A Polícia Militar afastou neste sábado de Páscoa (4) a policial Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, envolvida com morte de uma mulher na madrugada desta sexta-feira (3) na Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo. Leia em TVT News.
Entenda o caso
Na madrugada de sexta, um casal andava pela Cidade Tiradentes quando uma viatura em alta velocidade passou. Segundo relatos, a viatura teria batido com o retrovisor no braço do marido da vítima, Luciano. Nesse momento, sua mulher, Thawanna, teria questionado os policiais sobre a atitude, o que iniciou uma discussão que terminou no disparo fatal da policial.
As polícias, tanto Civil como Militar, investigam a morte de Thawanna. Os depoimentos da policial e do marido, no entanto, apresentam versões contraditórias.
“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação”, SSP-SP, em nota.
A vítima chegou a ser socorrida no Hospital Tiradentes, mas não resistiu. O enterro de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi neste sábado (4) de manhã, na ZL.
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Duas versões
O que dizem os policiais?
Nas duas versões, começo é o mesmo: o casal andava pela rua quando o carro da polícia passou.
O que sucede é que muda. Na versão dos policiais, Luciano perdeu o equilíbrio e por isso bateu o braço no retrovisor. Esse foi o motivo da confusão.
Já a policial que atirou em Thawanna disse também que o casal apresentava sinais de embriaguez.
No seu relato, o homem se aproximava muito de um dos policiais. Além disso, diz ter sidoagredida pela mulher com tapas no braço e no rosto, por isso, de acordo com ela, foi necessário usar força para garantir a segurança dos policiais.
O que diz Luciano e moradores?
Que não foi bem assim.
“Simplesmente eles passaram em perseguição. A policial falou: ‘sai da frente vagabunda’. Minha mulher falou: vagabunda é você. Eles pegaram, deram ré e aí começou a confusão”, disse Luciano.
“Ela chegou já oprimindo, já oprimindo minha mulher, deu um chute. Saí pra cima pra tentar socorrer minha mulher. E escutei só o disparo”, complementou.
Um vídeo mostra Thawanna no chão, cercada por policiais, cena que também foi testemunhada por moradores.
“A moça tá agonizando ali, cara, ó”, diz um morador.
No vídeo divulgado no Jornal Nacional, a vítima consegue levantar, quando um dos policiais aponta a arma para ela.
Outro vídeo mostra os agentes impedindo Luciano de se aproximar.
“Fica aí, tio”, diz o policial. “Por que eu ficar aqui? Balearam minha mulher, mano…”, comenta Luciano.
Câmeras corporais de policias ainda estão sendo analisadas e devem ajudar a concluir a investigação.

Protestos de moradores pedem fim de violência policial
A morte de Thawanna desencadeou uma série de protestos de moradores do bairro em razão da violência da Polícia Militar.
Durante o protesto desta sexta-feira (3), moradores montaram barricadas com pneus em chamas, enquanto policiais usaram armas de efeito moral.
Em 2024, o movimento negro denunciou Tarcísio na OEA pelo aumento da violência policial
Em São Paulo (SP), movimentos negros, grupos de familiares e mães das vítimas da violência policial e organizações da sociedade civil protocolaram em dezembro de 2024, junto à Organização dos Estados Americanos (OEA), um documento denunciando e responsabilizando o governador Tarcísio Freitas, e o secretário da segurança pública, Guilherme Derrite, pelo recrudescimento da violência policial no estado.
O documento pedia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) o acompanhamento dos casos e recomendações oficiais ao estado brasileiro para agir pela diminuição da violência policial em todo país.

