Os resultados do Enade das Licenciaturas 2025 revelam um cenário preocupante para a formação de professores no Brasil, especialmente nas graduações ofertadas a distância por instituições privadas. Os dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) apontam que o desempenho dos estudantes do ensino superior particular no modelo EaD ficou muito abaixo do registrado nos cursos presenciais e nas universidades públicas. Saiba os detalhes na TVT News.
Segundo o levantamento, apenas 46,9% dos concluintes de cursos de licenciatura a distância atingiram níveis considerados adequados de proficiência. Nos cursos presenciais, o índice chegou a 73,9%. O problema é ainda mais significativo porque o EaD concentra atualmente 60% dos formandos avaliados pelo exame.
Matemática e Português concentram os piores resultados do Enade
O desempenho mais crítico foi identificado justamente em áreas consideradas estratégicas para a educação básica, como Matemática e Letras. Nas licenciaturas EaD dessas áreas, 7 em cada 10 estudantes ficaram abaixo do nível básico de conhecimento.
Em Matemática, somente 33% dos concluintes do ensino a distância alcançaram desempenho acima do básico, contra 53% no presencial. Já em Letras-Português e Inglês, o índice foi de 33% no EaD, enquanto os cursos presenciais registraram 73%.
A diferença entre as modalidades também apareceu em outras áreas. Em Pedagogia, por exemplo, 75% dos estudantes presenciais atingiram desempenho adequado, ante 46% no EaD.
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Ensino particular concentra maioria das matrículas e os menores índices
Os resultados também mostraram uma forte desigualdade entre as categorias administrativas das instituições. Enquanto universidades federais registraram 75,9% de estudantes proficientes e estaduais alcançaram 73,3%, as instituições privadas tiveram média de apenas 46,5%.
O MEC atribui parte do problema à expansão acelerada das licenciaturas a distância no setor particular. Atualmente, 91% dos estudantes matriculados em licenciaturas EaD estão em instituições particulares.
Dados citados pelo relatório indicam ainda que o Brasil possui média de 62 estudantes por professor no ensino superior privado, contra cerca de 10 alunos por docente nas instituições públicas.
Além do baixo desempenho dos estudantes, a avaliação mostrou que a maioria dos cursos EaD recebeu conceitos considerados insatisfatórios pelo Inep. Entre 51,8% e 60,5% das graduações a distância obtiveram notas 1 ou 2 na escala que vai até 5.
No total, 1.730 cursos de licenciatura receberam conceitos inadequados. Dos 178,6 mil alunos formados em cursos com notas 1 e 2, cerca de 155,5 mil vieram do ensino a distância.
MEC anuncia fim das licenciaturas 100% EaD
Diante do diagnóstico, o MEC anunciou uma série de mudanças regulatórias para tentar reverter a queda na qualidade da formação docente. A principal medida é a extinção das licenciaturas 100% EaD até maio de 2027.
Os cursos atualmente ofertados exclusivamente a distância deverão migrar para modelos presenciais ou semipresenciais. Pelas novas regras, graduações presenciais poderão ter no máximo 30% da carga horária remota. Hoje o limite é de 40%.
A pasta também informou que cursos com conceitos 1 e 2 passarão por monitoramento sistemático e poderão sofrer sanções regulatórias. A renovação automática de reconhecimento foi suspensa, e todas as licenciaturas deverão passar por avaliações presenciais após 2027.
Governo defende endurecimento da regulação
Para o ministro da Educação, Leonardo Barchini, o Enade das Licenciaturas inaugura um novo modelo de acompanhamento da formação docente no país.
“O Enade produz visão sistemática da qualidade da formacão inicial de professores no pais. Mas não basta só regular, o MEC tem de induzir melhoria”, afirmou o ministro.
A secretária de Regulação e Supervisão da Educação Superior, Marta Abramo, afirmou que os resultados ajudam a definir parâmetros mínimos para os cursos de formação de professores.
Os dados do Enade 2025 reforçam o diagnóstico do governo de que a expansão do ensino a distância na formação docente ocorreu sem garantia de padrões mínimos de qualidade. O desafio é elevar o nível da formação de professores sem comprometer o acesso ao ensino superior, especialmente em regiões onde o EaD se tornou a principal porta de entrada para a graduação.

