O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou uma ampla reforma ministerial que deve levar à substituição de ao menos 18 ministros do governo federal. A mudança ocorre em função da desincompatibilização exigida pela legislação eleitoral para as eleições de 2026 e marca a entrada do governo em uma nova fase, com foco explícito na disputa política.
Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula fez um diagnóstico crítico do cenário político e cobrou engajamento dos auxiliares que deixarão seus cargos para disputar eleições. O presidente afirmou que a política brasileira “piorou muito” e que os ministros-candidatos terão responsabilidade direta na defesa do governo durante a campanha.
“Quem for candidato precisa assumir o compromisso de defender o que este governo fez”, disse Lula, ao reforçar que a atuação política será determinante no próximo ciclo eleitoral.
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Ministros que deixam o governo e cargos em disputa
A reforma atinge nomes centrais do governo, distribuídos entre diferentes partidos da base aliada. A lista consolidada indica os seguintes movimentos:
- Rui Costa (Casa Civil) – disputa o Senado pela Bahia
- Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) – disputa o Senado pelo Paraná
- Fernando Haddad (Fazenda) – disputa o governo de São Paulo
- Camilo Santana (Educação) – deve ser candidato (com foco político no Ceará, ainda sem cargo formalizado)
- Renan Filho (Transportes) – disputa o governo de Alagoas
- André Fufuca (Esporte) – disputa o Senado pelo Maranhão
- Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) – disputa vaga de deputado federal por Pernambuco
- Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) – disputa o Senado pelo Amapá
- Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) – disputa o Senado por São Paulo
- Marina Silva (Meio Ambiente) – disputa o Senado por São Paulo
- Jader Filho (Cidades) – disputa vaga de deputado federal pelo Pará
- Carlos Fávaro (Agricultura) – disputa o Senado por Mato Grosso
- Anielle Franco (Igualdade Racial) – disputa vaga de deputada federal pelo Rio de Janeiro
- Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) – disputa vaga de deputado federal por São Paulo
- Márcio França (Empreendedorismo) – deve disputar deputado federal ou Senado por São Paulo
- Alexandre Silveira (Minas e Energia) – avalia candidatura ao Senado ou Câmara por Minas Gerais
- Macaé Evaristo (Direitos Humanos) – disputa vaga de deputada estadual em Minas Gerais
- Sonia Guajajara (Povos Indígenas) – disputa vaga de deputada federal por São Paulo
- Wolney Queiroz (Previdência Social) – permanece no cargo, apesar de ser citado como possível candidato
- Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) – deixa o ministério para se dedicar à campanha como vice na chapa de Lula
Substituições já encaminhadas
Parte das substituições já está definida, com predominância de secretários-executivos assumindo os ministérios, o que indica uma estratégia de continuidade administrativa:
- Casa Civil: saída de Rui Costa; assume Miriam Belchior
- Fazenda: saída de Fernando Haddad; assume Dario Durigan
- Agricultura: saída de Carlos Fávaro; assume André de Paula (ex-Pesca)
- Desenvolvimento Agrário: saída de Paulo Teixeira; assume Fernanda Machiaveli
- Educação: saída de Camilo Santana; assume Leonardo Barchini
- Transportes: saída de Renan Filho; assume George Santoro
- Portos e Aeroportos: saída de Silvio Costa Filho; deve assumir Tomé França
- Povos Indígenas: saída de Sonia Guajajara; assume Eloy Terena
- Meio Ambiente: saída de Marina Silva; cotado João Paulo Capobianco
- Desenvolvimento, Indústria e Comércio: saída de Geraldo Alckmin; cotado Márcio Elias Rosa
Outras pastas ainda não tiveram substitutos oficialmente confirmados, como Cidades, Esporte, Planejamento, Igualdade Racial e Relações Institucionais.
Permanências estratégicas
Alguns ministros permanecem em seus cargos, seja por não disputarem eleições ou por decisão política do governo. Entre eles estão:
- Mauro Vieira (Relações Exteriores)
- Alexandre Padilha (Saúde)
- Sidônio Palmeira (Secom)
- Guilherme Boulos (Secretaria-Geral)
- Jorge Messias (AGU), que pode deixar o cargo futuramente caso seja aprovado para o STF
Governo entra em nova fase

A reforma ministerial representa uma inflexão no governo Lula, que passa a operar sob lógica eleitoral. Ao cobrar atuação política dos ministros que deixarão seus cargos, o presidente sinaliza que pretende transformar seus ex-auxiliares em protagonistas da campanha nos estados.
A substituição em massa, ao mesmo tempo, busca preservar a continuidade administrativa e evitar rupturas em áreas estratégicas. Com isso, Lula tenta equilibrar gestão e disputa política em um cenário que ele próprio avalia como mais adverso — e que exigirá maior mobilização de sua base aliada em 2026.
