CCJ pauta fim da escala 6×1 no dia da Marcha da Classe Trabalhadora

Mobilização em Brasília pressiona por votação rápida e terá cobertura ao vivo da TVT
ccj-pauta-fim-da-escala-6x1-no-dia-da-marcha-da-classe-trabalhadoras-tvt-news
Centrais sindicais, movimentos populares e integrantes do Governo Lula têm intensificado as articulações para que o presidente da Câmara, Hugo Motta, apresse a votação pelo fim da escala 6x1. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados deve analisar, nesta quarta-feira (15), a admissibilidade da proposta que prevê o fim da escala 6×1 — regime em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um de descanso. A votação ocorre no mesmo dia em que milhares de trabalhadores de todo o país se reúnem em Brasília para a Marcha da Classe Trabalhadora, em um movimento que amplia a pressão política sobre o Congresso para acelerar a tramitação da medida. Saiba mais na TVT News.

A coincidência entre a pauta legislativa e a mobilização social não é casual. Centrais sindicais, movimentos populares e integrantes do governo federal têm intensificado as articulações para que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dê celeridade ao tema, considerado prioritário por amplos setores ligados ao mundo do trabalho. A avaliação é que há uma janela política favorável, especialmente em um contexto de forte apelo popular e proximidade do calendário eleitoral.

ccj-pauta-fim-da-escala-6x1-no-dia-da-marcha-da-classe-trabalhadoras-tvt-news
“A admissibilidade será votada nesta semana. Imediatamente criaremos a comissão especial”, afirmou Hugo Motta. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

A proposta em discussão que prevê o fim da escala 6×1 reúne iniciativas apresentadas pelos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), e estabelece mudanças estruturais na jornada de trabalho no Brasil. Enquanto a Constituição atualmente permite até 44 horas semanais, o texto da PEC em debate aponta para uma redução mais significativa, podendo chegar a 36 horas semanais, com três dias de descanso. Já o governo federal defende uma alternativa intermediária, com jornada de 40 horas e dois dias de folga, sem redução salarial.

Independentemente do modelo final, a convergência em torno do fim da escala 6×1 tem mobilizado diferentes atores políticos e sociais. Integrantes do Palácio do Planalto chegaram a cogitar o envio de um projeto de lei com urgência constitucional, o que obrigaria o Congresso a analisar o tema em até 45 dias em cada Casa. No entanto, diante da sinalização de Hugo Motta de priorizar a tramitação via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), o governo passou a negociar um entendimento para não fragmentar o debate.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp

O próprio presidente da Câmara indicou disposição para avançar rapidamente na proposta que prevê o fim da escala 6×1 . “A admissibilidade será votada na próxima semana na CCJ. Imediatamente criaremos a comissão especial para trabalharmos a votação em plenário até o fim do mês de maio”, afirmou. A declaração é interpretada como um aceno à pressão crescente vinda tanto do Executivo quanto das ruas.

Pressão pelo fim da escala 6×1

Essa pressão ganha corpo com a realização da Marcha da Classe Trabalhadora, que deve reunir cerca de 10 mil pessoas em Brasília. Organizada por centrais como CUT, Força Sindical, UGT, CTB, entre outras, a mobilização tem como principais bandeiras justamente a redução da jornada sem corte de salários e o fim da escala 6×1. A atividade começa com uma plenária nacional e segue em caminhada até a Esplanada dos Ministérios, onde será entregue um documento com 68 reivindicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e aos chefes do Legislativo.

Para lideranças sindicais, a pauta representa uma atualização histórica das lutas da classe trabalhadora, conectando melhores condições de trabalho à qualidade de vida e à saúde física e mental. Também há o argumento de que jornadas mais equilibradas podem resultar em ganhos de produtividade e redução de afastamentos, além de estimular a geração de empregos ao redistribuir o tempo de trabalho.

Separe todas palavras da frase abaixo com um hífen (-), coloque tudo em minúsculo e sem acento, transforme os dois pontos (:) em hífen (-) e também transforme os espaçadores ( | ) em hífen (-): CCJ pauta fim da escala 6×1 no dia da Marcha da Classe Trabalhadoras | TVT News Ao final, dê apenas a frase sem acentos e separada com hífen, sem comentários. eu preciso copiar e colar o atributo alt, por isso, só preciso da frase com os hifens
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) no Senado e bancada de parlamentares que pedem o fim da escala 6×1, deputada Erika Hilton (PSOL-SP); senador Rogerio Carvalho (PT-SE) e senador Paulo Paim (PT-RS). Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Do outro lado, representantes do setor produtivo manifestam preocupação com possíveis impactos econômicos com o fim da escala 6×1, como aumento de custos e efeitos sobre a competitividade. No entanto, parlamentares ouvidos reservadamente reconhecem a dificuldade política de se posicionar contra uma proposta com forte respaldo popular. A avaliação corrente no Congresso é que o debate tende a ser menos técnico e mais influenciado pela pressão social e pelo ambiente político.

Nesse cenário, a Marcha da Classe Trabalhadora funciona como elemento catalisador. Ao concentrar esforços das centrais sindicais em Brasília — inclusive substituindo, neste ano, o tradicional ato unificado de 1º de Maio em São Paulo —, o movimento busca dar visibilidade nacional à pauta e influenciar diretamente o ritmo das decisões no Legislativo.

fim-da-escala-6x1-marcha-dos-trabalhadores

A TVT fará a cobertura ao vivo da mobilização ao longo do dia, acompanhando tanto os atos nas ruas quanto os desdobramentos no Congresso Nacional. A expectativa é que a combinação entre pressão popular e articulação institucional acelere o andamento da proposta, colocando o fim da escala 6×1 no centro do debate político nas próximas semanas.

Com a admissibilidade sendo analisada na CCJ, o próximo passo será a criação de uma comissão especial para discutir o mérito da proposta. Caso avance, o texto ainda precisará ser aprovado em dois turnos no plenário da Câmara e, posteriormente, no Senado. Até lá, o tema promete seguir mobilizando trabalhadores, parlamentares e o governo em uma das discussões mais relevantes sobre direitos trabalhistas dos últimos anos.

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.

A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.

A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2. 

Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1

O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo. Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

fim-da-escala-6x1-pec-escala-6x1-tvt-news
Protesto pelo fim da escala 6×1. Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil e Tomaz Silva/Agência Brasil

Assuntos Relacionados