O 8º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado entre os dias 24 e 26 de abril em Brasília, consolidou a estratégia da legenda para o próximo ciclo político com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como eixo central. Reunindo cerca de 600 delegados de todo o país, além de representantes internacionais, lideranças partidárias e movimentos sociais, o encontro aprovou o manifesto “Construindo o futuro” e reforçou a necessidade de ampliar alianças no campo democrático-popular. Saiba mais na TVT News.
Mesmo ausente por motivos de saúde, Lula foi o principal protagonista do congresso. Em mensagem em vídeo exibida na abertura, o presidente adotou um tom confiante e mobilizador ao projetar o cenário eleitoral. “Preparem-se, pois serei presidente outra vez porque o Brasil precisa de alguém democrático, que saiba ouvir e conversar com o coração das pessoas”, afirmou.
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O presidente defendeu que o partido entre na disputa com base nas realizações do governo federal, destacando indicadores econômicos e sociais positivos como crescimento do PIB acima de 3%, controle da inflação, aumento da massa salarial e retomada de investimentos em áreas estratégicas. “Quem está no governo deve usar as realizações como sua principal arma eleitoral”, disse, ao sustentar que o PT deve “ditar o ritmo” do debate público.
Lula também reforçou a importância da mobilização territorial, indo além das redes digitais. “Nada supera a coragem de ir para a rua, bater no portão e olhar nos olhos das pessoas”, declarou, ao convocar a militância a intensificar o diálogo direto com a população.
PT reafirma escuta social e reconstrução democrática
Na abertura oficial do evento, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, enfatizou que o partido vive um momento decisivo que exige escuta ativa da sociedade. “É hora de ouvirmos o que a sociedade está dizendo para que a gente possa entender as dores e as angústias e dialogar”, afirmou.
Edinho resgatou a trajetória histórica do PT, lembrando que o partido nasceu no contexto da luta pela redemocratização e sempre soube interpretar os anseios populares. Para ele, diante do avanço global da extrema direita e de uma crise estrutural do capitalismo, cabe ao PT apresentar alternativas concretas. “Se a sociedade diz que esse sistema não resolve, nós temos capacidade de construir novos caminhos e um modelo de produção e distribuição de riqueza mais justo”, declarou.
O dirigente também destacou a importância da vitória de Lula como condição para a manutenção da democracia no Brasil e defendeu a comparação entre o atual governo de reconstrução e o período anterior, marcado, segundo ele, por um “projeto de destruição nacional”.
Manifesto define sete reformas estruturais
O principal produto político do congresso foi a aprovação do manifesto “Construindo o futuro”, que estabelece diretrizes para o programa de governo e a estratégia eleitoral. O documento apresenta um balanço positivo da atual gestão e propõe sete reformas consideradas essenciais para consolidar um novo modelo de desenvolvimento:
- Reforma política e eleitoral
- Reforma tributária
- Reforma tecnológica
- Reforma do Poder Judiciário
- Reforma administrativa
- Reforma agrária
- Reforma da comunicação
O texto defende que essas mudanças são fundamentais para democratizar o poder, fortalecer o Estado e garantir justiça social. Entre os pontos de destaque, está a proposta de democratização do Judiciário, com mecanismos de autocorreção e maior aproximação com a sociedade.
Na área econômica e social, o manifesto reforça políticas de distribuição de renda, valorização do salário mínimo e ampliação de direitos trabalhistas, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. Também prevê a universalização da educação em tempo integral e o acesso ampliado a creches.
Outro eixo central é a soberania nacional, com ênfase no controle estratégico de recursos como terras raras e na transição energética. O documento rejeita o papel do Brasil como mero exportador de commodities e defende o fortalecimento de uma indústria nacional de base tecnológica.
Alianças e frente ampla
O congresso também sinalizou a construção de uma ampla coalizão política para 2026. Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, o manifesto funciona como um chamado ao centro democrático para compor com o projeto liderado por Lula.
A presença de lideranças de partidos como PSB e PDT, além de representantes de mais de 80 países, reforçou o caráter internacional e plural do encontro. O texto aprovado defende a تشکیل de um “bloco democrático popular”, reunindo trabalhadores, movimentos sociais e setores empresariais comprometidos com o desenvolvimento nacional.
Haddad reforça papel estratégico de Lula
Durante o encerramento, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, destacou que a reeleição de Lula é “um imperativo” para evitar retrocessos. “Nós não podemos considerar a hipótese de retrocesso”, afirmou.
Haddad fez duras críticas à extrema direita e ressaltou que o país viveu uma “calamidade” após a ruptura institucional e social promovida nos anos anteriores. Segundo ele, o governo Lula tem reconstruído políticas públicas “grão a grão”, com resultados já visíveis na economia e na área social.
O ex-ministro também enfatizou o papel internacional do presidente brasileiro. “Lula é uma das únicas vozes do mundo capazes de enfrentar a extrema direita em escala global”, disse, ao destacar a atuação do Brasil em defesa da democracia e da paz.
Renovação interna e futuro
Além das diretrizes externas, o congresso aprovou medidas de renovação interna do partido, como a limitação de mandatos em instâncias partidárias e a garantia de pelo menos 50% de participação feminina nos espaços de decisão.
O documento também aponta para a necessidade de uma transição geracional, incorporando juventude e novas lideranças ao projeto político.
Ao final, o 8º Congresso do PT reafirmou o compromisso do partido com a construção de um Brasil soberano, democrático e socialmente justo. Com foco na reeleição de Lula e na ampliação de alianças, a legenda aposta na combinação entre legado de governo, mobilização popular e um programa estruturante para enfrentar os desafios do próximo período.

