Os preços internacionais do petróleo voltaram a subir com força diante da deterioração das negociações entre Estados Unidos e Irã, incitando temores de uma crise de abastecimento global. A escalada ocorre às vésperas do fim do cessar-fogo temporário entre os dois países e em meio à paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Entenda na TVT News.
Na segunda-feira (20), o barril do tipo Brent avançou 5,64%, fechando a US$ 95,48, enquanto o WTI, referência dos EUA, subiu 6,87%, a US$ 89,61. A alta reverte parte da queda de 9% registrada dias antes, quando havia expectativa de manutenção da trégua e normalização do fluxo marítimo.
Cessar-fogo ameaçado pressiona mercados
O acordo de cessar-fogo de duas semanas, deve expirar na noite de quarta-feira (22), sem sinais concretos de renovação. Trump já classificou a extensão como “altamente improvável” e reiterou que o bloqueio aos portos iranianos será mantido.
Do lado iraniano, autoridades rejeitam negociar sob pressão. O Parlamento do país afirma que não aceitará condições impostas e acusa Washington de minar a trégua com ações militares e econômicas contínuas.
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Estreito de Ormuz opera quase paralisado
O ponto mais crítico da crise está no Estreito de Ormuz, que enfrenta um cenário descrito como “bloqueio duplo”. Dados recentes indicam que apenas três embarcações cruzaram a região em um intervalo de 12 horas, um volume drasticamente inferior ao normal.
A tensão se agravou após forças norte-americanas apreenderem um navio iraniano sob suspeita de transportar materiais de uso dual (civil e militar). Teerã reagiu classificando a ação como “pirataria armada” e ameaçou retaliação, inclusive com o uso estratégico do estreito como instrumento de pressão.
Volatilidade deve continuar
Especialistas apontam que o movimento recente dos preços reflete mais o risco geopolítico do que fundamentos tradicionais de oferta e demanda. A tendência de alta pode persistir caso o cessar-fogo não seja renovado e haja intensificação do conflito.
Por outro lado, mesmo um eventual acordo diplomático de última hora não garantiria alívio imediato nos preços. A normalização do fluxo de petróleo levaria tempo, mantendo o mercado sob pressão no curto e médio prazo.

