O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, se reúne nesta sexta-feira (7), em São Paulo, com representantes de centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares para discutir a mobilização pelo fim da escala 6×1. Saiba mais na TVT News.
O encontro acontece às 10h, no escritório da Presidência da República, na Avenida Paulista, e terá como principal pauta a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada de trabalho e o encerramento do modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga apenas um.
Participam da reunião as sete centrais sindicais, além de organizações como Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular, Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A agenda faz parte da articulação entre governo, sindicatos e movimentos sociais para ampliar a pressão sobre o Congresso Nacional pela votação da PEC da 6×1.
Segundo Boulos, o fim da escala 6×1 foi definido como prioridade do governo federal para o segundo semestre de trabalhos no Congresso. O ministro destacou que a decisão não é individual, mas resultado de uma definição tomada em reunião de governo e respaldada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“O governo terá como pauta prioritária. Isso não é apenas a minha opinião, a minha vontade. Isso foi tirado em reunião de governo. Tá chancelado pelo presidente Lula”, afirmou.
Boulos citou outras propostas consideradas relevantes pelo governo, como a discussão sobre minerais críticos e a PEC da Segurança, mas ressaltou que a principal prioridade é a mudança na jornada de trabalho.
Governo quer votação da 6×1 antes das eleições
A estratégia defendida pelo governo e pelas entidades sindicais é evitar que a discussão seja adiada para depois das eleições. Para Boulos, o Congresso precisa votar a proposta para que os trabalhadores possam conhecer a posição de cada parlamentar sobre o tema antes de decidir seus votos nas urnas.
“Ninguém tem o direito de engavetar a liberdade do trabalhador brasileiro. Ninguém tem o direito de engavetar o direito de descanso do trabalhador brasileiro”, afirmou o ministro sobre o fim da 6×1.
Segundo ele, a defesa da votação antes das eleições não é apenas uma posição do governo Lula, mas também dos movimentos sociais e do conjunto do movimento sindical. Boulos ressaltou que senadores e senadoras têm direito de defender posições favoráveis ou contrárias à proposta, mas devem se posicionar publicamente.
Para o ministro, deixar a discussão para depois das eleições pode abrir espaço para alterações no texto. Ele argumentou que uma proposta apoiada por mais de 70% da população poderia sofrer mudanças que prejudiquem os trabalhadores durante o período posterior ao pleito.
“Não se pode empurrar isso com a barriga”, disse Boulos, ao defender que o Senado coloque o tema em votação.
Mobilizações começam na próxima semana
Após a reunião, Boulos afirmou que as organizações apresentaram um calendário de mobilização para pressionar os parlamentares. A primeira etapa está prevista para os dias 10 e 11 de agosto.
No dia 10, as centrais sindicais devem realizar ações descentralizadas em diferentes categorias profissionais. Estão previstas atividades nas portas de fábricas, locais de trabalho, panfletagens e mobilizações nas redes sociais. A proposta é levar a discussão da 6×1 diretamente às bases dos trabalhadores, em vez de concentrar os atos em uma única manifestação.
No dia 11, Dia do Estudante, movimentos estudantis devem promover atividades em universidades, institutos federais e escolas. A intenção é ampliar o debate para além do movimento sindical e envolver estudantes na defesa da redução da jornada.
Uma nova mobilização nacional está prevista para 30 de agosto, domingo que antecede a última semana indicada para a votação da proposta. A expectativa é reunir movimentos sociais e entidades sindicais em ações pelo fim da escala 6×1 em todo o país.
Centrais defendem redução da jornada
Para Adilson Araújo, presidente nacional da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a atual escala beneficia principalmente os empregadores. O dirigente defendeu que o Brasil acompanhe transformações nas relações de trabalho observadas em outros países.
Araújo também relacionou a discussão ao aumento da precarização do trabalho e aos efeitos da reforma trabalhista de 2017. Para ele, reduzir a jornada não significa apenas ampliar o tempo disponível para atividades pessoais, mas garantir melhores condições de vida.
O dirigente sindical citou a possibilidade de os trabalhadores terem mais tempo para conviver com a família, estudar, buscar qualificação profissional, cuidar da saúde e descansar.
Na avaliação de Araújo, o Brasil precisa avançar na discussão sobre a jornada de trabalho e melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), afirmou que a redução da jornada é uma reivindicação histórica do movimento sindical brasileiro. Segundo ele, a discussão existe há mais de um século e ganhou novos contornos com as transformações tecnológicas e econômicas.
Patah também afirmou que o fim da escala 6×1 se tornou uma pauta amplamente apoiada pela população e defendeu que o Senado se sensibilize diante da mobilização social.
Trabalhadores rurais também são afetados
A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vânia Marques, chamou atenção para os impactos da jornada sobre quem trabalha no campo, nas águas e nas florestas.
Segundo ela, trabalhadores responsáveis pela produção de alimentos enfrentam jornadas prolongadas e, em muitos casos, trabalham de domingo a domingo. Vânia também citou a permanência de situações de trabalho escravo e trabalho infantil como problemas que ainda atingem o meio rural brasileiro.
Para a dirigente, a redução da escala 6×1 está ligada à soberania alimentar e à dignidade dos trabalhadores que produzem os alimentos consumidos pela população.
“Queremos sim trabalho digno para essas pessoas”, afirmou Vânia, defendendo que o Senado trate a proposta com urgência.
Pressão sobre os senadores
A mobilização organizada pelas centrais e movimentos populares pretende aumentar a pressão sobre o Senado para que a proposta avance antes das eleições. A estratégia inclui manifestações nas bases, atividades em instituições de ensino, ações digitais e um dia nacional de mobilização.
O objetivo é fazer com que os parlamentares apresentem publicamente sua posição sobre o fim da escala 6×1. Para Boulos, o eleitor precisa ter conhecimento sobre como cada senador votará antes de chegar às urnas.
A reunião desta sexta-feira (7), portanto, marca uma nova etapa da articulação entre governo, sindicatos e movimentos sociais em torno da redução da jornada. A pressão deve continuar nas próximas semanas, com o calendário de mobilizações concentrado entre agosto e o início de setembro.