Mulheres que marcaram a Constituinte são retratadas em documentário

Produção do Instituto Declatra, com apoio do Ministério das Mulheres, reúne depoimentos de lideranças que participaram da articulação por direitos na Constituição de 1988
"Elas escreveram o futuro: mulheres e a Constituinte" – Reprodução

O documentário “Elas escreveram o futuro: mulheres e a Constituinte”, lançado pelo Instituto Declatra (iDeclatra) com apoio do Ministério das Mulheres, resgata a participação de lideranças femininas na construção da Constituição Federal de 1988 e destaca a mobilização que garantiu a inclusão de direitos das mulheres na Carta Magna. Leia em TVT News.

A estreia ocorreu no dia 2 de julho, em Curitiba, com a presença da ministra das Mulheres, Márcia Lopes, da presidenta do iDeclatra, Mírian Gonçalves, além dos diretores Jane Salvador, Mauro Auache e Ricardo de Mendonça. O lançamento reuniu um auditório lotado e emocionou o público ao apresentar depoimentos de mulheres que participaram diretamente das articulações políticas e sociais durante a Assembleia Nacional Constituinte.

Durante o evento, Márcia Lopes destacou a importância histórica da produção audiovisual e afirmou que pretende ampliar sua circulação pelo país.

“Assumi o compromisso, como ministra das Mulheres, de que este documentário chegue a todos os lugares deste país, aos movimentos de mulheres, movimentos feministas, partidos políticos, igrejas e sindicatos. O documentário passa a ser um grande patrimônio histórico do país”, afirmou.

Documentário foi viabilizado por emendas parlamentares

“Elas escreveram o futuro: mulheres e a Constituinte” – Reprodução

O projeto foi viabilizado por meio de emenda parlamentar da deputada federal Gleisi Hoffmann e revisita momentos marcantes da organização das mulheres brasileiras entre 1987 e 1988, período em que a Assembleia Nacional Constituinte elaborou a atual Constituição.

A produção dedica atenção especial à Carta das Mulheres Brasileiras aos Constituintes, documento que reuniu reivindicações enviadas por mulheres de diferentes regiões do país, ao chamado “lobby do batom”, articulação que aproximou parlamentares e movimentos feministas para defender direitos durante a Constituinte, e à criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), órgão que desempenhou papel relevante na organização dessas demandas.

O documentário é dirigido por Daniel Billio, responsável por produções como “3 Toneladas: Assalto ao Banco Central”, da Netflix, além das séries “30 Segundos” e “Operação Guerra Verde”, produzidas pela HBO Max.

A narrativa é construída a partir de entrevistas com mulheres que participaram diretamente desse processo histórico.

Entre elas está Jacqueline Pitanguy, que presidiu o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher entre 1986 e 1989; a advogada e ex-juíza do trabalho Comba Marques Porto, responsável por receber cartas com reivindicações enviadas por mulheres de todo o país; a economista Hildete Pereira de Melo, que participou da articulação do CNDM; Creuza Maria Oliveira, liderança histórica das trabalhadoras domésticas e presidente de honra da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad); a historiadora Dulce Pandolfi, professora da UFRJ e militante contra a ditadura militar; e Vera Mussi, educadora e integrante do movimento de mulheres no Paraná.

Ao reunir relatos de protagonistas daquele período, o filme busca preservar a memória da mobilização feminina que contribuiu para ampliar direitos e fortalecer a participação das mulheres na vida política brasileira.

O documentário está disponível gratuitamente no YouTube.

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