:O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que uma eventual candidatura à Presidência da República não está condicionada a uma decisão individual, mas ao contexto político e às circunstâncias eleitorais que se apresentarem no país. Em entrevista concedida à TV 247, em parceria com a Revista Fórum e o DCM, nesta terça-feira (14), Lula reforçou que sua atuação política está diretamente vinculada à defesa da democracia e ao compromisso de impedir o retorno de forças que classificou como fascistas ao poder. Saiba mais na TVT News.
“Não se trata de querer um quarto mandato. As circunstâncias políticas e o momento eleitoral que você vive decidem”, declarou o presidente, ao ser questionado sobre a possibilidade de disputar novamente o Palácio do Planalto. Segundo ele, qualquer decisão nesse sentido será tomada a partir de uma leitura do cenário nacional e da necessidade de preservar conquistas democráticas.
Lula associou essa eventual candidatura a um compromisso que definiu como “moral, ético e cristão”, destacando sua trajetória política e o legado de seus governos. “Temos um legado neste país e eu tenho muito orgulho do que fizemos; é um compromisso moral, ético — e eu diria, até, cristão — não permitir que os fascistas voltem a governar este país”, afirmou.
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Ao longo da entrevista, o presidente fez um resgate histórico da redemocratização brasileira, ressaltando os custos políticos e humanos envolvidos na superação da ditadura militar. “Democracia, para quem lutou para defendê-la, para derrubar o regime militar, custou muito caro a muita gente”, disse, ao enfatizar que a manutenção do regime democrático exige vigilância constante.
Nesse contexto, Lula percorreu diferentes momentos da história política recente do Brasil, citando a eleição de Tancredo Neves como um marco de transição, além dos governos que se seguiram. Ele mencionou a passagem por Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Itamar Franco, além de sua própria chegada à Presidência e a eleição da ex-presidente Dilma Rousseff.
O presidente voltou a classificar o impeachment de Dilma como um golpe de Estado, inserindo o episódio em uma sequência de rupturas institucionais. “Depois de uma experiência bem-sucedida, teve um golpe de Estado e o país caiu na mão de um fascista”, afirmou, sem citar diretamente nomes, mas reiterando críticas a períodos recentes da política nacional.
Segundo Lula, a trajetória democrática brasileira ainda é curta e marcada por instabilidades. Ele destacou que, apesar de avanços institucionais, o país ainda convive com riscos recorrentes de retrocesso. “A gente teve aprendizados importantes, mas também muitas quedas. Não temos o direito de permitir que isso aconteça novamente”, disse.
Lula diz estar “muito bem” e “motivado”
O presidente também abordou sua condição pessoal e política, afastando dúvidas sobre sua capacidade de continuar na vida pública. “Me sinto fisicamente muito bem, politicamente muito bem. Estou com a saúde muito bem preparada e motivado, porque tem muita coisa para fazer pelo Brasil”, declarou.
Ele ressaltou que sua eventual candidatura não seria movida por ambição pessoal, mas por um senso de responsabilidade coletiva. “A razão da minha candidatura é essa. Tenho um compromisso com o país e com o povo brasileiro”, afirmou, reforçando que sua trajetória sempre esteve vinculada à defesa de direitos sociais e da democracia.
Na entrevista, Lula também tratou das tensões entre seu governo e o mercado financeiro, apontando divergências estruturais. Segundo ele, há um conflito permanente entre políticas voltadas à inclusão social e os interesses de setores do mercado. “O mercado sempre vai querer outro candidato. O mercado não quer políticas de inclusão social. Ele quer política para pagar a taxa de juros deles. E eu quero fazer política de inclusão social”, disse.
O presidente afirmou que sua atuação política é guiada pela realidade vivida pela população, e não por pressões econômicas. “Eu converso com as pessoas para saber como está a vida delas, como está o salário, como elas gastam o dinheiro. É isso que orienta a política que eu faço”, declarou.
Ele também mencionou o impacto do endividamento das famílias e o crescimento de novos padrões de consumo, como gastos com serviços digitais e apostas online, apontando a necessidade de políticas públicas para enfrentar esses desafios.
Ao final, Lula reiterou que sua possível candidatura será definida pelo contexto político, mas deixou claro que vê a disputa eleitoral como parte de um embate maior sobre os rumos do país. Para ele, a defesa da democracia, a ampliação de direitos sociais e o combate a projetos autoritários continuam sendo os eixos centrais de sua atuação política.
