Resistência Indígena Ywyrupá: encontro em Paraty debate economia e territórios

Papel das mulheres indígenas na proteção dos territórios é um dos temas do encontro “Resistência Indígena Ywyrupá”
Ywyrupá-tvt-news
Encontro “Resistência Indígena Ywyrupá” – Foto: Divulgação

A Aldeia Indígena Rio Pequeno, Tekohá Djey, localizada em Paraty (RJ), sedia entre os dias 1º e 3 de maio o encontro “Resistência Indígena Ywyrupá”. O evento, que conta com o apoio da Rede de Economia Popular Solidária Indígena e da Unisol Brasil, deve reunir aproximadamente 150 representantes de diferentes povos para debater o futuro dos territórios tradicionais e a preservação dos modos de vida originários. Leia em TVT News.

A iniciativa surge em um contexto de necessidade de articulação política frente aos desafios impostos pelas crises ambientais e pelas pressões sobre as terras ancestrais. Ao longo de três dias, os participantes se dedicarão a atividades de formação, trocas de saberes e construção de estratégias coletivas.

O foco central das discussões envolve a economia indígena, as mudanças climáticas e a saúde tradicional, elementos integrados à manutenção da vida nas aldeias.

Resistência Indígena Ywyrupá: programação foca em saúde tradicional e meio ambiente

O cronograma do encontro foi estruturado para abordar de forma profunda a relação entre a posse da terra e a qualidade de vida dos povos. Após a recepção dos participantes no primeiro dia de maio, a agenda de debates tem início efetivo no dia 2, sob o tema “Território é saúde tradicional”. Essa abordagem reforça a compreensão de que a medicina e o bem-estar indígena dependem diretamente do equilíbrio do ecossistema e do livre exercício da cultura em seus espaços originais.

No dia 3 de maio, a programação dos Ywyrupá se divide em duas frentes complementares. Durante o período da manhã, as lideranças discutem as pautas de território e meio ambiente, analisando o impacto das transformações globais no cotidiano das comunidades. Já no período da tarde, o evento promove uma atividade prática de reflorestamento, denominada Nhamboka’agwy djey, simbolizando o compromisso com a recuperação das matas e a sustentabilidade dos recursos naturais.

Protagonismo feminino e redes de economia solidária Ywyrupá

Ywyrupá-tvt-news
Encontro “Resistência Indígena Ywyrupá” em Paraty – Foto: Divulgação

O encontro “Resistência Indígena Ywyrupá” também destaca o papel fundamental das mulheres indígenas na liderança e na proteção dos territórios. O protagonismo feminino é apontado como um dos eixos para o fortalecimento das comunidades, especialmente na gestão da economia indígena e na transmissão de conhecimentos geracionais sobre saúde e meio ambiente.

>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp 

A participação da Rede de Economia Popular Solidária Indígena e da Unisol Brasil indica a busca por fortalecer economias próprias que sejam sustentáveis e independentes. O debate sobre economia busca encontrar caminhos para que os povos originários possam garantir sua subsistência sem abrir mão de seus valores culturais e do respeito à natureza.

Visibilidade e articulação política dos Ywyrupá em Paraty

Além das lideranças locais e regionais, o evento deve contar com a presença de apoiadores da causa e convidados do campo artístico. Essa estratégia visa ampliar a visibilidade das reivindicações dos povos originários para a sociedade civil brasileira, extrapolando as fronteiras dos territórios tradicionais. A organização espera que o espaço consolide propostas de resistência diante das ameaças contemporâneas aos direitos indígenas.

O encontro em Paraty se configura como um ponto estratégico para a região Sudeste, mas também para o país, ao integrar redes de saberes de diversos locais. A consolidação dessas redes é vista como um passo essencial para a defesa das garantias constitucionais e para o enfrentamento das mudanças climáticas, tema no qual o conhecimento tradicional indígena é cada vez mais requisitado por órgãos internacionais e nacionais de proteção ambiental.

A articulação política promovida na Tekohá Djey reforça a ideia de que a defesa das terras indígenas é, simultaneamente, a defesa da biodiversidade. Ao final dos três dias de atividades, o grupo pretende ter diretrizes mais sólidas para o fortalecimento da resistência e para a continuidade das lutas por direitos, autonomia e justiça social para as populações indígenas do Brasil.

Assuntos Relacionados