O SBT Brasil recebe, nesta quinta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição à Presidência da República, em mais uma edição da série especial de entrevistas com os concorrentes ao Palácio do Planalto. Leia em TVT News.
A conversa foi exibida das 20h às 20h30, durante o principal telejornal do SBT. Após a transmissão, a entrevista também é reprisada na programação do SBT News.
O conteúdo está disponível na transmissão ao vivo do YouTube do SBT Jornalismo e na plataforma de streaming +SBT, ampliando as formas de acesso do público à entrevista.
Realizada diretamente do Palácio da Alvorada, em Brasília, a entrevista é conduzida pelas jornalistas Basília Rodrigues e Marina Demori. Entre os temas previstos estão o plano de governo apresentado por Lula e as expectativas do presidente para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Veja abaixo quais foram os principais tópicos da entrevista
Momento de crise no STF: como isso impacta a campanha?
Ao ser questionado sobre a crise no STF, Lula diz que acredita que a atuação da Suprema Corte não deveria impactar no processo eleitoral, mas compreende, no entanto, que é algo inevitável.
Sobre a crise envolvendo os ministros Mendonça e Moraes, Lula defendeu a postura de Fachin, o presidente do Supremo.
“Eu acho que o Fachin agiu corretamente ontem, ele vai ter que colocar ordem na casa e fazer com que a Suprema Corte faça um processo de apuração para que ela recupere o prestígio entre a sociedade brasileira. (…) Eu ontem conversei com o Fachin e tem que fazer abertura do sigilo de todo mundo”, disse Lula.
“Tem que fazer a abertura do sigilo de todo mundo”, Lula sobre os ministros do STF
Lula acredita que o STF é uma instituição que deveria ser exemplar para a sociedade brasileira e por isso ela precisa recuperar seu prestígio e credibilidade. “Não é possível que fiquem os ministros do supremo um acusando o outro e dando declaração sobre o outro”, concluiu Lula.Lula foi questionado se concorda que o ministro Alexandre de Moraes tenha que ser investigado: “Veja, todo mundo tem que ser investigado”, disse o presidente
Lula defendeu a quebra de sigilo do caso Master e INSS
Sobre o Master e o caso do INSS, Lula criticou investigações sigilosas, para ele as investigações devem ser tornadas públicas. “Eu sou favorável para abrir tudo, toda vez que tiver uma denúncia envolvendo o poder judiciário e a política é muito melhor que se abra para todo mundo saber o que está acontecendo”.
“A lei acima de tudo e a verdade soberana”, disse Lula
Como o Banco Master e a crise do Supremo Tribunal Federal afeta as eleições de 2026?
Lula acredita que existe impacto, porque existem pessoas na corrida eleitoral comprometidas com o Banco Master e que sabe de todo o processo de corrupção que envolve muita gente.
Para Lula, é papel da Polícia Federal esclarecer e tornar os envolvidos públicos, mas que para isso ela precisa de autonomia e liberdade para investigar.
Lula teve a oportunidade de esclarecer sobre a reunião com o presidente do Banco Central e o Vorcaro. Na ocasião o ex-banqueiro buscou Lula para dizer que estava sendo perseguido e o presidente da República argumentou que ele não estava sendo perseguido, mas sim sendo investigado como qualquer um.
Sobre a atuação de Jorge Messias no caso de Andrei Rodrigues, diretor da Polícia Federal que teve pedido de afastamento do ministro Mendonça
Lula defendeu que Jorge Messias agiu de acordo com a sua orientação, que se trata de uma relação institucional e não pessoal.
Como deve ser a relação do presidente com o STF?
“É preciso realizar uma reforma no judiciário e criar critérios”, defendeu Lula. O presidente acredita que é preciso pensar em mandatos e não um cargo vitalício, mas disse que não sabe se essas propostas vão entrar no plano de governo.
Lula diz que ainda precisa consultar a sociedade e qual a opinião dela sobre o STF e como lidar com a questão do judiciário.
