até esta terça-feira (10), o país contabilizava 149 notificações, sendo 140 casos confirmados e nove classificados como prováveis. O número representa um crescimento significativo em relação à segunda quinzena de fevereiro, quando o total de infecções mais que dobrou em cerca de 20 dias.
Mesmo com a alta recente, os registros ainda são menores do que os observados no mesmo período de 2025. No primeiro trimestre daquele ano, foram 394 notificações, e o acumulado anual chegou a 1.079 casos e dois óbitos. Em 2026, não houve mortes registradas até agora.
Onde estão os casos no Brasil
O estado de São Paulo concentra a maior parte das infecções, com cerca de 93 casos, o equivalente a aproximadamente 66% das confirmações nacionais.
Depois de São Paulo, os estados com mais registros são:
- Rio de Janeiro: entre 18 e 19 casos;
- Minas Gerais: cerca de 11 casos;
- Rondônia: cerca de 11 casos.
Também há ocorrências em outros estados, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Paraná, Ceará, Sergipe, Pará, Amazonas e no Distrito Federal. O Amazonas, por exemplo, registrou recentemente o primeiro caso em 2026.
A média de idade dos infectados é de 31 anos, com predominância entre homens. Entre os pacientes confirmados, pelo menos 50 apresentavam coinfecção com HIV e 31 com outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
O que é a mpox
A mpox é uma doença viral causada pelo vírus mpox, pertencente ao gênero Orthopoxvirus. Trata-se de uma zoonose, uma doença que pode circular entre animais e humanos, mas atualmente a transmissão ocorre principalmente entre pessoas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) adotou o nome mpox para substituir a antiga denominação “varíola dos macacos”, com o objetivo de evitar estigmatização e ataques a animais.
Como ocorre a transmissão
O vírus pode entrar no organismo por pequenas lesões na pele, pelas vias respiratórias ou por mucosas, como olhos, nariz e boca. A transmissão acontece principalmente por contato próximo e direto.
As formas mais comuns de contágio incluem:
- Contato físico direto, como abraços, beijos e relações sexuais;
- Contato com lesões na pele ou fluidos corporais de pessoas infectadas;
- Gotículas respiratórias, em interações próximas e prolongadas;
- Compartilhamento de objetos contaminados, como toalhas, roupas de cama ou utensílios;
- Transmissão da gestante para o feto durante a gravidez ou parto.
Especialistas apontam que o contato íntimo foi um dos principais motores do surto global registrado em 2022.
Quais são os sintomas
A mpox costuma se desenvolver em duas fases principais.
Na fase inicial, chamada de pródromo, os sintomas mais comuns são:
- febre;
- dor de cabeça intensa;
- dores musculares e nas costas;
- cansaço extremo;
- inchaço dos linfonodos (ínguas).
Depois surge a fase eruptiva, marcada pelo aparecimento de lesões na pele. As feridas podem evoluir para bolhas e crostas e aparecem com frequência no rosto, nas mãos, nos pés e nas regiões genitais.
Em geral, a doença dura entre duas e quatro semanas e muitos casos evoluem de forma leve. No entanto, complicações podem ocorrer, especialmente em crianças, gestantes e pessoas imunocomprometidas.
Entre os possíveis agravamentos estão pneumonia, infecções bacterianas secundárias, problemas oculares e inflamações neurológicas.
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Existe vacina ou tratamento?
O Brasil não adota vacinação em massa contra a mpox. A imunização é direcionada a grupos considerados de maior risco.
Entre eles estão:
- pessoas que vivem com HIV com contagem baixa de células CD4;
- profissionais de laboratório que manipulam o vírus;
- pessoas que tiveram contato de alto risco com pacientes infectados (vacinação pós-exposição).
Não há um medicamento específico para curar a doença, embora o antiviral tecovirimat possa ser utilizado em casos graves. Na maioria das situações, o tratamento envolve controle dos sintomas, cuidados com as lesões e isolamento do paciente até a cicatrização completa da pele.
Novas variantes em monitoramento
Especialistas também acompanham o surgimento de novas linhagens do vírus. Entre elas está o clado 1b, identificado inicialmente na República Democrática do Congo e considerado potencialmente mais transmissível.
Uma variante híbrida detectada no Reino Unido, que combina características de diferentes clados do vírus, também está sendo monitorada pelas autoridades de saúde.
O que fazer para se proteger
As principais medidas de prevenção incluem:
- lavar as mãos com frequência com água e sabão ou álcool em gel;
- evitar contato direto com pessoas que apresentem lesões suspeitas;
- não compartilhar objetos pessoais, como toalhas e roupas de cama;
- procurar atendimento médico em caso de sintomas.
Segundo o Ministério da Saúde, o momento é de vigilância e prevenção, não de crise sanitária. A identificação rápida dos sintomas e o isolamento dos casos suspeitos continuam sendo as principais estratégias para interromper a cadeia de transmissão da doença no país.

