Neste 7 de abril, Dia do Jornalista, a TVT News faz homenagem ao imenso legado de Perseu Abramo, um dos maiores intelectuais e profissionais do jornalismo brasileiro.
7 de abril, Dia do Jornalista: homenagem a Perseu Abramo, um trabalhador da notícia
O Dia do Jornalista, comemorado em 7 de abril, é momento de reconhecer o papel social de quem produz informação e ajuda a construir consciência crítica na sociedade.
Em meio ao ambiente de desinformação que foi mulplicado pela Internet e pelas redes sociais, é importante lembrar que o jornalismo tem o compromisso com a justiça social e com os direitos humanos.
Entre os nomes que ajudaram a pensar e praticar esse jornalismo comprometido está Perseu Abramo, intelectual, militante e profissional que enxergava o jornalista como parte da classe trabalhadora. A trajetória de Perseu Abramo, suas ideias e seus escritos seguem atuais em um cenário em que a informação e a atenção do público são disputadas por interesses econômicos.
Neste Dia do Jornalista, a homenagem se volta a esse trabalhador da notícia que fez do jornalismo um instrumento de transformação social.
Jornalista Perseu Abramo, um trabalhador da Notícia
Perseu Abramo defendia uma visão de jornalismo que ultrapassa a ideia de neutralidade. Para ele, o jornalista não é um agente isolado, mas um trabalhador inserido nas relações sociais e econômicas. Essa perspectiva aparece com força em seus textos reunidos na obra Um Trabalhador da Notícia, onde analisa o papel da imprensa dentro do capitalismo.
Segundo sua reflexão, os veículos de comunicação não são apenas espaços de informação, mas também estruturas que refletem interesses econômicos. Como ele aponta, os jornais passam a defender interesses de proprietários, anunciantes e grupos dominantes .
Nesse contexto, o jornalista vive uma contradição: ao mesmo tempo em que é trabalhador assalariado, pode atuar como difusor de ideologias que não correspondem aos interesses da sua própria classe.
Essa leitura crítica coloca Perseu Abramo como um dos principais pensadores brasileiros da comunicação. Seu trabalho dialoga com a realidade das redações, com as condições de trabalho e com o papel social da imprensa.

Quem foi Perseu Abramo
Nascido em 1929, em São Paulo, Perseu Abramo teve uma trajetória marcada pela atuação no jornalismo, na política e na academia. Desde cedo, esteve ligado à imprensa, iniciando sua carreira ainda na década de 1940, quando passou por diferentes funções em jornais paulistas .
Ao longo dos anos, trabalhou como repórter, cronista e colaborador em diversos veículos, incluindo publicações ligadas a movimentos políticos e sociais. Durante a ditadura militar, manteve uma atuação crítica, escrevendo sobre o cotidiano da população e denunciando desigualdades, mesmo em um ambiente de censura .
Nos anos 1970, atuou na Folha de S. Paulo, de onde foi demitido em 1979 após participar da greve dos jornalistas, evidenciando seu compromisso com a organização da categoria . Sua atuação sindical e política também incluiu participação em movimentos estudantis e no Partido dos Trabalhadores, sendo um dos nomes ligados à construção do partido.

