Em vídeo, Celso Rocha de Barros critica cobertura jornalística do cancelamento do debate da Globo

Sociólogo, Barros questiona análise de comentaristas que classificaram episódio como censura e compara tratamento dado às decisões do STF com a cobertura das ameaças de ruptura democrática
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Sociólogo, Barros questiona análise de comentaristas que classificaram episódio como censura e compara tratamento dado às decisões do STF com a cobertura das ameaças de ruptura democrática. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O sociólogo e colunista Celso Rocha de Barros criticou a cobertura jornalística sobre o cancelamento do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo na quinta-feira (1º). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele contestou a forma como parte dos comentaristas políticos interpretou o episódio e afirmou que análises que classificaram a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) como censura desconsideram o contexto da eleição de 2026.

Na avaliação de Celso, transformar o episódio em uma crise institucional e atribuir o cancelamento exclusivamente à atuação do Judiciário distorce a compreensão do que ocorreu, em crítica dirigida principalmente à imprensa e aos profissionais de análise política.

Crítica ao enquadramento jornalístico

No vídeo, Celso reage especificamente à cobertura que classificou como “censura” as decisões judiciais relacionadas ao debate.

Ele também menciona editoriais que compararam a atuação do STF no episódio às ações que Jair Bolsonaro pretendia adotar caso tivesse conseguido concretizar uma ruptura institucional após as eleições de 2022.

Para Barros, essa comparação elimina diferenças fundamentais entre uma decisão judicial tomada durante uma eleição e uma tentativa de ruptura da ordem democrática, além de enfatizar o fato de que “o Brasil está sob ameaça de intervenção americana e os golpistas de 2022 tem uma possibilidade real de chegar ao poder”.

“Você não pode ser analista de política brasileira. Você não estudou o suficiente para ser analista de política brasileira”, afirmou Celso, em dura crítica a profissionais que teriam feito essa leitura.

Vídeo comenta cancelamento de debate da Globo após justiça determinar participação de Renan Santos e vedar a manutenção de púlpitos vazios

O debate da Globo que ocorreria no dia 1º de outubro foi cancelado após Flávio Bolsonaro também desistir de participar.

A desistência de Flávio veio após duas decisões judiciais sobre o debate.

Uma delas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), emitida pela ministra Estela Aranha, impediu a Globo de exibir o púlpito vazio destinado ao presidente, em resposta a representação da campanha de Lula perante o tribunal.

Outra decisão, desta vez no âmbito do Supremo Tribunal Federal, emitida pelo ministro Gilmar Mendes, do STF, autorizou a participação de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. A inclusão modificou novamente a configuração do programa.

Flávio Bolsonaro anunciou então que não participaria e criticou as decisões judiciais. Foi nesse contexto que parte da cobertura política do país passou a discutir a atuação do STF e do TSE sobre o debate eleitoral.

Vídeo traz contexto mais amplo da eleição de 2026

Além do episódio específico da Globo, Celso afirma que a cobertura das eleições precisa considerar o cenário político mais amplo.

Ao mencionar a pressão do governo de Donald Trump sobre o Brasil e a possível ascensão ao poder dos grupos associados às tentativas de ruptura institucional de 2022, Barros questiona o que considera uma inversão de prioridades na análise jornalística: em vez de concentrar a atenção apenas nas decisões tomadas durante o episódio do debate, comentaristas deveriam contextualizar essas decisões dentro das disputas institucionais e eleitorais do país.

“Você não tem consciência do que é comentar as eleições 2026 enquanto o Brasil está sob ameaça de intervenção americana e os golpistas de 2022 têm uma possibilidade real de chegar ao poder”, afirmou.

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