O deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a produtora Goup Entertainment divulgaram notas oficiais para negar o recebimento de aportes financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a realização do filme sobre Jair Bolsonaro. As manifestações públicas dos envolvidos surgem após a divulgação de mensagens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao empresário pedindo dinheiro para o filme do pai. Leia em TVT News.
O filme de Bolsonaro, intitulado “Dark Horse”, tem previsão de lançamento para setembro deste ano e retrata a trajetória política do ex-presidente.
Mário Frias, que atua como produtor executivo do projeto, afirmou de forma incisiva que não existem recursos provenientes de Vorcaro na produção.
Segundo o parlamentar, o financiamento da obra é de natureza privada e não envolve o uso de verbas públicas.
A Goup Entertainment, empresa responsável pela execução do longa-metragem, reforçou a posição do deputado.
Em comunicado, a produtora declarou que, embora conte com mais de dez investidores diferentes no quadro de financiadores, nenhum valor tem origem no Banco Master ou em outras companhias sob controle societário de Daniel Vorcaro.
O jornal The Intercept revelou, no entanto, que Flavio recebeu ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões conforme a cotação do período, entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações destinadas ao projeto cinematográfico ligado à família Bolsonaro.
Se o dinheiro não foi para o filme, foi para onde?
Divergências entre as declarações de Flávio Bolsonaro, Mário Frias e produção
As negativas de Mário Frias e da produtora contrastam com as informações apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro.
O filho do ex-presidente admitiu ter mantido conversas com o banqueiro para solicitar investimentos destinados ao custeio das gravações. O senador justificou o pedido alegando que havia pendências no pagamento de parcelas de patrocínio fundamentais para a finalização do filme.
A admissão de Flávio Bolsonaro sugere que existiam compromissos financeiros firmados e que o banqueiro já participaria do projeto. Contudo, a produção executiva insiste na ausência de qualquer transação financeira com o empresário.
A reportagem original do portal The Intercept Brasil indicou que o montante total negociado chegaria a US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época).
De acordo com as informações divulgadas, cerca de R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025. O veículo de comunicação, no entanto, reconhece que não há comprovação documental de que o valor total acordado foi transferido integralmente.
O desenrolar do caso e as investigações sobre o Banco Master
Daniel Vorcaro é acusado de comandar fraudes bilionárias no Banco Master.
A instituição financeira sofreu liquidação pelo Banco Central em novembro do ano passado.
Atualmente, o banqueiro está em processo de negociação de um acordo de delação premiada com as autoridades.
Relação de Flávio e banqueiro: empresário confirma recebimento de dinheiro para filme
As investigações apontam que a relação entre o senador e o banqueiro teria contado com a intermediação de terceiros.
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O publicitário Thiago Miranda, fundador do Portal LeoDias, confirmou ter participado das negociações.
Em declarações à imprensa, Miranda afirmou que as tratativas resultaram em repasses de aproximadamente R$ 62 milhões para a produção do filme. Ele explicou ainda que o valor final seria superior, mas os pagamentos foram interrompidos devido à crise financeira que atingiu o banco de Vorcaro.
Outro ponto de divergência reside no conhecimento prévio sobre as investigações contra o banqueiro.
Enquanto as notas de defesa alegam que, no momento dos pedidos de recursos, não havia suspeitas públicas contra o empresário, mensagens de áudio mostram o senador Flávio Bolsonaro mencionando dificuldades enfrentadas por Vorcaro no final de 2025.
Em uma das mensagens, enviada pouco antes da prisão do banqueiro, o senador utiliza termos de proximidade e manifesta apoio contínuo ao empresário.
Até o momento, os responsáveis pela produção de “Dark Horse” mantêm o posicionamento de que a relação financeira da obra é estritamente privada.
Eles reiteram que a lista de investidores é composta por outras fontes que não possuem ligação com o grupo societário investigado pela Polícia Federal e pelo Banco Central. O cenário de contradições entre os articuladores políticos e os executivos da produção permanece como o ponto central do debate sobre o financiamento da obra.
Veja nota do senador Flávio Bolsonaro
Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.
Veja a íntegra da nota do deputado Mário Frias
Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço:
- O senador Flávio Bolsonaro não tem qualquer sociedade no filme ou na produtora. Seu papel limitou-se à cessão dos direitos de imagem da família e, naturalmente, ao peso que seu sobrenome agrega na hora de atrair investidores interessados em financiar um projeto desse porte – o que é legítimo, esperado e não configura, em si, nada além do óbvio.
- Como já esclareceu a produtora GOUP Entertainment, não há um único centavo do sr. Daniel Vorcaro em Dark Horse. E, ainda que houvesse, não haveria problema algum: trata-se de relação estritamente privada, entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido. E, na época, não havia qualquer suspeita a ele e seu banco.
- Dark Horse é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional – com qualidade inédita para retratar o maior líder político brasileiro do século XXI. O projeto é real, será lançado nos próximos meses e, para quem investiu, será um negócio bem-sucedido.
- Desde o anúncio do projeto, Dark Horse vem sendo alvo reiterado de ataques direcionados não apenas à produção do filme, mas também à sua própria viabilidade e futura exibição. Há uma tentativa permanente de descredibilizar a obra perante a opinião pública, investidores e parceiros do setor audiovisual, muitas vezes por motivações claramente políticas e ideológicas. Ainda assim, o projeto segue firme, estruturado e respaldado por profissionais experientes da indústria cinematográfica internacional.
- Por fim, um lembrete pessoal: geri bilhões da Lei Rouanet à frente da Secretaria Especial da Cultura e saí do governo com as mãos limpas. Quem não se enriqueceu com bilhões certamente não iria se sujar pelos R$ 2 milhões que a imprensa agora tenta atribuir.
Veja a íntegra da nota da produtora do filme
A GOUP Entertainment esclarece, preliminarmente, que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade de investidores cujos aportes encontrem-se resguardados por acordos de confidencialidade (Non-Disclosure Agreements). Trata-se de prerrogativa contratual e regulatória legítima, assegurada aos financiadores de projetos estruturados sob o regime de investimento privado, e que esta produtora é obrigada a observar.

