As eleições presidenciais do Peru caminham para o segundo turno, e resultados preliminares indicam a liderança da candidata Keiko Fujimori, do partido Força Popular, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990–2000). Mais informações em TVT News.
A disputa no segundo turno deve ocorrer entre candidatos do campo da direita e da extrema-direita. Fujimori aparece à frente, com 17,1% dos votos válidos, seguida pelo ultradireitista Rafael López Aliaga, do Renovação Popular, com 16,4%, e pelo centrista Jorge Nieto, que soma 13,8% e é apontado como aliado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com um total inédito de 35 candidatos na disputa, o processo eleitoral peruano tem sido alvo de críticas, especialmente por problemas logísticos que levaram à extensão da votação até esta segunda-feira (13) em ao menos 13 colégios eleitorais. Com cerca de 40% dos votos apurados, Fujimori mantém a liderança e se consolida como favorita entre os eleitores. Esta é a quarta vez que a candidata chega ao segundo turno, após derrotas nas três tentativas anteriores.
A campanha de Keiko Fujimori tem sido marcada pela defesa do legado de seu pai, Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão por crimes contra a humanidade — incluindo homicídio, lesões graves e sequestro — após uma tentativa de autogolpe no país. A estratégia busca reabilitar a imagem da família e fortalecer sua posição como força política relevante no cenário nacional.
Seu principal adversário, López Aliaga, tenta se apresentar como uma alternativa ao fujimorismo, adotando uma agenda ultraliberal. Empresário do setor de trens de luxo e hotelaria e ex-prefeito da capital Lima, ele já declarou admiração por Donald Trump e utiliza essa associação como elemento de sua campanha para ampliar apoio eleitoral.

O contexto eleitoral reflete um histórico recente de instabilidade política no Peru. Entre 2016 e 2026, o país teve nove presidentes, em meio a processos de impeachment, renúncias, tentativas de autogolpe e sucessivas denúncias de corrupção, o que contribuiu para o descrédito institucional e a fragmentação política.
Eleições no Pru foram marcadas por problemas na organização
A jornada eleitoral deste domingo foi marcada por falhas operacionais. As urnas abriram às 7h, mas enfrentaram atrasos e dificuldades logísticas em diversas regiões. Segundo Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), cerca de 63 mil eleitores ficaram impedidos de votar, inclusive na capital Lima.
A imprensa local também relatou problemas como atraso na instalação das mesas de votação, ausência de mesários e falhas na distribuição de cédulas, o que agravou o cenário de desorganização.
Com isso, o processo eleitoral segue excepcionalmente nesta segunda-feira (13). Ainda assim, com 40% das urnas apuradas, Keiko Fujimori permanece na liderança. Nenhum dos candidatos, contudo, atingiu os 50% dos votos necessários para vencer no primeiro turno, o que confirma a realização do segundo turno.
Além da escolha para presidente e vice-presidente, os eleitores peruanos também votam para renovar o Legislativo, elegendo deputados e senadores. A tendência é que o próximo governo enfrente um Congresso fragmentado, o que pode dificultar a governabilidade e até ameaçar a permanência do futuro presidente no cargo, considerando os amplos poderes do Parlamento — fator que esteve no centro das crises políticas recentes do país.

