Itaú Cultural recebe espetáculo que confronta racismo estrutural e disputas por representação

Itaú Cultural recebe espetáculo que debate racismo estrutural, representação e autoria negra
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No Itaú Cultural, montagem coloca em cena vozes negras e questiona quem tem o direito de contar e ocupar o centro das próprias histórias. Foto: Marcelle Cerutti

De 6 a 16 de agosto (quinta-feira a domingo), o Itaú Cultural apresenta o espetáculo As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência, idealizado por Anderson Negreiro, que assina a direção ao lado da diretora colombiana Daniela Manrique. A montagem faz uma reflexão sobre racismo estrutural, representação e o direito à existência e à autoria no Brasil contemporâneo. Saiba mais na TVT News.

A narrativa parte da mescla de Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello, e Os Cães se Calavam, tragédia de Aimé Césaire presente na coletânea de poemas As Armas Milagrosas, que inspira o título da montagem. 

Como todas as atividades do Itaú Cultural, as apresentações são gratuitas. As sessões acontecem de quinta-feira a sábado às 20h, e nos domingos e feriados às 18h.Os ingressos devem ser reservados a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural www.itaucultural.org.br.

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As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência começa como um ensaio convencional da obra de Pirandello. A dinâmica é interrompida quando funcionários do próprio teatro – o porteiro/rebelde, a mãe, a assistente e o ponto – entram em cena para reivindicar o direito de narrar suas próprias histórias. Eles não representam personagens ficcionais. São personagens sociais produzidos pela branquitude e expõem o drama da existência negra no período pós-abolição.

A partir desse encontro, instala-se um embate entre duas formas de compreender o teatro. De um lado, a busca por uma representação controlada, baseada em cenários, figurinos e interpretações convencionais. Do outro, a urgência de experiências marcadas pela violência histórica, pela invisibilização e pela necessidade de ocupar o centro da narrativa. Ao longo da montagem, essas tensões transformam o palco em um espaço de confronto simbólico, no qual novas vozes rompem com as hierarquias tradicionais da representação.

As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência é inspirada em obras do dramaturgo italiano Luigi Pirandello e do poeta, ensaísta e político martinicano Aimé Césaire. Foto: Marcelle Cerutti

Diálogo 

O projeto do espetáculo teve início em 2021, quando o diretor Anderson Negreiro trabalhou com Os Cães se Calavam, texto do escritor Aimé Césaire. Posteriormente, o contato com a obra do autor foi retomado a partir de uma releitura de Seis Personagens à Procura de um Autor, clássico de Luigi Pirandello.

Embora pertençam a contextos históricos e culturais distintos, os dois autores são aproximados pela montagem por compartilharem questões relacionadas à existência, à autoria e às disputas em torno de quem pode ocupar o espaço da representação. Dessa aproximação nasce uma metaficção que atualiza esses debates para refletir sobre o racismo estrutural no Brasil contemporâneo.

Luz, espaço e visibilidade

Sem cenário fixo, As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência utiliza poucos adereços cênicos, fazendo da iluminação seu principal elemento dramatúrgico e visual. O desenho de luz, criado por Matheus Brant, indicado ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Iluminação pelo trabalho desenvolvido para a montagem, organiza o espaço a partir de um cubo central iluminado, dividindo o centro e a margem.

No interior desse espaço permanecem representantes alegóricos da branquitude. Fora dele estão os funcionários negros do teatro, que operam o espaço cênico e buscam atravessar essa fronteira luminosa. “A luz é a dramaturgia que revela a separação dos corpos. É por meio dela que a gente torna visível uma estrutura que normalmente não se vê: o racismo que organiza quem está no centro e quem fica à margem”, afirma Negreiro.

Ao longo da encenação, a iluminação evidencia essas relações de poder e reforça o deslocamento das hierarquias tradicionais da cena. Assim, o espetáculo transforma o fazer teatral em objeto de reflexão, expondo mecanismos de invisibilização que atravessam a sociedade brasileira.

SERVIÇO

Espetáculo As Armas Milagrosas: seis personagens à procura da existência

De 6 a 16 de agosto (quintas-feiras a sábados, às 20h, e domingos e feriados, às 18h)

No Itaú Cultural

Auditório (piso térreo)

Capacidade: 224 lugares

Duração: 95 minutos

Classificação indicativa: 14 anos

Entrada gratuita. Reservas de ingressos a partir da terça-feira da semana da apresentação, às 12h, na plataforma INTI – acesso pelo site do Itaú Cultural

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