Mudança de votos no segundo turno pode acontecer se diminuir a abstenção recorde de 21,08%

Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram no primeiro turno
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Mais de 33 milhões de eleitores não compareceram no primeiro turno; TSE promete reforçar ações para estimular participação e diminuir abstenção na votação de 25 de outubro. Foto: Luiz Roberto/TSE

O resultado das eleições de 2026 ainda pode ganhar novos contornos no segundo turno. Isso porque 33,4 milhões de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado no domingo (4). O número representa 21,08% do eleitorado apto e é o maior índice de abstenção registrado em um primeiro turno de eleições gerais desde 1998. Leia em TVT News.

A possibilidade de uma maior participação no segundo turno pode alterar a distribuição dos votos entre os candidatos que seguem na disputa. Com uma diferença apertada entre os concorrentes, eleitores que não votaram na primeira etapa podem ter peso importante no resultado final.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral pretende intensificar as ações para estimular o comparecimento no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Segundo ele, a taxa de pouco mais de 21% ficou dentro do esperado, mas ainda está acima do que seria considerado ideal.

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Mais de 33 milhões ficaram fora da votação

O país tinha 158,7 milhões de eleitores aptos a votar no primeiro turno. Cerca de 125 milhões compareceram às urnas, enquanto 33,4 milhões não participaram da votação.

Além da abstenção, foram registrados 2,2 milhões de votos em branco e 3,6 milhões de votos nulos.

O índice deste ano superou o registrado no primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. Naquele pleito, a abstenção ficou em torno de 21% e também voltou a cair na segunda etapa da eleição.

TSE quer aumentar comparecimento

Nunes Marques afirmou que o tribunal pretende aperfeiçoar os mecanismos utilizados para estimular os eleitores a comparecerem às urnas. Entre os públicos que devem receber atenção especial estão os idosos.

Segundo o presidente do TSE, a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos chega a índices elevados. Nessa faixa etária, o voto é facultativo.

A Justiça Eleitoral também deve reforçar a comunicação para lembrar que quem não votou no primeiro turno ainda pode participar normalmente do segundo, desde que esteja com o título eleitoral regularizado. Cada turno é considerado uma eleição independente.

Ausentes podem influenciar resultado

O elevado número de eleitores que não participaram da primeira votação chama atenção principalmente porque as eleições presidenciais podem ser decididas por margens relativamente pequenas.

Em 2026, a disputa pela Presidência terá Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Nesse cenário, a mobilização de eleitores que não compareceram à primeira etapa pode se tornar uma das estratégias das campanhas.

Além dos eleitores ausentes, os candidatos terão de disputar o voto de quem participou do primeiro turno, mas escolheu candidatos que ficaram fora da segunda etapa.

Abstenção varia entre os estados

O comportamento do eleitorado não foi uniforme em todo o país. Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo registraram os maiores índices de abstenção no primeiro turno.

Na outra ponta, Ceará, Roraima, Piauí e Sergipe tiveram as menores taxas de eleitores ausentes.

Os dados disponíveis de eleições anteriores indicam ainda diferenças importantes de participação conforme idade e escolaridade. Em 2022, por exemplo, a abstenção foi especialmente alta entre eleitores com menor nível de escolaridade e entre algumas faixas etárias. O perfil detalhado dos ausentes de 2026 ainda não foi divulgado pela Justiça Eleitoral.

Segundo turno será em 25 de outubro

A votação do segundo turno acontece no domingo, 25 de outubro. Os eleitores que não compareceram no primeiro turno não ficam impedidos de votar na segunda etapa, desde que a situação eleitoral esteja regular.

Com a promessa do TSE de ampliar as ações para reduzir a abstenção, as campanhas também terão uma nova tarefa: convencer quem ficou fora da primeira votação a retornar às urnas, já que mobilizar os mais de 33 milhões de eleitores ausentes pode mudar a correlação de forças na disputa presidencial.

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