O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga a atuação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Entenda na TVT News.
A decisão foi tomada após petição apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias, que pediu a ampliação “objetiva e subjetiva” da investigação em curso no Supremo. Atualmente, Eduardo Bolsonaro já responde como réu por suposta coação no curso do processo, acusado de atuar junto a setores do governo norte-americano para pressionar autoridades brasileiras e interferir no julgamento da tentativa de golpe de Estado atribuída a Jair Bolsonaro.
O pedido apresentado por Lindbergh ocorre em meio ao aprofundamento das revelações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, que teria recebido milhões de reais do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e investigado por suspeitas de fraudes financeiras.
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Segundo as informações levadas ao STF, há indícios de conexão entre os recursos destinados à produção cinematográfica e a atuação política de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado vive desde fevereiro de 2025. A suspeita é de que parte do dinheiro formalmente destinado ao filme possa ter sido utilizada para financiar campanhas internacionais contra instituições brasileiras, incluindo pressão por sanções, restrições de vistos e até medidas econômicas contra o Brasil.
O caso ganhou novas proporções após reportagens do Intercept Brasil revelarem mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro, nos quais o senador teria solicitado até R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para custear a produção do longa-metragem. Segundo os documentos divulgados, cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos em parcelas para o projeto.
Filme de Bolsonaro na mira
Na petição enviada ao Supremo, Lindbergh sustenta que a investigação precisa apurar se os valores tiveram desvio de finalidade e se foram utilizados para manter a estrutura política e financeira de Eduardo Bolsonaro no exterior. O parlamentar pede ainda compartilhamento de provas da investigação sobre o Banco Master, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), rastreamento de fluxos financeiros e eventual cooperação internacional com autoridades norte-americanas.
O pedido inclui também a análise de movimentações envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, empresas ligadas ao filme e pessoas próximas ao núcleo bolsonarista instalado nos Estados Unidos. Segundo a representação, a estrutura poderia ter servido para financiar ações políticas no exterior enquanto Eduardo articulava sanções contra autoridades brasileiras e defendia medidas de pressão internacional sobre o STF.
A suspeita ganhou força após a revelação de que Eduardo Bolsonaro teria participado diretamente da operacionalização financeira do projeto cinematográfico. Documentos citados na petição indicam que o ex-deputado atuava junto à produtora responsável pelo filme e teria orientado formas de transferência de recursos para os Estados Unidos sem chamar atenção das autoridades.
O caso também se conecta ao inquérito em que Eduardo Bolsonaro é acusado de tentar intimidar ministros do STF e pressionar o Congresso Nacional em favor de uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas. Na denúncia aceita pelo Supremo, a Procuradoria-Geral da República sustenta que o ex-deputado atuou politicamente nos Estados Unidos para buscar sanções contra autoridades brasileiras, incluindo tarifas comerciais, restrições diplomáticas e aplicação da chamada Lei Magnitsky.
Ao aceitar a denúncia anteriormente, Alexandre de Moraes afirmou que a conduta atribuída a Eduardo extrapolou o debate político e representou uma “grave ameaça” às instituições brasileiras. Segundo o ministro, houve tentativa deliberada de criar um ambiente de intimidação contra autoridades responsáveis pelo julgamento de Jair Bolsonaro.
Caso a PGR se manifeste favoravelmente ao pedido de Lindbergh Farias, Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro poderão ser formalmente incluídos na investigação. Isso abriria caminho para novas diligências, incluindo quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de medidas cautelares relacionadas ao rastreamento internacional dos recursos.
Nas redes sociais, Lindbergh afirmou que a ampliação da investigação é necessária para esclarecer a relação entre o bolsonarismo e Daniel Vorcaro. “Vamos seguir o dinheiro”, declarou o deputado ao comentar a decisão de Moraes de encaminhar o pedido para análise da Procuradoria-Geral da República.
Enquanto isso, o entorno bolsonarista tenta minimizar o impacto político do escândalo. Flávio Bolsonaro afirma que os recursos buscados junto a Vorcaro eram privados e legais, enquanto Eduardo Bolsonaro nega irregularidades em sua atuação internacional. Ainda assim, o avanço das investigações amplia a pressão sobre a família Bolsonaro num momento em que pesquisas eleitorais já apontam desgaste crescente do senador do PL após a divulgação dos áudios envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”.

