A Rede A Ponte lança na próxima sexta-feira (29), em São Paulo, a campanha nacional “Lugar de Mulher é Onde Ela Foi Eleita”, iniciativa que marca os cinco anos de atuação da organização no fortalecimento de mulheres na política institucional. O lançamento ocorre durante o Festival MEL e tem como foco o enfrentamento à violência política de gênero e raça (VPGR), fenômeno que atinge especialmente mulheres negras e grupos historicamente sub-representados. Saiba mais na TVT News.
A campanha surge no contexto das eleições deste ano, em defesa da permanência de mulheres nos espaços de poder conquistados pelo voto popular. Segundo a organização, os ataques direcionados a parlamentares têm como objetivo interromper trajetórias políticas, promover desgaste institucional e afastar mulheres da vida pública.
De acordo com a diretora da Rede A Ponte, Lauana Chantal, a violência política não deve ser tratada como um problema individual das parlamentares, mas como uma ameaça à democracia e ao direito de representação da sociedade. “O que estamos dizendo com essa campanha é que violência política de gênero e raça não é um problema individual das parlamentares. É um problema democrático. Quando mulheres eleitas são silenciadas, ameaçadas ou empurradas para fora da política, o que está sendo atacado é o próprio direito da sociedade à representação”, afirma.
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Mulheres negras concentram maior parte dos casos
O lançamento da iniciativa é acompanhado de um relatório técnico produzido pela Rede A Ponte sobre o cenário da violência política de gênero e raça no Brasil. Os dados apontam que cerca de 80% das mulheres negras acompanhadas pela rede relataram ter sofrido algum tipo de violência política. Nos partidos políticos, 92% dos casos monitorados pela organização envolvem parlamentares negras.
O diagnóstico também identifica mecanismos recorrentes de exclusão, como tentativas de silenciamento, isolamento político e desgaste institucional contínuo. Segundo a entidade, a ausência de um fluxo estatal unificado para acolhimento de denúncias e enfrentamento das agressões dificulta a proteção das vítimas e a responsabilização dos autores.
Campanha terá “violentômetro” e relatos anônimos
Como parte das estratégias de enfrentamento, a organização desenvolveu o “Violentômetro”, ferramenta de autodiagnóstico voltada a parlamentares para identificar situações de violência política frequentemente naturalizadas no cotidiano legislativo.
Além disso, a campanha prevê a divulgação, ao longo de 2026, de relatos reais, preservando o anonimato das vítimas, para ampliar o debate público sobre os impactos da violência política de gênero e raça na democracia brasileira.
As ações terão foco prioritário em mulheres negras, mulheres LBT+, jovens e mulheres com deficiência. Após o lançamento em São Paulo, a Rede A Ponte prevê um segundo encontro em outubro, no Rio de Janeiro, reunindo parlamentares, apoiadoras e organizações parceiras para consolidar a rede de apoio construída pela entidade desde sua fundação, em 2021.
Com Assessoria de Imprensa

