O grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial neste domingo (16) à justiça de São Paulo. A Casas Bahia tem uma dívida de R$17,3 bilhões, e o pedido envolve dez empresas do grupo, como as responsáveis pelas Casas Bahia, Ponto Frio e o comércio eletrônico Extra.com. Saiba mais na TVT News.
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação para empresas que enfrentam dificuldades financeiras e precisam reorganizar suas dívidas para tentar manter as atividades. O pedido ainda será analisado pela Justiça e não significa que as lojas ou os serviços da companhia serão automaticamente interrompidos.
O pedido ainda precisa ser analisado pela justiça. Entre as medidas solicitadas pelas Casas Bahia estão a suspensão de execuções por 180 dias e a preservação do fluxo de recebíveis, com o objetivo de manter as operações durante a reorganização financeira.
Para o consumidor, o processo não significa o fim automático das atividades da empresa nem a suspensão de direitos relacionados às compras.
Para os consumidores, a principal dúvida é saber se a crise financeira da empresa altera compras já realizadas, pagamentos, entregas e garantias.
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Como o pedido da Casas Bahia afeta o consumidor?
Quem comprou um produto, recebeu a mercadoria e ainda está pagando as parcelas deve continuar cumprindo normalmente as obrigações previstas no contrato. O pedido de recuperação judicial não cancela as dívidas do consumidor.
Isso vale, por exemplo, para quem possui carnê ou financiamento relacionado a uma compra realizada nas lojas do grupo. A recuperação judicial trata da reorganização das dívidas das empresas e não modifica automaticamente os compromissos assumidos pelos clientes.
Quem fez uma compra, mas ainda aguarda a entrega deve acompanhar o prazo informado pela empresa e guardar documentos como nota fiscal, comprovantes de pagamento e número do pedido.
Caso a Casas Bahia não cumpra a oferta, o consumidor pode exigir a entrega do produto, aceitar uma mercadoria equivalente ou cancelar a compra e solicitar a restituição dos valores pagos, conforme as regras do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
O próprio grupo pediu à Justiça medidas para preservar a operação e garantir a entrega de mercadorias já adquiridas que estejam em trânsito com fornecedores.
No caso de produtos que apresentem problemas, a recuperação judicial também não elimina os direitos previstos no CDC.
Em regra, o fornecedor tem até 30 dias para solucionar um defeito. Se o problema não for resolvido nesse período, o consumidor pode escolher entre receber outro produto, ter o dinheiro devolvido ou obter abatimento proporcional do preço.
Dependendo do caso, também é possível procurar diretamente o fabricante ou uma assistência técnica autorizada. Se a empresa responsável pela venda fechar uma unidade, a obrigação de atender o consumidor não desaparece.
Quando não houver solução pelos canais de atendimento, o consumidor pode procurar órgãos de defesa do consumidor ou recorrer à Justiça.
O consumidor não fica impedido de recorrer ao Judiciário por causa da recuperação judicial. É possível buscar o reconhecimento de direitos e cobrar o cumprimento das obrigações da empresa. No entanto, caso haja um valor a receber que esteja sujeito ao processo de recuperação, o pagamento deverá respeitar as regras definidas no plano.
Antes de recorrer à Justiça, o consumidor também pode procurar os canais oficiais da empresa e os órgãos de defesa do consumidor.
Dinheiro a receber pode seguir o plano de recuperação
O consumidor não perde automaticamente valores a que tenha direito a receber por causa da recuperação judicial. No entanto, também não existe garantia de que uma eventual dívida da empresa será quitada imediatamente ou pelo valor integral.
A situação depende da origem do crédito e da data em que surgiu a obrigação. Caso o valor devido esteja submetido à recuperação judicial, o pagamento deverá seguir as condições estabelecidas no plano apresentado pela empresa e aprovado pelos credores e pela Justiça.
Esse plano pode estabelecer novos prazos e formas de pagamento e, dependendo da categoria do crédito, prever descontos.
Crise financeira levou grupo Casas Bahia a pedir proteção
O pedido apresentado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo envolve dez empresas do grupo e uma dívida total de R$ 17,3 bilhões.
Do montante, R$ 16,4 bilhões são referentes a credores quirografários, R$ 754 milhões correspondem a dívidas trabalhistas e R$ 154 milhões são devidos a microempresas e empresas de pequeno porte.
Entre os fatores apontados pela companhia para a crise estão os juros elevados, a restrição de crédito, o aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o consumo.
No segundo trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões, contra R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Com o resultado, o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,1 bilhões.
A empresa já havia realizado uma recuperação extrajudicial em 2024, que reestruturou R$ 4,8 bilhões em dívidas financeiras.
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