O ator e diretor brasileiro Wagner Moura foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista TIME. O reconhecimento veio após uma temporada de premiações do cinema. Saiba os detalhes na TVT News.
Aos 49 anos, Moura conquistou de forma inédito para o Brasil ao se tornar o primeiro ator do país indicado ao Oscar de Melhor Ator, graças à sua atuação em O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho. Pelo mesmo papel, o ator venceu o prêmio de Melhor Ator de Drama no Globo de Ouro e no Festival de Cannes.
O longa, ambientado na ditadura militar brasileira, ganhou repercussão internacional ao abordar temas como autoritarismo e controle estatal, questões que dialogam com o cenário político contemporâneo. A performance de Moura foi apontada por críticos como um divisor de águas em sua carreira fora do Brasil, já marcada por sucessos como Narcos e Guerra Civil.
Arte, política e formação intelectual

Formado em jornalismo, Moura construiu uma carreira que articula arte e reflexão política. Durante entrevista dada à Time, o ator afirmou que sua base acadêmica foi essencial para desenvolver a empatia como ferramenta central de atuação, buscando compreender e representar diferentes realidades sociais.
Além do trabalho artístico, ele se destaca por posicionamentos firmes sobre temas como desinformação e polarização política. Para Moura, a arte tem papel fundamental na reconstrução de narrativas baseadas em fatos, em um contexto que ele define como de “crise da verdade”.
“Isso me moldou muito como artista, como pessoa, como cidadão. E existe a ideia de criar empatia: quanto mais você sabe sobre as outras coisas, mais empatia você tem. É só isso. E é disso que se trata a atuação”, disse Wagner.
Esse engajamento também esteve presente em sua estreia como diretor com Marighella, produção que enfrentou dificuldades de lançamento no Brasil e se tornou símbolo de resistência cultural.
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Projetos internacionais e expansão de carreira
Depois do sucesso internacional de O Agente Secreto, Wagner será o diretor da adaptação para o cinema de Last Night at the Lobster, do autor Stewart O’Nan. Além da direção, ele levará sua peça Um Julgamento: depois do Inimigo do Povo para a Europa em breve.
Estilo pessoal e identidade
Apesar do sucesso em Hollywood, Moura mantém uma postura discreta e avessa à cultura digital. Conhecido por não utilizar redes sociais, ele cultiva hábitos considerados “analógicos”, como ouvir música em vinil e dirigir o clássico carro Fusca 1959.
Com residência entre o Brasil e os Estados Unidos, o artista preserva forte vínculo com suas origens e utiliza sua visibilidade internacional para defender valores como democracia, liberdade de expressão e integridade da informação.
“O que me assusta é que a verdade como a conhecemos acabou”, diz ele. “Os fatos não importam mais. Quando falamos de polarização, falamos da criação de universos paralelos, narrativas paralelas. Não vivemos mais no mesmo espaço mental que as outras pessoas […] Mas brigávamos pelo mesmo fato, ambos víamos a mesma coisa e discordávamos sobre como lidar com esse fato. Agora são versões diferentes. Não são fatos. São versões da realidade”, declarou Wagner.