Além disso, ocupou o cargo de secretário de Comunicação na gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo, reforçando sua presença na vida pública .
Perseu Abramo faleceu em 1996, deixando um legado que atravessa o jornalismo, a política e a reflexão crítica sobre a mídia.
Conheça o livro Um Trabalhador da Notícia, textos de Perseu Abramo
O livro “Um trabalhador da notícia: textos de Perseu Abramo”, que contou com a organização cuidadosa e o olhar atento de sua filha, a jornalista Bia Abramo, representa hoje um valioso documento histórico e uma bibliografia indispensável para os estudos contemporâneos de comunicação no Brasil.
A obra Um Trabalhador da Notícia reúne textos fundamentais para compreender o pensamento de Perseu Abramo sobre jornalismo e sociedade. Organizado após sua morte, o livro apresenta reflexões que continuam relevantes para jornalistas e pesquisadores.
Um dos pontos centrais da obra é a análise do jornalista como trabalhador assalariado. Abramo destaca que, embora muitos profissionais se vejam como intelectuais independentes, estão inseridos nas mesmas relações de trabalho que outros setores da classe trabalhadora . Essa constatação rompe com a ideia de uma profissão desvinculada das estruturas econômicas.
Outro eixo importante é a crítica ao papel da imprensa como instrumento ideológico. Para o autor, os meios de comunicação operam dentro de um sistema que prioriza interesses econômicos, influenciando a seleção e o tratamento das notícias .
O livro também aborda a necessidade de organização dos jornalistas enquanto categoria. Abramo propõe caminhos como o fortalecimento sindical, a busca por coerência ideológica e a criação de alternativas de comunicação fora dos grandes conglomerados .
Entre as ideias mais marcantes presentes na obra, destacam-se:
- A defesa do jornalista como trabalhador;
- A crítica à falsa neutralidade da imprensa;
- A necessidade de consciência de classe na profissão;
- A valorização de uma comunicação voltada ao interesse público.
Esses elementos fazem da obra uma referência para quem busca compreender o jornalismo além da prática cotidiana, inserindo-o nas disputas sociais mais amplas.
O que é a Fundação Perseu Abramo
A Fundação Perseu Abramo é uma instituição dedicada à produção de conhecimento, à formação política e à difusão de ideias voltadas para a democracia e a justiça social. Criada após a morte do jornalista, a fundação leva adiante seu legado intelectual e político.
A entidade atua em diversas frentes, incluindo pesquisas, publicações e cursos, com foco em temas como comunicação, política, economia e direitos sociais. Também desempenha papel importante na preservação da memória de Perseu Abramo e na divulgação de suas obras.
Além disso, a fundação se consolidou como um espaço de reflexão sobre o Brasil contemporâneo, contribuindo para o debate público e para a formação de novas gerações comprometidas com a transformação social.
Por que 7 de abril é dia do Jornalista
O Dia do Jornalista, celebrado em 7 de abril, tem origem na história da imprensa brasileira e nas lutas pela liberdade de expressão.
A escolha do 7 de abril está ligada à memória de um jornalista que teve papel importante na luta pela liberdade de imprensa no Brasil: Líbero Badaró. Assassinado em 1830 por suas posições políticas, ele se tornou símbolo da defesa da democracia e da liberdade de expressão.
A data foi oficializada posteriormente como uma forma de homenagear os profissionais da imprensa e reafirmar a importância do jornalismo para a sociedade.
Líbero Badaró transformou as oficinas do periódico “O Observador Constitucional” num canal de denúncia dos abusos imperiais de D. Pedro I, exigindo respeito às liberdades fundamentais.
Libero Badaró foi perseguido pela elite até ser assassinado em 22 de novembro de 1830. A violenta crise política fomentada pela morte de Badaró atuou como o estopim de grandes mobilizações que forçaram, diretamente, a renúncia de D. Pedro I ao trono, consolidada oficialmente em um outro dia histórico: 7 de abril de 1831.
Tempos mais tarde, novamente e propositalmente num 7 de abril, dessa vez em 1908, consolidava-se a fundação jurídica da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em homenagem aos eventos desencadeados pelas lutas de Libero Badaró.
O legado do trabalhador da notícia
Ao revisitar a trajetória de Perseu Abramo neste Dia do Jornalista, fica evidente que suas reflexões continuam atuais. Em um cenário de disputas informacionais e desafios estruturais, pensar o jornalismo como trabalho e como instrumento social é uma tarefa permanente.

Seu legado reforça a necessidade de um jornalismo comprometido com os direitos humanos e com as vozes historicamente excluídas. Um jornalismo que reconheça suas contradições, mas que também busque caminhos para superá-las.

