Preço da cesta básica cai em 25 capitais brasileiras em agosto

Levantamento da Conab e do Dieese aponta redução do custo dos alimentos integrantes da cesta básica em 25 das 27 capitais pesquisadas
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Levantamento da Conab e do Dieese aponta redução do custo dos alimentos integrantes da cesta básica em 25 das 27 capitais pesquisadas. Foto: Ricardo Stuckert

O preço da cesta básica de alimentos caiu em 25 das 27 capitais brasileiras entre julho e agosto de 2026, segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada nesta quinta-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Leia em TVT News.

As maiores reduções foram registradas em Rio Branco (-4,68%), Manaus (-4,55%), Boa Vista (-4,47%), Aracaju (-3,89%) e Cuiabá (-3,37%).

A queda atingiu diversos produtos presentes na alimentação cotidiana. O preço da batata recuou em todas as capitais do Centro-Sul onde o produto é pesquisado, com redução de até 34% em Brasília. O café em pó ficou mais barato em 23 das 27 capitais, enquanto o tomate teve queda em 22 e o feijão, em 20.

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Inflação dos alimentos

A redução observada em agosto ocorre em um cenário de desaceleração da inflação dos alimentos. Durante evento realizado em Teresina (PI), na quarta-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou os índices acumulados em diferentes períodos de governo.

Segundo os números apresentados por Lula, a inflação dos alimentos acumulada em quatro anos chegou a 56% na gestão anterior, enquanto o acumulado nos quatro anos seguintes foi de 13,6%.

“Eu sei que o alimento não está barato, mas vocês sabem qual era a inflação de alimentos em quatro anos do governo passado? 56%. Sabe qual é a inflação em quatro anos do nosso governo? 13,6%”, afirmou.

Apesar da desaceleração, os preços dos alimentos continuam representando um dos principais componentes do orçamento das famílias, especialmente entre os domicílios de menor renda.

Políticas para a agricultura familiar

Entre as políticas públicas relacionadas ao abastecimento está o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que conecta produtores da agricultura familiar a instituições como escolas públicas, hospitais, cozinhas solidárias e organizações sociais.

Também foram ampliados os recursos destinados à agricultura familiar por meio do Plano Safra. Outra medida citada no texto é a retomada dos estoques reguladores, utilizados para ajudar a equilibrar a oferta e os preços de produtos em períodos de escassez.

Mudanças na tributação

A reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional também prevê mudanças na tributação dos alimentos. A partir de janeiro de 2027, os produtos incluídos na cesta básica nacional terão alíquota zero dos novos tributos sobre o consumo.

A legislação também estabelece um mecanismo de devolução de parte dos impostos, o chamado cashback, para famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), em despesas de consumo como água e energia elétrica.

Preços e renda durante a pandemia

O comportamento recente dos preços contrasta com o período de inflação elevada registrado durante a pandemia de Covid-19. Em 2020, o grupo Alimentação e bebidas acumulou alta de 14%.

Alguns produtos tiveram aumentos ainda maiores naquele período. O óleo de soja subiu 103%, o arroz, 76%, o leite longa vida, 27%, e as carnes, 187%. Em 2021, o café moído aumentou 50%, a mandioca, 48%, e o açúcar, 47%.

A pressão sobre o orçamento das famílias ocorreu simultaneamente à redução da renda. Em 2021, o rendimento médio mensal real domiciliar por pessoa caiu 6,9%, passando de R$ 1.454 para R$ 1.353, segundo os dados mencionados no texto. Foi o menor valor da série histórica da PNAD Contínua até aquele momento.

Entre os 50% da população com menor renda, a queda do rendimento médio chegou a 15% naquele ano.

Redução das embalagens

A combinação de preços elevados e perda de poder de compra também contribuiu para a disseminação da chamada “reduflação”. A prática consiste em reduzir a quantidade ou o volume de um produto na embalagem sem uma diminuição proporcional do preço.

Em setembro de 2021, o governo editou uma norma para determinar que fornecedores informassem de maneira ostensiva quando houvesse redução na quantidade comercializada.

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