SUS leva quase 4 mil atendimentos e exames especializados a comunidades indígenas no Amazonas

Ações realizadas em agosto ampliam o acesso à saúde especializada nos próprios territórios e reduzem a necessidade de deslocamentos para centros urbanos
Foto: João Risi/MS

O Sistema Único de Saúde (SUS) está levando atendimento médico especializado e exames a comunidades indígenas do Amazonas ao longo do mês de agosto. As ações alcançam povos em diferentes regiões do estado e também indígenas Yanomami acompanhados em Boa Vista (RR). Leia em TVT News.

Ao todo, as iniciativas previstas e realizadas somam quase 4 mil atendimentos e exames, com o objetivo de ampliar o acesso à assistência diretamente nos territórios.

Uma das principais ações ocorre na região de Marauiá, no Amazonas, onde os atendimentos seguem até 30 de agosto. A previsão é realizar 800 consultas especializadas, distribuídas entre oftalmologia, pediatria e saúde da criança, ginecologia e saúde da mulher e clínica médica.

Também estão programados 1.480 exames. Desse total, 1 mil são oftalmológicos, 300 voltados à saúde da mulher, 100 hemogramas e 80 ultrassonografias.

A ação reúne a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e a Associação Médicos da Floresta (AMDAF).

Atendimento dentro dos territórios

A estratégia busca enfrentar uma das principais dificuldades para o acesso à saúde especializada entre populações indígenas no Amazonas: as grandes distâncias entre as comunidades e os centros onde estão concentrados serviços de média e alta complexidade.

Em diversas regiões, o deslocamento depende de transporte fluvial ou aéreo. Quando um atendimento não pode ser realizado no território, pacientes podem precisar ser encaminhados para municípios como São Gabriel da Cachoeira e Manaus, além de outras localidades.

Ao levar consultas e exames às comunidades, as expedições permitem solucionar parte dessas demandas sem que pacientes precisem percorrer longas distâncias. A medida também reduz os riscos associados às remoções e facilita o acompanhamento dos casos pelas equipes que já atuam nos territórios indígenas.

Segundo a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé, a presença dos serviços especializados nas comunidades contribui para ampliar o acesso e considerar as especificidades de cada povo.

A iniciativa também fortalece o trabalho das Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI), responsáveis pelo atendimento cotidiano das populações. Com mais recursos para diagnóstico e tratamento próximos às comunidades, as equipes podem acompanhar os casos e encaminhar à Rede de Atenção à Saúde aqueles que exigirem cuidados complementares.

Em Marauiá, a ação também tem atenção voltada a agravos prioritários e à saúde materno-infantil.

Atendimento a indígenas Yanomami

Entre 20 e 25 de agosto, outra frente de atendimento especializado foi realizada na Casa de Saúde Indígena (Casai) Yanomami, em Boa Vista. A iniciativa envolveu a AgSUS, o Hospital Israelita Albert Einstein, a Sesai e o DSEI Yanomami.

O distrito sanitário atende 34.920 indígenas, distribuídos em 429 aldeias e 37 polos-base. A área de abrangência chega a 96.649 quilômetros quadrados, com acesso às comunidades realizado em 98% dos casos por via aérea.

Nesse contexto, a Casai funciona como estrutura de apoio para pacientes e acompanhantes que precisam chegar a consultas, exames, internações e tratamentos de média e alta complexidade oferecidos pelo SUS.

Antes da expedição, havia 312 pacientes em acompanhamento ou aguardando consultas especializadas na unidade. As principais demandas estavam relacionadas às áreas de pediatria e infectologia.

Durante a ação, foram oferecidos atendimentos em pediatria e saúde da criança, ginecologia e obstetrícia, infectologia, ortopedia e radiologia. Também foram realizadas teleinterconsultas em infectologia, neurologia adulta e pediátrica, cirurgia geral e dermatologia.

Mais de mil atendimentos no território Pirahã

Outra ação ocorreu no início de agosto no território do povo indígena Pirahã, no sul do Amazonas. Durante oito dias, foram realizados 1.155 atendimentos, entre consultas e exames, para 478 indígenas que vivem na região.

A iniciativa teve caráter eletivo e foi organizada para ampliar a oferta de serviços especializados e reduzir a demanda reprimida existente no território.

A realização dos atendimentos diretamente nas comunidades permite que necessidades de saúde sejam identificadas e tratadas mais perto do local onde vivem os pacientes. Também possibilita que situações que exigem acompanhamento continuado sejam integradas à rede de serviços do SUS.

Política de saúde indígena

As ações estão relacionadas à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e ao Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS). Também fazem parte das iniciativas do Programa Agora Tem Especialistas, instituído pela Lei nº 15.233, de 7 de outubro de 2025.

A oferta de consultas, exames e teleatendimentos nos territórios procura enfrentar desigualdades de acesso provocadas pelas características geográficas da região amazônica. Para populações que vivem em áreas remotas, a distância até os serviços de saúde pode representar uma barreira adicional ao atendimento.

Com as expedições, o SUS amplia a presença da atenção especializada junto às comunidades e articula os resultados dos atendimentos com a rede de saúde. A proposta é evitar deslocamentos que possam ser substituídos por atendimento no próprio território, mantendo os encaminhamentos para outras localidades quando houver necessidade de procedimentos ou tratamentos que não estejam disponíveis nas comunidades.

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