“Eu não sou presidente de mim mesmo, eu sou presidente de mais de 200 milhões de habitantes”, disse Lula.
Segurança Pública e Educação: mais investimentos?
Lula acredita que cabe na conta ampliar os investimentos em segurança e educação.
“Se você analisar tudo que aconteceu na educação desse país, você vai me eleger como o homem da educação desse país… Eu sou o presidente que mais fez universidades, que mais fez extensões universitárias, que mais fez institutos federais, que mais colocou estudante em escola de tempo integral e que fez o pé de meia. Ou seja, o que você pensar em educação nesse país fomos nós quem fizemos.
Eu herdei 140 institutos federais e vou entregar 802 e quero chegar a mil. De 380 campi das universidade Federais da história do Brasil, 200 fui eu que fiz.
Quando a gente fala em educação, eu quero dizer o seguinte: um preso em um presídio de segurança máxima custa 40 mil reais por ano. Um estudante para fazer engenharia espacial na universidade federal do ABC custa só 20 mil reais. Um preso na polícia comum de São Paulo custa 35 mil reais por ano, um estudante para fazer um curso no Instituto Federal custa só 16 mil reais.
Isso significa que custa muito mais barato evitar que as pessoas virem bandidas do que fazer cadeia depois. Não existe na história da humanidade nenhum país que deu certo sem investimento na educação. Eu quero que o filhod o trabalhador tenha o mesmo direito que o filho do rico”, disse Lula.
Lula defendeu que a educação é sua prioridade e que primeiro ele irá cumprir o plano que foi aprovado no Congresso Nacional com as escolas de tempo integral e que quer fazer cursos inovadores nas universidades brasileiras, como cursos sobre inteligência artificial e minerais críticos.
“Para mim investimento em educação é investimento, gasto é em cadeia”, disse Lula
Quando questionado sobre o orçamento, Lula relembrou que ele sempre se preocupou com o superávit e que não seria agora que ele deixaria um déficit nas contas brasileiras, que foi como ele encontrou quando assumiu a presidência.
“A última vez que esse país cresce acima de 10% foi em 2010 e de lá pra cá a única vez que ele voltou a crescer acima de 10% foi agora que eu voltei para a presidência”, relembrou.
BTG Pactual: número de benficiários do Bolsa Família que votariam em Lula cai
“Pesquisa não me abala, ela é um reflexo sobre o que você pode fazer daqui para frente. (…) Se eu for ficar em cima de pesquisa analisando em morro e não faço campanha.
“O crescimento do PIB não pode ir para os ricos de sempre, no meu governo a gente não vai ficar discutindo ajuste fiscal, ajuste fiscal eu faço na prática”, disse Lula
Lula relembra que herdou uma inflação de alimento de 56% do governo Bolsonaro e que em seu governo a inflação está em 13%.
“A nossa briga é continuar crescendo para gerar emprego e mais crescimento na renda e poder aquisitivo. E com todo o respeito aos meus adversários, só eu posso fazer isso, ninguém mais pode fazer”, disse Lula.
E sobre a segurança pública?
Lula relembrou como a constituição de 1988 definiu o papel do município e do Estado na Segurança Pública e que a União não teria nenhum papel na segurança. Para o candidato, é necessário definir o papel da União do Estado e Município. Seu plano é criar uma guarda naiconal, investir mais na inteligência para, assim, combater o crime organizado e as facções.
Lula participa de série com candidatos à Presidência

A participação de Lula integra a série “Entrevista SBT Brasil – candidatos à Presidência”, organizada pela emissora durante o período eleitoral.
Além do presidente e candidato do PT, o SBT prevê entrevistas com outros cinco nomes que disputam a Presidência da República: Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
A série abre espaço para que os candidatos apresentem suas posições e propostas ao eleitorado em um dos principais telejornais da televisão brasileira. No caso de Lula, a entrevista ocorre em meio à campanha pela reeleição e deve abordar tanto as propostas para um eventual novo mandato quanto o cenário eleitoral às vésperas do primeiro turno.