Governo expande complexo científico Sirius e projeta laboratório de segurança máxima

Expansão do acelerador Sirius amplia pesquisas em áreas estratégicas, enquanto projeto de laboratório NB-4 visa autonomia na produção de vacinas e diagnósticos
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Campinas (SP) 04.07.2024 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita às linhas de luz do Sirius no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Nesta segunda (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrega quatro novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, estruturas destinadas a ampliar o atendimento a pesquisadores nacionais e estrangeiros em setores integrados ao desenvolvimento nacional, como saúde, agricultura, energia, clima, nanotecnologia e novos materiais. Leia em TVT News.

O evento para oficializar a medida ocorre em Campinas (SP) e conta com a participação de ministros e gestores do setor tecnológico e de saúde, como a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, e o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda.

Durante a visita, o chefe do Executivo acompanha a evolução das obras do Orion, um complexo laboratorial direcionado a pesquisas de patógenos que receberá investimentos por meio do Novo PAC.

O que é o Sirius?

O Sirius caracteriza-se como uma instalação científica de quarta geração que atua como um microscópio de alta potência, projetado para examinar a estrutura atômica e molecular de diversos materiais.

O equipamento Sirius possui 68 mil metros quadrados de área construída e figura como a instalação científica de maior complexidade estrutural desenvolvida no território nacional. A produção do acelerador envolveu a engenharia brasileira, sendo que entre 85% e 90% de seus componentes foram fabricados diretamente no país.

A expansão realizada entrega quatro novas estações de pesquisa independentes:

  • Linha Tatu: Financiada com recursos federais do Novo PAC, constitui a primeira linha de quarta geração configurada para operar na faixa dos terahertz. Sua finalidade é a análise de sistemas nanofotônicos, materiais quânticos e estruturas biológicas, gerando subsídios para as indústrias de telecomunicação e computação de dados por luz.
  • Linha Sapucaia: Estruturada para a realização de estudos focados em proteínas, polímeros, catalisadores, nanopartículas e medicamentos. A unidade também servirá de base para termos de cooperação científica firmados entre o Brasil e a China.
  • Linha Quati: Destinada à execução de testes aplicados aos segmentos farmacêutico e petroquímico, além de análises voltadas ao mapeamento de minerais críticos e terras raras.
  • Linha Sapê: Focada na pesquisa de semicondutores, supercondutores e materiais avançados com emprego direto nos setores de energia, eletrônica e infraestrutura industrial.
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Campinas (SP) 04.07.2024 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Visita às linhas de luz do Sirius no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Complexo laboratorial Orion

Além do funcionamento das novas linhas do Sirius, o planejamento do CNPEM engloba a implementação do Orion, uma estrutura de laboratórios que contará com o nível máximo de contenção biológica (NB-4). Esse projeto apresenta uma característica inédita no cenário global, por ser a primeira instalação laboratorial de biossegurança máxima conectada de forma direta a uma fonte de luz síncrotron.

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As instalações do Orion permitirão o estudo avançado de agentes patogênicos com recursos técnicos até então indisponíveis na América Latina. O propósito do complexo é viabilizar o desenvolvimento de mecanismos de diagnóstico, tratamentos, vacinas e mapeamentos epidemiológicos dentro do território brasileiro, reduzindo a dependência externa e resguardando a autonomia nacional diante de potenciais emergências de saúde pública.

Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde

A agenda do Executivo também formaliza o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, tendo o CNPEM estabelecido como o primeiro centro-âncora da iniciativa. O programa articula a aplicação de ferramentas de inteligência artificial, genômica, biofabricação e biotecnologia para impulsionar a autonomia do parque industrial da saúde pública.

A cooperação interministerial prevê a edificação de um novo prédio técnico destinado a unificar plataformas microfluídicas, biologia estrutural e sistemas de imageamento. O plano visa catalisar a produção interna de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), dispositivos médicos, biomoléculas e biossensores direcionados ao atendimento das demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), aproximando a produção científica das políticas públicas de assistência social.

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