Os Pesquisadores da FESPSP fizeram uso de um modelo matemático para estimar chances de virada na eleição com dados da pesquisa desta quinta-feira. Segundo o modelo matemático RPA, desenvolvido pelo professor da FESPSP Jairo Pimentel em parceria com Guilherme Russo e George Avelino, é possível estimar as chances de virada no segundo turno a partir dos dados do último Datafolha. Leia em TVT News.
Os resultados da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8/10) não surpreenderam de todo os pesquisadores do Labop FESPSP (Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo). Os números ainda mostram empate técnico no limite da margem de erro entre os candidatos à Presidência, apesar do favoritismo de Flávio Bolsonaro neste primeiro momento.
Além de as campanhas para o 2º turno terem começado somente nesta sexta-feira e a agenda de debates televisivos seguir em aberto, os brasileiros que votaram sem grande convicção no primeiro turno, anularam seu voto ou se abstiveram de votar estão à espera de algo que os convença a depositar seus votos nas urnas no dia 25 de outubro. Quem acertar mais no noticiário positivo e, sobretudo, errar menos terá maior chance de sair do empate técnico vencedor das eleições, avaliam os analistas políticos Beto Vasques e Jairo Pimentel.

No cenário de votos válidos para o segundo turno, o levantamento do Datafolha aponta Flávio Bolsonaro com 52% e Lula com 48%. No quesito rejeição, o atual presidente marca 46%, enquanto o senador registra 43%. A avaliação do governo Lula aponta que 40% dos entrevistados consideram a gestão ruim ou péssima, 35% a classificam como ótima ou boa e 24% a veem como regular.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
O levantamento mostra ainda um alto grau de cristalização do eleitorado, com apenas 6% dos cidadãos afirmando que ainda podem mudar o voto. A pesquisa foi contratada pela Rede Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”, tendo ouvido 2.520 eleitores em 153 municípios entre os dias 6 e 7 de outubro de 2026. O nível de confiança estabelecido é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, sob o número de registro BR-02949/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
“Aplicando o modelo aos resultados deste ano, já incorporando a dimensão ideológica, chegamos a uma probabilidade de aproximadamente 19% de virada de Lula. Em termos de votação, o modelo estima 52,2% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47,8% para Lula, praticamente os mesmos números apontados pelo Datafolha: 52% a 48%”, afirma Jairo Pimentel. Isso não significa, segundo o cientista político, que a eleição esteja decidida. “A abstenção, que passou de 21% no primeiro turno, e a capacidade de mobilização dos candidatos ainda podem fazer diferença”, destaca.

O coordenador do Labop, Beto Vasques, reforça essa leitura. “Flávio virou o resultado que as pesquisas apontavam, conseguiu apoios dos candidatos nanicos enquanto a campanha de Lula fazia um freio de arrumação. Mesmo assim, não conseguiu descolar. Mantém-se à frente numericamente, mas em situação de empate técnico, no limite da margem de erro, com o presidente.”
Vasques destaca que esse movimento também se reflete na rejeição dos candidatos. “A rejeição de Flávio oscilou dois pontos para baixo, enquanto a de Lula oscilou um ponto para cima. Depois de apresentarem empate numérico nas últimas quatro rodadas antes do primeiro turno, o senador agora aparece com uma diferença de três pontos percentuais, também dentro da margem de erro, em sentido inverso ao observado na intenção de voto.”

Os professores concordam que o senador aparece como favorito, mas ressaltam que a disputa segue em situação de empate técnico, no limite da margem. Para Pimentel, “no Brasil, nunca um candidato que terminou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu virar uma eleição presidencial no segundo”.
Ele pondera, contudo, que há poucos casos de eleições presidenciais no Brasil, o que limita os cálculos de probabilidade. “Mas, quando ampliamos a análise para mais de 200 eleições mundo afora e quase 300 disputas em dois turnos no Brasil, conseguimos identificar padrões importantes”, explica.
Vasques recorda, por sua vez, que, em outra eleição acirrada, em 2014, Dilma Rousseff começou o segundo turno atrás de Aécio Neves na primeira pesquisa e terminou vencedora. “O segundo turno mal começou. Propaganda eleitoral, performance dos candidatos nos debates e capacidade de mobilização das militâncias, nas ruas e nas redes, serão fundamentais para definir o vencedor. Numa eleição tão disputada, quem errar menos poderá sagrar-se vencedor no dia 25 de outubro”, complementa o coordenador do Labop.