Documentário sobre Zico, que estreia 30 de abril nos cinemas, deve inspirar jogadores

"Zico, o Samurai de Quintino" de João Wainer revela imagens inéditas do acervo pessoal do camisa 10 em uma narrativa sensível
Zico durante pré-estreia em São Paulo – Foto: Lucas Ramos

“Zico, o Samurai de Quintino”, mais do que documentar a trajetória do atacante do Flamengo, nos lembra a antiga ideia de Cícero de uma “história exemplar”, em que o sentido da história estaria em imortalizar lições para vida. No longa-metragem que chega aos cinemas em 30 de abril, assistimos ao legado de um dos maiores nomes do futebol mundial, que deveria servir de instrução para os tempos atuais. Leia em TVT News.

“Mais do que um filme sobre futebol, a gente quis mostrar o legado do Zico para além do campo. É sobre a postura dele e a forma como encara o esporte e a vida. O futebol e o mundo precisam de mais exemplos como o dele”, afirmou o diretor João Wainer durante pré-estreia no Rio de Janeiro.

Para construir essa narrativa, a ideia de Wainer é apresentar uma história mais “despojada”. O documentário se distancia de um padrão de entrevistas tradicional, isto é, um cenário montado, estático, roteiro quadrado, e câmera no tripé. A história, assim, vai sendo costurada pelos relatos e pela espontâneidade dos narradores. Assistimos uma coleção de contos que se cruzam, se intercalam e se sobrepõem temporalmente.

O filme de Zico revisita não apenas gols e conquistas marcantes, mas também episódios pouco conhecidos da carreira e os desafios enfrentados ao decidir jogar no Japão. Desde o início de sua trajetória, conhecemos um jogador que tem como marca o profissionalismo e comprometimento. “Zico nunca perdeu um voo”, se gaba Sandra, casada com Zico há mais de 50 anos, em trecho do filme.

O documentário de Wainer mostra algo que já sabíamos, mas que se intensifica nas telas com sua abordagem sensível, mesclando depoimentos exclusivos e conversas com ex-parceiros e fãs que se tornaram ídolos, como Júnior Maestro, Carpegiani, Carlos Alberto Parreira, Ronaldo fenômeno, o radialista José Carlos Araújo, o jornalista Mauro Beting e familiares.

Arthur Antunes Coimbra, o Zico, é realçado nesses depoimentos como um jogador exemplar, que valorizava muito o treinamento intensivo e a preparação física, algo essencial para atletas de alto nível, e é retratado como alguém que oferecia sempre o melhor de si em campo e na sua vida pessoal.

“Além de ser um jogador incrível, era o cara que mais treinava e que tava ali tentando levar todo mundo junto“, disse João Wainer

Passamos o mês discutindo se Neymar deveria ou não jogar a Copa do Mundo, devemos olhar para Zico e tomar sua trajetória como exemplo: quando não há comprometimento com o treino, os resultados se apequenam.

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Wladimir da Democracia Corinthiana e filho Gabriel na pré-estreia do filme do Zico em São Paulo – Foto: Lucas Ramos/Divulgação

Mesmo após o título de anti-herói pela Copa do México, Zico ainda brilhou dentro e fora de campo. Wainer mostra o sucesso do brasileiro no Japão, quando a sua carreira já havia acabado no Brasil. O filme mistura, inclusive, as duas línguas, nas legendas e entrevistas. Foi no Kashima Antlers que o ídolo brasileiro ganhou o apelido de Samurai, nome do filme, que significa aquele que serve, mas que também é conhecido pela sua lealdade e honra.

Talvez seja nesse ponto que “Zico, um Samurai de Quintino” possa incomodar. A personagem quase perfeita e com poucos erros transforma o filme em uma narrativa com poucas nuances. Zico está longe de ser Adriano, o Imperador, mesmo assim, ao explorar a visão de fãs, familiares e do próprio jogador, Wainer mostra uma história com raros conflitos e contradições.

Meia-entrada para flamenguistas

Com o lançamento comercial confirmado para 30 de abril, a Downtown Filmes, distribuidora responsável por “Zico, O Samurai de Quintino”, preparou uma promoção para torcedores rubro-negro. O espectador que comparecer à bilheteria dos cinemas vestindo a camisa do Clube de Regatas do Flamengo paga meia-entrada.

A promoção será válida exclusivamente durante a primeira semana em que o filme estiver em cartaz. Consulte cinemas participantes.

As filmagens de “Zico, um Samurai de Quintino”

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Cartaz do filme “Zico, o Samurai de Quintino” – Foto: Divulgação

As filmagens tiveram início em 2023, ano em que Zico completou 70 anos, e passaram por locais emblemáticos como a casa do jogador em Quintino, ruas do Rio de Janeiro e um set especialmente montado para receber convidados. O projeto também percorreu o Japão, país onde ele se tornou um pioneiro e desenvolvedor do
futebol, do time operário do Sumitomo à seleção, de quem foi técnico.

Sobre João Wainer

João Wainer é um diretor com uma linguagem estética e narrativa muito particular que tem origem na sua trajetória como fotojornalista. Assina a direção da produção original Netflix “Doleira” e o longa “Bandida”, da Paris Filmes, ambos lançados em 2024. Dirigiu o longa “A Jaula” (2022) e os docs “Larissa: O Outro lado de Anitta (2025)”, “Pixo”(2009) e “Junho”(2014). No documentário “Elis & Tom, só Tinha de Ser Com Você” (2022), assinou a montagem. João dirigiu o clipe “Funk Rave”, de Anitta, vencedor do prêmio de melhor clipe latino no VMA (MTV) 2023, além de clipes de artistas como Emicida (vencedor do prêmio Multishow 2016), MV Bill (vencedor do VMB 2001), Racionais MCs, entre outros. 

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