Senado dos EUA aprova indicado de Trump para embaixador no Brasil

Daniel Perez recebeu aval dos senadores americanos, mas ainda depende do agrément do governo Lula para assumir posto em Brasília
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Aprovação ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasília e Washington. Foto: Câmara da Flórida/Divulgação

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador americano no Brasil. O nome escolhido pelo presidente Donald Trump recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários e foi confirmado dentro de um pacote que reuniu outras 73 nomeações para cargos diplomáticos e administrativos do governo norte-americano. Saiba mais na TVT News.

Apesar da aprovação pelo Legislativo dos Estados Unidos, Perez ainda não está autorizado a assumir a representação diplomática em Brasília. O político republicano depende agora da concessão do agrément, documento pelo qual o governo brasileiro manifesta formalmente sua concordância com a indicação de um embaixador estrangeiro.

O aval brasileiro é uma etapa obrigatória do processo diplomático e segue sob análise do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até o momento, o Itamaraty não concedeu a autorização para que Perez possa avançar nas demais etapas previstas para assumir a chefia da embaixada americana no Brasil.

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A aprovação ocorre em meio a uma crise diplomática entre Brasília e Washington, marcada por divergências sobre o processo de nomeação e por medidas tomadas pelos dois governos nas últimas semanas.

Indicação virou foco de tensão diplomática

A indicação de Daniel Perez se transformou em um dos principais pontos de atrito na relação entre Brasil e Estados Unidos após o governo de Donald Trump anunciar publicamente o nome do indicado antes da conclusão das consultas diplomáticas reservadas.

De acordo com a prática internacional, o país que pretende enviar um embaixador costuma consultar previamente o governo do país receptor, em um procedimento sigiloso, antes de divulgar oficialmente o nome escolhido. O governo brasileiro afirmou que a Casa Branca rompeu esse protocolo ao anunciar Perez antes da conclusão do pedido formal de agrément.

O Palácio do Planalto e o Itamaraty sustentam que o processo segue os procedimentos previstos na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas e destacam que não existe prazo determinado para a concessão da autorização.

Já o governo norte-americano passou a pressionar publicamente Brasília para acelerar a decisão. Autoridades dos Estados Unidos alegaram que houve demora por parte do Brasil e classificaram a situação como um obstáculo para o fortalecimento da relação bilateral.

Revogação de visto ampliou crise entre governos

O impasse ganhou novos contornos nesta semana após o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciar a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.

A medida foi apresentada pelo governo Trump como uma ação de reciprocidade diante da demora brasileira em aprovar a indicação de Daniel Perez. Washington afirmou que a decisão poderia ser revista caso o Brasil concedesse o agrément ao novo embaixador.

O governo brasileiro, no entanto, contestou a justificativa americana e classificou a iniciativa como uma escalada diplomática. Integrantes do Executivo defenderam que a análise da indicação deve seguir os canais institucionais e rejeitaram qualquer tentativa de pressão externa sobre uma decisão soberana do país.

A crise também envolve a negativa do Itamaraty a pedidos de visto para dois diplomatas americanos que pretendiam viajar ao Brasil. Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, os representantes estariam ligados a uma estratégia de Washington para acompanhar questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro. O governo dos Estados Unidos negou essa interpretação.

Governo Lula mantém posição sobre análise de embaixadores

O presidente Lula afirmou nos últimos dias que pretende deixar a análise de novos pedidos de agrément para depois das eleições presidenciais de outubro. A decisão mantém indefinido o futuro de Daniel Perez, mesmo após a aprovação pelo Senado americano.

A avaliação dentro do governo brasileiro é de que uma reação imediata poderia ampliar a crise diplomática e criar um novo ambiente de pressão entre os dois países. A orientação é manter o diálogo institucional e seguir os procedimentos previstos nas normas internacionais.

Com a aprovação pelo Senado dos Estados Unidos, Perez conclui a etapa interna do processo de nomeação no país. Agora, porém, o avanço da indicação depende exclusivamente da decisão brasileira.

Embaixada dos EUA no Brasil está sem titular desde 2025

Caso receba o aval do governo brasileiro, Daniel Perez assumirá uma embaixada que está sem representante titular desde janeiro de 2025, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato na Casa Branca.

Desde então, a representação diplomática dos Estados Unidos em Brasília é conduzida por um encarregado de negócios. A escolha de Perez foi anunciada por Trump em junho como parte de uma série de indicações para postos diplomáticos ao redor do mundo.

O republicano é deputado estadual da Flórida e integrante do Partido Republicano. Sua indicação recebeu apoio da maioria dos senadores americanos, mas também foi alvo de críticas de parlamentares democratas, que questionaram a condução da política externa do governo Trump.

A senadora democrata Jeanne Shaheen criticou a decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira e afirmou que a medida prejudica a relação entre os dois países. Mesmo com as críticas, parte dos democratas votou pela confirmação de Perez, sob o argumento de que o Brasil precisa ter um embaixador americano oficialmente nomeado.

A aprovação no Senado encerra uma fase importante do processo, mas não garante a chegada de Daniel Perez a Brasília. O desfecho da indicação permanece condicionado à decisão do governo brasileiro, em um momento de forte tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos.

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