Peste: depois de dizer que o risco é baixo, OMS pede transparência da Rússia

Organização quer esclarecer causa da morte de funcionária de instituto especializado na doença e relatos sobre possível segundo caso de peste na Sibéria
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Organização quer esclarecer causa da morte de funcionária de instituto especializado na doença e relatos sobre possível segundo caso de peste na Sibéria. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu à Rússia mais informações sobre a morte de uma funcionária de um instituto de pesquisa sobre peste na região de Irkutsk, na Sibéria. O pedido ocorre um dia depois de a entidade afirmar que, com base nos dados disponíveis, o risco para a população era baixo. Leia em TVT News.

A funcionária, Daria Shipilova, de 28 anos, morreu na sexta-feira (2), após apresentar um quadro grave de pneumonia. Ela trabalhava em uma instituição dedicada ao estudo de patógenos perigosos, incluindo a bactéria causadora da peste. Até o momento, a causa da morte não foi oficialmente confirmada.

Na terça-feira (6), a OMS havia informado que sua avaliação inicial apontava risco entre moderado e baixo para a região de Irkutsk, baixo para a Rússia como um todo e muito baixo para a região europeia. A organização também informou que os contatos da funcionária estavam sendo monitorados e que nenhum havia apresentado sintomas.

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OMS quer esclarecer informações

Em declaração divulgada nesta quarta-feira (7), o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização solicitou informações adicionais às autoridades russas.

O objetivo é esclarecer a causa da pneumonia grave que levou à morte da funcionária, identificar qual agente infeccioso teria motivado as medidas de saúde pública e verificar relatos sobre uma segunda pessoa com pneumonia de origem ainda desconhecida.

Tedros afirmou que o compartilhamento de informações de maneira rápida, completa e transparente é necessário para esclarecer versões conflitantes e permitir uma avaliação adequada dos possíveis riscos à saúde pública.

Rússia afirma que não há casos confirmados

As autoridades russas informaram à OMS que não foram registrados casos de peste em Irkutsk. Segundo a comunicação enviada à organização, as pessoas que tiveram contato com a funcionária foram identificadas, submetidas a testes e não apresentaram agentes causadores de doenças infecciosas perigosas.

O órgão russo de vigilância sanitária, Rospotrebnadzor, também informou que não havia identificado casos de peste entre os contatos da funcionária. O governo russo afirma que ela morreu de pneumonia de origem ainda não determinada.

O Kremlin, por sua vez, declarou que Moscou forneceu à OMS as informações exigidas pelos protocolos internacionais. O porta-voz Dmitry Peskov também criticou relatos da imprensa sobre a situação e pediu que as informações oficiais das autoridades sanitárias russas sejam consideradas como referência.

Quarentena e investigação

A morte da funcionária levou as autoridades a identificar e acompanhar pessoas que tiveram contato com ela. Cerca de 200 pessoas chegaram a ser colocadas em quarentena durante a investigação, embora parte delas já tenha sido liberada.

A OMS afirma que continua em contato com as autoridades russas para verificar as circunstâncias do caso, os exames realizados, os procedimentos de rastreamento de contatos e eventuais impactos para a saúde pública internacional.

A peste pneumônica é uma das formas da peste e pode ser transmitida entre pessoas por meio de gotículas respiratórias. A doença pode ser grave e potencialmente fatal quando não tratada rapidamente. A peste também possui outras formas de transmissão e manifestação, como a peste bubônica, geralmente associada à transmissão por pulgas infectadas.

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