O Datafolha divulgou neste sábado (20) uma nova pesquisa eleitoral, em que o presidente Lula (PT) se mantém em vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação do 2º turno: o mandatário tem 47% contra 43% do aspirante. Leia em TVT News.
Apesar disso, a diferença consiste em um empate técnico, no limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
No primeiro turno, Lula segue em vantagem, com 41% no cenário mais provável de primeiro turno frente a 31% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa indica que o filho de Jair Bolsonaro parou de derreter eleitoralmente com o escândalo envolvendo o caso do financiamento do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Os resultados para o primeiro turno praticamente mantiveram os da rodada anterior, feita após a revelação da relação entre Flávio e Vorcaro: Lula fez 40% enquanto o senador tinha os mesmos 31%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa teve novidades no primeiro turno, como a entrada de Aécio Neves (que poderá ser candidato à Presidência pelo PSDB) e substituição de Aldo Rebelo por Joaquim Barbosa na candidatura pela Democracia Cristã.
Depois de Lula e Flávio aparecem Ronaldo Caiado (PSD), que fez 3%; Renan Santos (Missão), que pontuou 3%; Romeu Zema (Novo), pontuando 2%; Aécio Neves (PSDB), com 2%; Samara Martins (UP), pontuando 2%; Augusto Cury (Avante) com 2%; Joaquim Barbosa (DC) com 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza) com 1%; e Rui Costa Pimenta (PCO) com 1%.
Em uma simulação de segundo turno entre Lula e Caiado, o petista marca 47% contra 41% do ex-governador de Goiás. A pontuação no último levantamento era de 48% e 39%, respectivamente.
Já na simulação de segundo turno com Lula e Zema, o placar é de 48% do presidente ante 39% do ex-governador de Minas Gerais, mesma diferença da pesquisa anterior, com 11% de brancos e nulos e 2% que não sabem.
O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas em 139 cidades do Brasil, entre os dias 17 e 18 de junho de 2026.
Aldo Fornazari: Datafolha mostra dificuldade de Flávio para conter perdas advindas da ligação com Vorcaro
Aldo Fornazari, cientista político e coordenador do Curso de Pós-Graduação em Estratégia e Liderança Política da FESPSP, comentou a pesquisa do dia 20 de junho.
Para ele, os resultados do Datafolha mostram a dificuldade da candidatura de Lula de potencializar os ganhos da agenda positiva do governo e de conter as perdas da candidatura de Flávio Bolsonaro na exploração dos episódios negativos de sua ligação com Daniel Vorcaro.
“O mesmo ocorre quanto ao novo “tarifaço” anunciado pelo governo Trump, na esteira da visita do bolsonarista ao presidente americano. Isto se evidencia no fato de que, nas simulações de segundo turno, Lula e Flávio repetem os números de maio, com o presidente aparecendo com 47% e o oposicionista com 43%.”, explica o professor.
Ele afirma que “na medida em que o escândalo Vorcaro atinge a campanha governista por meio das denúncias contra o senador Jaques Wagner, intensifica-se a disputa de narrativas, visando cada contendor provocar desgastes na campanha do outro. Com a dificuldade do governo de projetar uma vantagem maior, a tendência é de que a situação de empate técnico se mantenha durante o período que antecede o início propriamente dito da campanha, a não ser que surjam fatos novos capazes de provocar prejuízos significativos a uma ou outra candidatura”.
O pesquisador ressalta a dificuldade dos demais candidatos da direita — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos — em capturar eleitores desse campo político, permanecendo estagnados em patamares baixos na pesquisa Datafolha, mesmo com o ambiente de denúncias contra Flávio Bolsonaro.
Beto Vasques: Datafolha mostra margem pequena, mas consistente, a favor de Lula
De acordo com Beto Vasques, analista político e coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, os resultados do Datafolha divulgados no sábado indicam estabilidade no cenário eleitoral, com a manutenção de uma margem pequena, mas consistente, a favor do presidente Lula desde o episódio Dark Horse.
Ele afirma que “os dados são semelhantes aos da pesquisa Genial/Quaest da semana passada, que mostrou uma diferença de seis pontos a favor do atual mandatário na simulação de segundo turno. Essas diferenças pequenas estão dentro do limite das margens de erro de dois pontos, reforçando que a eleição será muito acirrada, mas que, nesse momento, inclina-se favoravelmente ao presidente. Os resultados confirmam que a disputa pela Presidência está aberta e tende a ser altamente sensível à agenda factual, deixando as variações sujeitas a alterações até o dia da eleição”.
Para o professor, esse é o caso do episódio Jaques Wagner, cujo impacto foi captado apenas parcialmente e que pode voltar a aproximar numericamente os dois favoritos.
“Já os demais candidatos continuam sem conseguir ultrapassar expressivamente a casa dos 3% — como Ronaldo Caiado e Renan Santos, ambos com 3% no primeiro turno —, o que vai confirmando o cenário de antecipação da lógica de voto útil para a pré-campanha. O cenário se assemelha, cada vez mais, a um ‘terceiro turno’ das eleições de 2022: um tira-teima entre os sobrenomes Bolsonaro e Lula da Silva”, afirma.
Hilton Fernandes: resultado do Datafolha lança dúvidas sobre capacidade de Flávio de vencer a eleição
Hilton Fernandes, cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, afirma que a pesquisa eleitoral do Datafolha confirma o impacto do caso Dark Horse na campanha eleitoral.
Para Fernandes, “embora Flávio Bolsonaro tenha estabilizado sua queda, mantendo os mesmos 31% da rodada anterior no primeiro turno, o patamar de sua rejeição, fixado em 48%, aliado à divulgação dos áudios com Daniel Vorcaro (ligado ao escândalo do Banco Master), lança dúvidas sobre sua capacidade de vencer a eleição, ainda que ele se mantenha competitivo contra Lula”.
Ele afirma que a evolução das intenções espontâneas também aponta uma interrupção da tendência de crescimento de Flávio (estagnado em 17%), enquanto Lula mantém sua consolidação na liderança com 30%.
Para o professor, por outro lado, “a recente operação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner será explorada pela oposição para tentar minimizar o efeito negativo sobre o candidato bolsonarista. De qualquer forma, os áudios de Flávio com Vorcaro geraram desconfiança, mas a base de eleitores da direita não sofreu grandes variações, mostrando-se suficiente para garantir a ida do senador ao segundo turno”.
A grande questão, no entanto, é se o filho de Bolsonaro terá chances de vencer Lula na etapa final, pois isso pode determinar quem continuará ao lado de Flávio até a eleição.
“Neste momento, as duas campanhas precisam compreender melhor os efeitos das notícias negativas e das ações do governo no comportamento do eleitor, visto que as influências estão cruzadas e leituras apressadas podem causar erros estratégicos”, diz o cientista político.

