A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, levou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionamentos sobre o funcionamento e o financiamento da plataforma Direita Já, ligada ao Partido Liberal (PL). Saiba mais na TVT News.
Na representação, as siglas pedem que a Justiça Eleitoral investigue a procedência dos recursos empregados na iniciativa e a estrutura utilizada para produzir e disseminar conteúdos políticos na internet.
O pedido também levanta dúvidas sobre o projeto estar sendo usado para antecipar estratégias eleitorais e ampliar a circulação de material contra adversários políticos.
Os partidos questionam se dinheiro do Fundo Partidário está sendo empregado para manter a plataforma, produzir as peças e organizar sua distribuição em redes sociais e aplicativos de mensagens.
A iniciativa oferece materiais preparados para publicação digital, como vídeos, imagens e textos acompanhados de sugestões de legendas e hashtags. Usuários cadastrados podem baixar as peças e reproduzi-las em plataformas como Instagram, TikTok, X e WhatsApp.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Segundo informações disponíveis na própria página, o Direita Já é apresentado como uma iniciativa do PL desenvolvida com participação de produtores de conteúdo e profissionais ligados ao marketing político. A plataforma afirma contar com uma equipe responsável pela elaboração e revisão dos materiais antes da disponibilização aos usuários.
A representação apresentada ao TSE busca justamente esclarecer como essa estrutura é financiada e quais são os custos envolvidos em sua operação.
Influenciadores e distribuição de conteúdos entram no foco da ação
Um dos principais pontos levantados pela Federação Brasil da Esperança é o chamado Programa Creators, que reúne influenciadores e usuários responsáveis por ampliar o alcance dos materiais disponibilizados pela plataforma.
Na avaliação dos partidos, a distribuição organizada de conteúdos por uma rede de participantes pode produzir um alcance semelhante ao de campanhas de publicidade digital, mas sem necessariamente seguir as mesmas regras de transparência aplicadas ao impulsionamento eleitoral convencional.
A representação sustenta que o modelo merece investigação porque a circulação dos materiais pode aparentar ser espontânea, embora exista uma estrutura previamente organizada para disponibilizar peças prontas e estimular sua reprodução em diferentes canais.
Os partidos também alertaram sobre a quantidade de material produzido pela plataforma e para o padrão profissional das peças. Na avaliação apresentada ao tribunal, a existência de uma operação contínua, com diferentes formatos e distribuição coordenada, levanta dúvidas sobre os custos efetivamente envolvidos e sobre quem financia as atividades.
Outro elemento citado na representação são 14 anúncios relacionados ao Direita Já publicados na página oficial do PL no Facebook. De acordo com os dados apresentados pelos partidos, as campanhas somaram R$ 39.897 em investimentos na plataforma da Meta.
A Federação pede que o PL apresente ao TSE documentos que permitam identificar a origem dos recursos usados na manutenção do projeto. Entre os itens solicitados estão contratos, notas fiscais, recibos e comprovantes de pagamentos referentes ao desenvolvimento da plataforma, à elaboração dos conteúdos e à contratação de serviços.
Também é solicitado que sejam informados os nomes dos colaboradores responsáveis pela produção das peças, dos participantes do programa de influenciadores e dos responsáveis por grupos e canais utilizados para distribuir os materiais.
Para os partidos, a prestação dessas informações é necessária para verificar se recursos públicos destinados à atividade partidária estão sendo empregados em uma estrutura de comunicação voltada à atuação eleitoral.
Federação questiona conteúdos contra Lula e pede remoções
Além das dúvidas financeiras, a representação questiona o conteúdo disponibilizado pelo Direita Já. PT, PCdoB e PV afirmam que parte das peças distribuídas pela plataforma recupera narrativas que já foram analisadas pelo TSE e classificadas pela Corte como falsas ou gravemente descontextualizadas.
Entre os exemplos mencionados estão materiais que procuram associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). A representação também cita conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial, incluindo peças consideradas deepfakes.
Segundo a Federação, a reprodução de materiais que já foram alvo de decisões da Justiça Eleitoral pode representar risco à integridade do processo eleitoral, especialmente quando ocorre dentro de uma estrutura organizada de produção e distribuição.
Os partidos pedem, por isso, que o tribunal determine a retirada dos conteúdos já reconhecidos como desinformação e impeça sua reprodução nos perfis ligados aos participantes da plataforma.
A ação também solicita que sejam identificados os canais de comunicação utilizados para distribuir as peças aos usuários cadastrados. A lista inclui grupos e comunidades em aplicativos e serviços como WhatsApp, Telegram, Discord e e-mail.
Outro pedido é para que o PL esclareça as regras de funcionamento e participação nesses espaços, permitindo verificar como os conteúdos chegam aos usuários e quem coordena sua circulação.
A Federação ainda questiona a utilização do Fundo Partidário. O recurso público é destinado ao funcionamento das legendas e a atividades previstas na legislação, e os partidos autores da representação defendem que sua aplicação precisa ser esclarecida quando vinculada a uma estrutura de comunicação política.
Agora, caberá ao TSE analisar os pedidos apresentados e decidir quais providências serão adotadas para apurar a origem dos recursos, o funcionamento da plataforma e a eventual responsabilidade pela distribuição dos conteúdos questionados.