Procurador-geral da Bolívia que investigava Cerimedo é preso após EUA cancelarem seu visto

Roger Mariaca investigava o argentino Fernando Cerimedo, ligado a políticos de direita da América Latina; governo boliviano afirma que operação mira uma suposta organização criminosa
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Roger Mariaca investigava o argentino Fernando Cerimedo, ligado a políticos de direita da América Latina; governo boliviano afirma que operação mira uma suposta organização criminosa. Foto: TV Brasil/Reprodução

O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, que investigava o consultor da extrema-direita Fernando Cerimedo, foi detido na noite de quarta-feira (30) no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz, dois dias depois de os Estados Unidos anunciarem a revogação de seu visto. O procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, também foi preso. Leia em TVT News.

A operação policial ocorreu em diferentes pontos do país e atingiu instalações do Ministério Público e autoridades públicas. O governo boliviano afirma que as ações fazem parte de uma investigação sobre uma suposta estrutura criminosa envolvendo integrantes do sistema de Justiça e acusa Mariaca de manter vínculos com o narcotráfico.

A Procuradoria-Geral, por sua vez, classificou a prisão de Mariaca como um “sequestro” e denunciou uma suposta violação de direitos. Funcionários da instituição afirmaram que não haviam sido informados sobre os fundamentos da operação.

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Investigação envolvendo Fernando Cerimedo

Mariaca estava à frente de investigações que envolviam autoridades políticas e empresários. Entre os casos conduzidos pelo Ministério Público boliviano estava o processo contra o argentino Fernando Cerimedo, consultor político que atuou em campanhas e estratégias digitais de integrantes da direita latino-americana.

Cerimedo ganhou notoriedade no Brasil após as eleições de 2022, quando participou de uma transmissão na internet em que questionou, sem apresentar provas, o resultado das urnas. Ele também manteve relações profissionais com grupos políticos ligados ao presidente argentino, Javier Milei, e ao boliviano Rodrigo Paz.

Na Bolívia, Cerimedo responde a investigações por suspeita de tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito e outros crimes. Ele está em prisão preventiva.

Ao comentar a decisão dos Estados Unidos de retirar seu visto, Mariaca afirmou que algumas das investigações conduzidas pelo Ministério Público tinham repercussão internacional e citou diretamente o caso Cerimedo. O procurador acusou Washington de exercer pressão sobre instituições bolivianas e disse que não interromperia as apurações.

EUA acusam procurador de corrupção

A retirada do visto de Mariaca foi anunciada pelo governo de Donald Trump em uma lista que incluiu autoridades e empresários de países latino-americanos.

O Departamento de Estado americano acusou o procurador de corrupção e afirmou que ele teria recebido subornos para facilitar atividades relacionadas ao narcotráfico e ajudar criminosos a escapar da Justiça. As acusações foram negadas por Mariaca, que classificou a medida como interferência política.

Além de Mariaca, Zeballos também teve o visto cancelado pelos Estados Unidos e acabou detido durante a operação realizada na Bolívia.

Governo fala em rede ligada ao narcotráfico

O ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou que Mariaca seria um dos integrantes de uma estrutura criminosa instalada dentro do Ministério Público. Segundo o governo, a operação também está relacionada ao narcotraficante uruguaio Sebastián Marset.

Marset foi capturado na Bolívia em março e posteriormente levado aos Estados Unidos. Horas antes das prisões, circulou um vídeo no qual o narcotraficante aparece afirmando ter proximidade com Mariaca. A autenticidade da gravação, porém, não foi verificada de forma independente pela AFP.

Também foram divulgadas acusações de que Mariaca teria recebido dinheiro para oferecer proteção a Marset. As declarações partiram do próprio narcotraficante e são investigadas pelas autoridades bolivianas.

A operação policial incluiu buscas em unidades do Ministério Público em Sucre e Santa Cruz, além de uma ação na residência de Mariaca. Outras pessoas ligadas à instituição também foram detidas.

A Procuradoria-Geral contestou a forma como as prisões foram realizadas e afirmou que policiais entraram em suas dependências sem apresentar formalmente documentos que justificassem as buscas e detenções.

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